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Crise das livrarias está na gestão

Foto: Divulgação

Após o pedido de recuperação judicial de duas grandes varejistas de livros, Cultura e Saraiva (esta com fechamento de 20 lojas), e da saída da Fnac do Brasil, a impressão que se tem é que o mercado editorial está em crise.

Mas os números são favoráveis à leitura. O Painel das Vendas de Livros do Brasil indica que no acumulado de janeiro a setembro de 2018 houve alta de 5,7% no volume de vendas em relação ao mesmo período de 2017.

De acordo com o book advisor Eduardo Villela, a crise está no modelo de negócios e na gestão. Nos últimos anos essas lojas físicas têm dado forte atenção à venda de best sellers. “Isso trouxe concorrência com os sites de venda de livros, que têm preços mais competitivos.”

Para o especialista, a sobrevivência só deve ocorrer se essas livrarias se tornarem espaços de entretenimento, de serviço – bom atendimento –, e ter maior sortimento de livros, não só best sellers. “Não basta só noite de autógrafo. É preciso levar a família à livraria. É preciso ter calendário de eventos com mais inovações”, diz.

O modelo de comercialização entre editoras e lojas também tem falhas, aponta Villela. “Hoje é um modelo de consignação, o que gera ineficiências. Falta ainda um sistema integrado de estoques com as editoras”, explica.

Villela é contra a chamada “lei do preço fixo”, a qual um lançamento só poderia ter até 10% de desconto no primeiro ano. “Essa medida vai tornar mais difícil o acesso ao livro”, ressalta.