A empresa 99 decidiu encerrar a tentativa de operar o serviço de transporte individual de passageiros por motocicletas na cidade de São Paulo. A informação foi confirmada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), que afirmou que a companhia formalizou a desistência. Com a decisão, a empresa deve redirecionar seus investimentos na capital paulista para o setor de entregas, ampliando a atuação de serviços como delivery e logística urbana.
A mudança de posicionamento ocorre após uma sequência de disputas judiciais entre a prefeitura e plataformas digitais sobre a regulamentação do mototáxi. Em janeiro deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar suspendendo trechos de normas municipais que impunham restrições ao serviço. Mesmo com a decisão, a operação não chegou a ser retomada de forma efetiva na cidade.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o CEO da 99 no Brasil, Simeng Eang, destacou a relevância do mercado paulistano e sinalizou uma nova fase de cooperação com o poder público. Segundo ele, a empresa pretende ampliar serviços e gerar valor aos usuários por meio de parcerias.
Entre as iniciativas discutidas com a prefeitura estão a criação de pontos de apoio para motociclistas, com estrutura a ser definida pela administração municipal, além de ações voltadas à mobilidade urbana. Entre elas, a organização de embarques em grandes eventos, integração com o transporte público dentro do aplicativo e oferta de vouchers para incentivar o uso de modais públicos e serviços municipais.
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A empresa também aposta no crescimento do setor de entregas. Nos últimos seis meses, foram registrados mais de 32 milhões de pedidos por meio das plataformas 99Food e 99Delivery, com uma base de mais de 268 mil entregadores ativos na capital.
Disputa judicial marcou operação
A tentativa de implementação do mototáxi em São Paulo gerou um impasse entre a prefeitura e as empresas de tecnologia. O Decreto Municipal nº 62.144/2023 suspendeu o transporte remunerado por motocicletas na cidade, mas plataformas passaram a ofertar o serviço, o que levou a questionamentos judiciais.
A administração municipal argumentou que a atividade era irregular, enquanto as empresas defenderam a legalidade com base na legislação federal. Em primeira instância, a Justiça chegou a considerar a suspensão inconstitucional, mas o caso seguiu em disputa.
O prefeito Ricardo Nunes manteve críticas ao serviço ao longo do processo, alegando riscos à segurança dos usuários. Já a 99 sustentou que a operação poderia ocorrer sem prejuízos e apresentou dados de desempenho durante o período em que esteve disponível.
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