Você já recebeu um vídeo de um empresário recomendando um investimento milagroso? Ou uma celebridade pedindo doações urgentes? Ou até um “chefe” pode surgir em uma chamada de vídeo pedindo uma transferência imediata. O problema é que isso pode ser um golpe feito com o uso da Inteligência Artificial (IA).
Os golpes gerados com IA causam um grande impacto econômico. Dados do DataSenado indicam que 24% dos brasileiros adultos foram vítimas de golpes digitais nos últimos 12 meses. Segundo a Federação Brasileira do Bancos (Febraban), as perdas geradas giram em torno de R$ 10,1 bilhões em 2024.
“Hoje, qualquer pessoa consegue gerar imagens, vídeos e vozes extremamente convincentes. A tecnologia não é mais restrita a grandes estúdios ou laboratórios. Isso abre oportunidades criativas enormes, mas também cria um ambiente perfeito para fraudes sofisticadas”, explica Náthan Ximenes, diretor criativo e estrategista de comunicação digital, fundador da NTX Group.
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Golpes usam deepfakes
Grande parte dos golpes atuais usa deepfakes, que permite manipular imagens ou vozes para simular pessoas reais. Em muitos casos, criminosos utilizam rostos de figuras públicas ou executivos de empresas para ganhar credibilidade rapidamente.
Segundo o relatório Identity Fraud Report 2025–2026, as fraudes com deepfakes e identidades sintéticas cresceram 126% entre 2024 e 2025 no país, que concentra quase 39% de todos os deepfakes detectados na América Latina. Já um levantamento da empresa de cibersegurança Kaspersky identificou 309 milhões de tentativas de phishing bloqueadas no Brasil em um ano, o equivalente a 588 ataques por minuto.
O fenômeno não para de crescer. Um estudo do Observatório Lupa mostrou que conteúdos falsos gerados com inteligência artificial aumentaram 308% entre 2024 e 2025 no Brasil, que circulam principalmente em redes sociais e aplicativos de mensagens. Muitas vezes, aparecem como anúncios patrocinados ou vídeos virais.
A sofisticação dessas produções pode confundir até usuários experientes. “Estamos chegando a um ponto em que, para um público leigo, é praticamente impossível identificar um vídeo falso apenas olhando rapidamente. Detalhes técnicos, como repetição de elementos na imagem ou inconsistências no movimento, ainda podem denunciar a manipulação, mas eles estão ficando cada vez mais sutis”, afirma Ximenes.
Os golpes mais comuns
Entre os golpes mais comuns impulsionados por IA estão:
– Vídeos falsos de celebridades promovendo investimentos ou plataformas financeiras;
– Clonagem de voz para simular familiares ou executivos;
– Anúncios de emprego ou renda extra com depoimentos fabricados;
– Perfis falsos que replicam influenciadores ou especialistas; e
– Reuniões virtuais manipuladas com deepfake para autorizar transferências.
Dicas para se prevenir
Algumas práticas são essenciais para reduzir riscos. Primeiramente, desenvolva uma postura mais crítica diante do conteúdo digital. “A regra número um é desconfiar de qualquer mensagem que pressione por urgência ou dinheiro. Golpistas exploram emoção e pressa. Quando a pessoa para, verifica e cruza informações, a chance de cair em fraude diminui drasticamente”, alerta o especialista.
Confira as recomendações mais comuns estão:
- Verifique a fonte: confirme se o vídeo ou mensagem aparece também nos canais oficiais da pessoa ou empresa citada;
- Desconfie de promessas fáceis: ofertas de investimento com ganhos garantidos ou “oportunidades exclusivas” costumam ser usadas como isca;
- Cheque detalhes visuais: em vídeos manipulados, podem surgir distorções sutis em mãos, sombras, movimentos faciais ou repetição de elementos;
- Confirme pedidos financeiros por outro canal: se um chefe ou familiar pedir dinheiro por mensagem ou vídeo, confirme por telefone ou pessoalmente; e
- Evite clicar em links recebidos por redes sociais ou mensagens: muitos golpes começam com páginas falsas que imitam sites legítimos.
Para Náthan Ximenes, o ponto central não é combater a inteligência artificial, mas aprender a conviver com a tecnologia. “A IA não é vilã. Ela é uma ferramenta poderosa. O problema é quando pessoas mal-intencionadas usam essa tecnologia para manipular confiança. Por isso, educação digital e pensamento crítico serão cada vez mais importantes nos próximos anos”, finaliza ele.
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