Prefeitura rejeita novo pedido da Uber de mototáxi em São Paulo

Uber tem pedido de mototáxi negado pela Prefeitura de SP
Prefeitura alegou falta de documentos para justificar negativa de novo pedido da Uber para mototáxi em SP (Divulgação/Uber)

A Prefeitura de São Paulo rejeitou, pela segunda vez neste ano, o pedido da Uber para credenciamento do serviço de transporte de passageiros por motocicletas na capital. A decisão foi tomada na quarta-feira (15) pelo Comitê Municipal de Uso do Viário (CMUV).

Segundo a administração municipal, a empresa não apresentou a documentação exigida para obtenção da autorização. Entre as pendências apontadas está a comprovação da contratação de seguro contra acidentes pessoais, requisito previsto na legislação municipal para empresas interessadas em operar o serviço.

Esta é a segunda negativa recebida pela plataforma em 2026. Em abril, a Prefeitura já havia recusado um pedido semelhante, também sob a justificativa de ausência da documentação necessária para o credenciamento.

Uber contesta decisão e Ricardo Nunes defende regras municipais

Em nota, a Uber afirmou ter recebido a decisão com “estranheza” e declarou que a medida representa mais uma tentativa da Prefeitura de impedir a operação do transporte de passageiros por motocicletas na cidade. A empresa também sustenta que o entendimento do município contraria decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

A exigência do seguro voltou ao centro do debate após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a obrigatoriedade da cobertura adicional prevista no decreto municipal e determinou que a Prefeitura analisasse os pedidos de credenciamento das plataformas com base apenas na legislação federal.

Em entrevista ao Jornal Giro, concedida em 1º de julho, durante a inauguração das obras de ampliação das marginais da Rodovia Castello Branco, em Barueri, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) criticou a decisão do STF e defendeu que cabe ao município estabelecer as exigências para o funcionamento do serviço.

“O que vale uma vida? Quem define se esse valor é justo ou injusto?”, questionou o prefeito.

Segundo Nunes, a definição sobre o valor e a abrangência do seguro não deve ser feita pelo Supremo Tribunal Federal, mas pela administração municipal, responsável pela regulamentação da atividade na capital. Para o prefeito, as regras foram adotadas em razão do aumento dos acidentes envolvendo motocicletas e têm o objetivo de ampliar a proteção de passageiros, motociclistas e terceiros. (Veja o trecho da entrevista abaixo)

Disputa judicial segue sem definição

O impasse entre a Prefeitura de São Paulo e as empresas de transporte por aplicativo se arrasta desde a edição do Decreto Municipal nº 62.144/2023, que suspendeu o transporte remunerado individual de passageiros por motocicletas na cidade.

Mesmo diante da restrição, plataformas passaram a oferecer a modalidade, dando início a uma disputa judicial. O município sustenta que a operação ocorreu sem autorização, enquanto as empresas defendem que o serviço é amparado pela legislação federal.

Em janeiro deste ano, o ministro Alexandre de Moraes concedeu liminar suspendendo trechos da legislação municipal que impunham condições específicas para o credenciamento das plataformas.

Posteriormente, a Justiça considerou inconstitucional o decreto municipal em primeira instância. A Prefeitura recorreu da decisão e mantém o entendimento de que possui competência para regulamentar o transporte por motocicletas no município.

Enquanto o processo segue em discussão nos tribunais, a Prefeitura continua negando pedidos de credenciamento que, segundo o município, não atendem às exigências previstas na regulamentação vigente.

Já a 99, outra empresa envolvida na disputa, desistiu de implantar o serviço de mototáxi na capital em abril deste ano e informou que concentrará seus investimentos nas operações de entrega.

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