O Sistema Cantareira, principal responsável pelo abastecimento de água da Grande São Paulo, incluindo as cidades que compõem a Região Oeste, voltou a operar abaixo dos 20% de sua capacidade nesta quinta-feira (8). O volume registrado pela manhã foi de 19,9%, índice que repete o patamar observado há cerca de um mês e reforça a preocupação das autoridades com a persistência da seca, mesmo durante o verão.
A queda ocorre em um período que historicamente deveria ser de recuperação dos reservatórios, impulsionada pelas chuvas. No entanto, as represas seguem recebendo menos água do que o esperado, cenário que amplia o risco de desabastecimento nos próximos meses.
Faixa crítica pode ser acionada
No dia 7 de dezembro, o Cantareira também havia atingido 19,9%, o que levou a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) a emitir alerta. Nos dias seguintes, o nível caiu ainda mais, chegando a 19,7%.
Quando o sistema opera abaixo dos 20%, entra em vigor a chamada Faixa 5, a mais restritiva do modelo de operação, que limita a retirada de água a 15,5 metros cúbicos por segundo (m³/s). Atualmente, o Cantareira ainda está enquadrado na Faixa 4, que permite uma captação maior, de até 23 m³/s.
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Para evitar o acionamento da Faixa 5 ainda neste mês, o sistema precisa encerrar janeiro com pelo menos 20% da capacidade total. Para isso, seria necessário um aumento significativo da vazão natural e uma redução no consumo — cenário oposto ao observado até agora.
Impacto em outros reservatórios
Caso a Faixa 5 seja adotada, a menor retirada de água do Cantareira pode provocar sobrecarga nos demais sistemas, que também operam em níveis baixos. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que reúne todos os reservatórios que abastecem a região, registrou na quarta-feira (7/1) apenas 26,9% da capacidade total. No mesmo período do ano passado, o índice era de 49,9%.
Pouca água entrando no sistema
Além do baixo volume armazenado, técnicos chamam atenção para a vazão natural extremamente reduzida, ou seja, a quantidade de água que efetivamente entra no reservatório. Mesmo já na estação chuvosa, o Cantareira segue sem conseguir se recuperar.
Dados da Sabesp apontam que, nos primeiros sete dias do ano, o sistema recebeu apenas 14,53 m³/s. Embora o período seja curto para análises definitivas, o número representa menos de um quinto da média histórica de janeiro, que é de 67,3 m³/s.
Esse desempenho faz de 2024 a pior primeira semana de ano para o Cantareira desde 2015, quando, em plena crise hídrica, a vazão foi de 13,49 m³/s e o sistema operava com uso do volume morto. O índice atual também é inferior ao registrado em janeiro de 2014 (17,56 m³/s), ano que antecedeu o colapso no abastecimento da década passada — naquela ocasião, porém, o Cantareira ainda contava com 26,4% da capacidade.
Perdas desde o início do ano hidrológico
O chamado ano hidrológico, iniciado em outubro, marca o período em que as chuvas costumam recompor os reservatórios após o inverno. No entanto, desde então, o Cantareira tem apresentado queda contínua.
Há três meses, o sistema operava com 26,8% da capacidade. Em 7 de novembro, o índice já havia recuado para 23,5%, tendência que se manteve até a nova queda registrada nesta semana.
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