O maior risco para uma empresa não é a crise, é a estagnação

A estagnação pode comprometer o crescimento mesmo com aumento nas vendas. Entenda os sinais de que o modelo de gestão precisa evoluir
Ricardo Oliveira
Ricardo Oliveira é estrategista para empresas em expansão.

Por Ricardo Oliveira

Quando uma empresa entra em crise, quase sempre ela reage: reduz custos, renegocia dívidas, revê processos e busca novos mercados. A crise tem uma característica curiosa: ela obriga o empresário a tomar decisões.

A estagnação faz exatamente o contrário. Ela anestesia. A empresa continua vendendo, os clientes continuam comprando e os salários continuam sendo pagos. Nada parece suficientemente grave para justificar uma mudança profunda. Ao mesmo tempo, cresce uma sensação difícil de explicar: a de que a empresa trabalha cada vez mais para chegar sempre ao mesmo lugar. É comum ouvir frases como “Estamos correndo o tempo todo”, “A equipe vive ocupada” ou “Nunca tivemos tanto trabalho”. Mas quase nunca a pergunta realmente importante é feita: estamos ocupados construindo o futuro ou apenas sustentando o presente? Essa talvez seja uma das diferenças entre empresas que voltam a crescer e empresas que passam anos andando de lado.

O empresário normalmente procura respostas nos lugares mais visíveis: nas vendas, na logística, no estoque, no sistema ou nas pessoas. Esses problemas existem, mas raramente começam ali. Na maioria das vezes, eles são apenas sintomas de algo mais profundo. Existe um momento na vida de toda empresa em que aquilo que a fez crescer deixa de ser suficiente para sustentar o crescimento. O fundador continua decidindo praticamente tudo, os gestores ainda dependem de validações constantes e as prioridades mudam conforme a urgência do dia. As áreas passam a trabalhar muito, mas nem sempre na mesma direção. Não porque as pessoas sejam incompetentes, mas porque a empresa se tornou mais complexa do que o modelo de gestão que ainda utiliza.

Esse é um dos paradoxos mais comuns que encontro: empresas que possuem bons produtos, têm mercado, têm clientes e têm equipes comprometidas, mas perderam a capacidade de transformar esforço em evolução. Quanto mais trabalham, mais a sensação é de que apenas conseguem manter a operação funcionando. Crescer deixa de ser consequência da estratégia e passa a depender do esforço extraordinário de algumas pessoas. E nenhuma organização consegue sustentar esse modelo por muito tempo.

Talvez seja justamente por isso que muitas empresas confundem crescimento com aumento de faturamento. Faturar mais não significa, necessariamente, que a empresa se tornou melhor. Uma organização evolui quando aumenta sua capacidade de decidir, executar e aprender sem depender continuamente das mesmas pessoas. É nesse ponto que muitos empresários descobrem que o verdadeiro desafio não é encontrar novas oportunidades, é construir uma empresa capaz de aproveitá-las. Porque oportunidades sempre existirão. A pergunta é outra: a empresa está preparada para crescer novamente ou está apenas mais ocupada do que antes?

No fim, empresas raramente deixam de crescer porque o mercado desapareceu. Na maioria das vezes, elas deixam de crescer porque o modelo de gestão que as trouxe até aqui já não consegue levá-las ao próximo nível. E esse talvez seja o sinal mais silencioso e mais perigoso de todos.

O maior risco para uma empresa não é a crise, é a estagnação

*Ricardo Oliveira é estrategista para empresas em expansão. Escreve sobre gestão, liderança e os desafios de construir organizações capazes de sustentar o crescimento.

@ricardooliveira.360

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