O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou neste sábado (29), durante caminhada em Osasco, que pretende fazer uma revisão dos principais contratos de privatização do Estado caso seja eleito. Segundo ele, Sabesp, transporte sobre trilhos e sistema de free flow estão entre os setores que passarão por um “pente-fino”.
Haddad criticou a condução dos contratos pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e afirmou que pretende analisar as condições estabelecidas com as concessionárias e os impactos para os cofres públicos e para a população.
“Eu já disse que todas as privatizações vão passar por um pente-fino. Transporte sobre trilhos, Sabesp e free flow. São os três contratos mais problemáticos do Estado”, declarou.
Durante a caminhada, o petista também citou o pagamento de indenizações às concessionárias e questionou os resultados dos contratos de privatização. Segundo Haddad, haveria aumento de 27% nas falhas do sistema de transporte sobre trilhos após as concessões.
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O candidato também afirmou que a Sabesp estaria registrando aumento nas reclamações de consumidores junto ao Procon-SP. Em relação ao free flow, disse que municípios do interior paulista têm apresentado reclamações sobre a instalação dos pórticos e o funcionamento do sistema de cobrança automática.

Haddad defende integração do transporte
Além das críticas às privatizações, Haddad apresentou uma proposta de integração do transporte público na Região Metropolitana de São Paulo. A ideia, segundo ele, é começar de forma gradual, envolvendo inicialmente algumas cidades para testar o modelo e avaliar o impacto financeiro.
O candidato afirmou que pretende iniciar a implementação já no próximo ano, caso seja eleito, e defendeu a participação do governo estadual no subsídio do sistema.
“Eu quero começar a integrar a região metropolitana do ponto de vista do transporte público”, afirmou.
Haddad explicou que a proposta prevê começar por cerca de quatro municípios e ampliar gradualmente a integração. Para ele, as prefeituras não teriam condições de arcar sozinhas com os custos do subsídio.
A proposta tem como referência o modelo do Bilhete Único e busca reduzir o peso das tarifas para trabalhadores que precisam utilizar diferentes meios de transporte para chegar à capital.
Sabesp também entra na mira
A situação da Sabesp foi um dos principais pontos abordados pelo candidato. Haddad afirmou que pretende analisar os contratos da companhia, inclusive em relação ao tratamento de esgoto e aos impactos ambientais.
Ao comentar a situação do Rio Tietê e das represas, o petista disse que pretende revisar os contratos “ponto por ponto” para avaliar as obrigações da empresa e o atendimento ao interesse público.
“Eu não posso deixar a Sabesp fazer o que bem entende para aumentar o lucro dela, sem atender o interesse público”, afirmou.
Haddad também relacionou a discussão sobre saneamento à despoluição do Rio Tietê e criticou situações em que, segundo ele, obras de saneamento estariam provocando impactos ambientais.
Meio ambiente e mudanças climáticas
Durante a agenda em Osasco, Haddad ainda defendeu a ampliação de ações de combate às enchentes, obras de drenagem e investimentos em segurança hídrica.
O candidato afirmou que pretende ampliar a capacidade de armazenamento de água do Estado diante dos efeitos das mudanças climáticas e reforçar a atuação da Defesa Civil.
Ele também defendeu medidas para reduzir o desmatamento e a utilização de combustíveis fósseis, além de uma política de transição energética.
Na avaliação de Haddad, São Paulo precisará combinar ações de infraestrutura com políticas de adaptação aos eventos climáticos extremos.
Apoio de ex-integrantes do PSDB
Fernando Haddad também comentou o apoio declarado por ex-integrantes do PSDB à sua candidatura. Para o petista, a aproximação tem um peso simbólico e segue episódios anteriores de alianças entre setores dos dois partidos.
Ele afirmou que PT e PSDB possuem divergências programáticas, mas apontou a existência de posições comuns em temas como defesa da democracia, direitos humanos e combate à intolerância.
Sobre as pesquisas eleitorais, Haddad afirmou que sua candidatura vem reduzindo a diferença em relação aos adversários e disse que o início do horário eleitoral deverá ampliar o debate sobre as propostas apresentadas aos eleitores. “Está diminuindo e estou otimista”, finalizou.
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