Segundo pesquisa da consultoria Meira Fernandes no segmento educacional, cerca de 90,9% das escolas particulares apontaram que as mensalidades sofrerão reajustes no ano letivo de 2022, e apenas 9,1% não irão promover nenhum tipo de reajuste. Realizado entre os dias 8 e 16 de novembro, o levantamento foi feito com mais de 65 instituições de ensino, em cinco estados brasileiros.
A maioria das escolas (53%) irá reajustar as mensalidades entre 7% e 10%. Por outro lado, 24,3% das instituições de ensino darão aumento que pode variar entre 1% e 7%. Já 6,7% darão reajustes acima de 10% para o próximo ano letivo.
E as surpresas não param por ai
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp) estima que o reajuste no estado deva ficar acima de 10%. “Vai ficar entre 10% e 12%, dependendo da escola”, afirma Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do Sieeesp, que acrescenta: “Dificilmente vai vir menos do que isso, porque a inflação já vai passar dos dois dígitos e as escolas também investiram muito em tecnologia para atender as aulas online.”
Em 2020, boa parte dos colégios seguraram os preços temendo a evasão de alunos em meio à pandemia da covid-19. Porém, agora, o valor das mensalidades tende a acompanhar a disparada da inflação no Brasil, que no acumulado em 12 meses voltou a registrar taxa de dois dígitos.
“Temos conversado muito com os mantenedores e o mercado. Percebemos que os reajustes que estão sendo considerados são muito mais em caráter de reposição da inflação atual e também uma maneira de repor todos os investimentos que foram gastos ao longo de 2020 e 2021, com a tecnologia que se fez necessária para suprir a demanda do ensino a distância e posteriormente ao ensino híbrido que passou a ser uma obrigatoriedade imposta pelo governo sem nenhum tipo de contrapartida para o setor”, conta Mabely Meira Fernandes, diretora da Meira Fernandes.
O setor também vem sentindo, em 2021, os impactos do dissídio. Para os auxiliares ficou decretado um percentual de 6%. “Já professores ainda é uma questão que está sendo discutida internamente no setor. As escolas estão sendo instruídas a montar comissões para chegar a um consenso entre mantenedores e docentes, porém, é esperado minimamente 6% ou mais – somados esses custos chegam facilmente em 15%”, acrescenta a diretora.
Efeito pandemia
Durante a pandemia, muitas escolas fecharam, especialmente as de educação infantil. Apesar disso, a pesquisa destaca que os mantenedores se mantêm otimistas e mais de 37,8% dos respondentes acreditam que neste ciclo de fim de ano de rematrículas irão recuperar mais de 35% das matrículas evadidas ao longo da pandemia. Eles acreditam também que terão novos alunos, chegando para ocupar os lugares vagos nas salas de aula em 2022.
Por outro lado, uma pequena minoria de 7,6% dos donos de escolas entende que o cenário ainda é hostil e que não haverá recuperação da perda sofrida e as carteiras continuarão vazias. E para outros 54,6% dos gestores, segundo o levantamento da Meira Fernandes, as instituições de ensino particulares irão recuperar matrículas. Mas, este número ainda deve ser mais modesto, na casa de 5% a 30%. E deve crescer; caso o Brasil mantenha medidas efetivas de combate à covid-19.







