Duas denúncias feitas na tribuna da Câmara Municipal de Osasco colocaram os serviços funerários da cidade no centro dos debates nesta terça-feira (1º). Os parlamentares Elsa Oliveira (Podemos) e Délbio Teruel (União Brasil) relataram situações distintas, mas que têm um ponto em comum: famílias que enfrentam a perda de um parente e procuram alternativas para realizar o funeral.
Durante seu discurso, Délbio denunciou uma suposta prática de venda de serviços funerários para pessoas que chegam ao local em busca de enterro social, justamente por não terem condições financeiras de contratar um funeral particular.
Segundo o vereador, a família apresenta a documentação necessária para solicitar o atendimento e, em seguida, seria abordada por funcionários de uma funerária. A denúncia é de que, em vez de permanecer apenas na opção social, essas pessoas seriam convencidas a contratar serviços particulares e parcelar o pagamento no cartão de crédito.
“Tem gente que vai lá à procura no velório e enterro social. A pessoa passa, apresenta os documentos porque não tem condições [de pagar particular]”, iniciou.
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Délbio criticou a abordagem e disse que os funcionários se aproveitariam da situação de fragilidade enfrentada pelos familiares naquele momento. “O povo da cidade está sendo enganado por esses urubus que ficam ao redor do nosso cemitério. São sites clandestinos que enganam a população na hora mais dolorosa da vida das pessoas”, lamentou.
Segundo o vereador, a pessoa seria convencida de que o funeral oferecido pelo serviço social seria inadequado e de que a contratação particular seria necessária. Ele comparou o caso às denúncias registradas em Carapicuíba, que ficaram conhecidas como “Máfia do Caixão”.
Vereadora denuncia velório clandestino em Osasco
Na sequência, Elsa Oliveira ampliou a discussão e revelou outra denúncia relacionada ao setor funerário. A parlamentar afirmou que um velório clandestino estaria funcionando próximo ao Velório Municipal de Osasco, sem autorização para realizar esse tipo de serviço.
“Tem velório clandestino acontecendo à luz do dia e bem próximo do velório municipal”, declarou.
De acordo com Elsa, o espaço estaria funcionando há bastante tempo e divulgaria a possibilidade de realização de velórios por 24 horas ou até por períodos superiores.
A vereadora afirmou que essa oferta estaria relacionada à mudança no funcionamento do Velório Municipal após a pandemia de covid-19, já que o equipamento público deixou de manter os corpos no local por períodos tão extensos.
“Velório clandestino que não tem autorização para funcionar em nossa cidade. Acho que a gente precisa parar de ficar fazendo vistas grossas”, afirmou.
A parlamentar disse ainda que os vereadores precisam cumprir o papel de fiscalização e que poderia fornecer o endereço do local citado na denúncia.
Osasco: setor funerário entra na mira dos vereadores
As duas manifestações colocam em discussão a fiscalização dos serviços funerários em Osasco. Enquanto Elsa questiona a existência de um espaço que, segundo ela, estaria realizando velórios sem autorização, Délbio denuncia uma possível prática de venda de serviços particulares a famílias que procuram atendimento social.
A reportagem do Jornal Giro entrou em contato com a Prefeitura de Osasco para questionar as ações que serão adotadas diante da denúncia; porém, até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para o posicionamento da gestão do prefeito Gerson Pessoa (Podemos). Se a resposta for enviada, o texto será atualizado.
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