Cantareira ganha 10 bilhões de litros de água em 24 horas

Volume útil do principal sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, subiu para 34,8% após chuvas acima da média em setembro
Sistema Cantareira
Sistema Cantareira abastece maioria das cidades que compõem a Grande SP (Divulgação)

O Sistema Cantareira ganhou quase 10 bilhões de litros de água em apenas 24 horas, entre quinta-feira (10) e esta sexta-feira (11). O volume corresponde a aproximadamente cinco dias de água captada para abastecer a Grande São Paulo, sem considerar a contribuição da transposição do Rio Paraíba do Sul.

O aumento é o maior registrado em um único dia desde 13 de março, quando os reservatórios receberam cerca de 12 bilhões de litros. A recuperação ocorre após uma sequência de chuvas acima da média para o mês de setembro.

Nos primeiros 11 dias de setembro, o Cantareira acumulou 157,1 milímetros de chuva, praticamente o dobro da média histórica de todo o mês, que é de 78,8 milímetros.

Volume útil sobe para 34,8%

A combinação de chuva e aumento da vazão dos rios já provocou reflexos no armazenamento do sistema. Desde o início do mês, o volume útil do Cantareira passou de 33,1% para 34,8%.

Na prática, o sistema acumulou 15,75 bilhões de litros adicionais desde 1º de setembro, sendo que uma parcela significativa desse ganho ocorreu nas últimas 24 horas.

As temperaturas mais amenas registradas ao longo do mês também ajudam na recuperação dos reservatórios, ao reduzir a demanda por água.

Vazão supera média histórica

Além do volume de chuva, um dos principais fatores para a recuperação do Cantareira é o aumento da vazão natural de água que chega aos reservatórios.

Historicamente, o sistema recebe em setembro uma média de aproximadamente 23.500 litros por segundo. Nos primeiros 11 dias deste mês, entretanto, a média chegou a 38.880 litros por segundo.

Nas últimas 24 horas, a vazão atingiu 132.520 litros por segundo, patamar elevado até mesmo em períodos tradicionalmente mais chuvosos, como o verão.

A diferença entre chuva e vazão é relevante porque nem toda precipitação se transforma imediatamente em água armazenada. O volume que efetivamente chega aos reservatórios depende de fatores como umidade do solo, condições das bacias e escoamento dos rios.

Cantareira ainda está em faixa de alerta

Apesar da recuperação registrada em setembro, o cenário dos reservatórios ainda exige controle sobre o consumo de água na Grande São Paulo.

A região metropolitana permanece sob gestão de demanda no período noturno, com redução da pressão da rede de distribuição da Sabesp durante oito horas por dia.

O Cantareira também continua na faixa de alerta, condição que implica restrições para a retirada de água. A captação é regulamentada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela SP Águas.

Diante do quadro de armazenamento ainda limitado, foi ampliada até o fim do ano a transposição de água da bacia do Rio Paraíba do Sul, com transferência de até 8.500 litros por segundo para reforçar o abastecimento da Grande São Paulo. A bacia também é responsável pelo abastecimento de parte do estado do Rio de Janeiro.

A recuperação observada neste início de setembro, portanto, antecipa parcialmente um movimento que normalmente ganha força com a chegada do período chuvoso, previsto para os próximos meses.

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