O Sistema Cantareira encerrou julho com 36,7% do volume útil, o equivalente a 360 bilhões de litros. Segundo estimativa da Sabesp, esse índice cairia para cerca de 16%, ou aproximadamente 157 bilhões de litros, caso o sistema não recebesse água da transposição do Rio Paraíba do Sul e não fosse adotada a gestão de demanda noturna (GDN), mecanismo que reduz a pressão da rede durante a madrugada. A informação foi divulgada pelo Portal Metrópoles.
O cenário levou a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) a manter o Cantareira na faixa de alerta e ampliar, até o fim deste ano, o limite de transposição de água do Rio Paraíba do Sul para reforçar o abastecimento da Grande São Paulo.
Cantareira: transposição reforça reservatórios
A ligação entre os dois sistemas foi implantada após a crise hídrica de 2014 e 2015 e entrou em operação em 2018. A estrutura permite transferir água do Rio Paraíba do Sul para o Cantareira em períodos de escassez e também operar no sentido contrário, caso haja necessidade no sistema que abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro.
Atualmente, até 8,5 metros cúbicos por segundo são direcionados ao Cantareira. Em julho, esse volume representou mais de um terço de toda a água que entrou nos reservatórios, já que a vazão natural ficou em torno de 15 m³/s, abaixo da média histórica de 26,6 m³/s.
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Diante da estiagem, a ANA autorizou, em caráter temporário, ampliar o limite anual da transposição de 162 bilhões para 268,28 bilhões de litros. Até 30 de julho, 139 bilhões de litros já haviam sido utilizados.
Cantareira: redução de pressão economizou 183 bilhões de litros
A Sabesp informou que a gestão de demanda noturna permitiu economizar 183 bilhões de litros desde agosto do ano passado. Segundo a companhia, cerca de 40% desse volume permaneceu no Sistema Cantareira.
A medida, no entanto, é alvo de críticas por moradores de bairros da periferia da Grande São Paulo, que relatam impactos no abastecimento durante a noite.
Na última sexta-feira (31), o governo estadual anunciou a redução do período da GDN, que passou de 10 para oito horas diárias, entre 21h e 5h. A justificativa apresentada considera as chuvas registradas em junho e no fim de julho na região de Extrema (MG), além do volume do Cantareira estar acima da projeção feita pelo Estado para o período.
Sistema Cantareira segue em faixa de alerta
Mesmo com as medidas adotadas, o Sistema Cantareira permanece na faixa de alerta, condição em que opera entre 30% e 40% da capacidade útil. Nessa situação, a captação é limitada a 27 m³/s, além do reforço de até 8,5 m³/s proveniente da transposição.
Segundo o diretor de Produção, Tratamento e Manutenção Estratégica da Sabesp, Marco Antônio Barros, sem essas ações o sistema precisaria operar em condições semelhantes às registradas durante a crise hídrica de 2014 e 2015.
A região metropolitana de São Paulo reúne mais de 20 milhões de habitantes e possui disponibilidade hídrica por morador cerca de dez vezes inferior ao índice recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), cenário que mantém o abastecimento sob pressão durante os períodos de estiagem.
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