A medida de restabelecer a tarifa de 25% sobre a importação de aço Brasileiro e Argentino, não deve apresentar impacto significante na indústria local por dois motivos, afirma o analista de mercado João Pedro Arruda, da Hoa Asset Management.
Primeiro ponto, segundo o analista, a isenção deste imposto só existe há três meses. Antes disso a indústria já pagava este imposto. “Quando comparamos a exportação siderúrgica de janeiro até agosto de 2018 e 2019, antes da isenção do imposto, observamos um crescimento de 1,8% no volume”, afirma.
Arruda também destaca que a isenção só existia quando as empresas americanas não conseguiam ser atendidas pela produção interna. A demanda continuará a existir, uma vez que não conseguem ser atendidos pela produção doméstica. “Os EUA podem até importar de outros países, o que seria um fator ruim para o Brasil, mas dado que o real já se desvalorizou e o Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA, poderemos ver este risco atenuado”.
Relação bilateral
Não se pode confiar 100% em nenhuma afirmação do presidente Donald Trump, avisa o analista. “São inúmeras as situações que presenciamos ele dizer uma coisa e fazer outra. E não só com o Brasil. O único ponto que possuímos um grau de confiança maior, é o fato dele querem proteger a indústria nacional contra qualquer ameaça”, afirma.
Na relação entre Brasil e Estados Unidos, na avaliação do gestor de fundos, o ponto positivo é que Trump e Bolsonaro possuem relacionamento amistoso e parece existir espaço para diálogo. “Isso não observamos na relação dos EUA com alguns países”, finaliza.
Posição brasileira
Em breve nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores, da Economia e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento comunicaram nessa segunda-feira (2) que o governo federal trabalhará para defender o interesse comercial do Brasil e que já está em contato com autoridades dos Estados Unidos para tratar sobre possível imposição de sobretaxa ao aço brasileiro.
“O governo brasileiro tomou conhecimento de declaração do presidente Donald Trump sobre possível imposição de sobretaxa ao aço brasileiro e já está em contato com interlocutores em Washington sobre o tema. O governo trabalhará para defender o interesse comercial brasileiro e assegurar a fluidez do comércio com os EUA, com vistas a ampliar o intercâmbio comercial e aprofundar o relacionamento bilateral, em benefício de ambos os países”, diz a nota.
Mais cedo, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou, em sua conta no Twitter, que vai restaurar as tarifas do aço e alumínio brasileiros e argentinos. A medida é uma reação americana à desvalorização das moedas locais desses dois países.
“O Federal Reserve [Banco Central dos Estados Unidos] também deve agir para que os países não tirem mais proveito do nosso dólar forte, desvalorizando ainda mais suas moedas. Isso torna muito difícil para nossos fabricantes e agricultores exportar seus produtos de maneira justa”, disse Trump na rede social.
No final de agosto deste ano, o governo dos Estados Unidos flexibilizou as importações destes produtos quando decidiu que companhias norte-americanas que negociarem aço do Brasil não precisariam pagar 25% a mais sobre o preço original desde que provem que há ausência de matéria-prima no mercado interno. O Brasil está entre os principais fornecedores de aço e ferro para os Estados Unidos.
Na última sexta-feira (29), a moeda norte-americana voltou a subir atingindo, em valores nominais (desconsiderando a inflação) o segundo maior nível desde a criação do real. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 4,241, com alta de R$ 0,025 (+0,58%).






