Justiça nega prisão domiciliar e mantém Deolane Bezerra presa

Influenciadora e advogada Deolane Bezerra é ré por lavagem de dinheiro e organização criminosa; defesa afirma que vai recorrer da decisão
Deolane Bezerra segue presa por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC (Reprodução/Redes sociais)

A Justiça de São Paulo negou nesta quarta-feira (25) o pedido da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra para deixar a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista. A defesa solicitava a concessão de prisão domiciliar ou a transferência para uma Sala de Estado-Maior, benefício previsto para advogados em determinadas situações.

O pedido foi apresentado em conjunto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que argumentou que a unidade prisional onde Deolane está detida desde 22 de maio não atende aos critérios estabelecidos pela jurisprudência para ser considerada uma Sala de Estado-Maior.

O habeas corpus, porém, foi rejeitado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A relatora do caso, desembargadora Renata William Rached Catelli, votou pela negativa do pedido, sendo acompanhada pelos demais magistrados da turma julgadora.

Em nota, a defesa lamentou a decisão e reiterou que considera a prisão indevida.

“A defesa lamenta o resultado do julgamento ocorrido hoje no TJSP em que foi denegada a ordem de Habeas Corpus. Informa que sua cliente é inocente e seguirá utilizando todos os meios legais possíveis contra a prisão manifestamente desnecessária, excessiva e midiática”, afirmou.

Deolane Bezerra virou ré após denúncia do MP

A decisão ocorre poucos dias após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), tornando Deolane ré pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A acusação foi formalizada pelo promotor Lincoln Gakiya em 10 de junho e recebida pela Justiça em 18 de junho.

De acordo com a investigação, a influenciadora teria recebido recursos de origem ilícita provenientes da Transportadora Lado a Lado, apontada pelas autoridades como uma empresa utilizada para movimentações financeiras ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Relatórios anexados ao processo indicam movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada por Deolane. O valor analisado pelos investigadores supera R$ 27 milhões.

Deolane Bezerra: como surgiu a investigação?

As apurações tiveram início em 2019, após policiais penais apreenderem bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos continham referências à estrutura interna do PCC, além de possíveis ações contra agentes públicos.

Durante a investigação, surgiu a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria realizado levantamentos de endereços de servidores públicos. A partir dessa informação, a Polícia Civil identificou uma empresa que passou a ser alvo das apurações.

A Operação Lado a Lado foi deflagrada em 2021 e apontou que a transportadora era utilizada como instrumento para movimentação financeira da facção criminosa. Os investigadores identificaram operações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade econômica declarada pela empresa.

No decorrer da operação, autoridades apreenderam um celular que continha indícios de transferências financeiras relacionadas a Deolane. Também foram identificadas, segundo os investigadores, ligações da influenciadora com um dos gestores apontados como responsável pela estrutura da transportadora.

As investigações apontam ainda movimentações milionárias, recebimentos sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto valor, elementos que embasam a ação penal em andamento.

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