Foram aprovadas, com oito votos, na Câmara de Santana de Parnaíba, as contas da Prefeitura Municipal referentes ao exercício de 2024, mas sem a unanimidade registrada em outras ocasiões. Sete vereadores se abstiveram, em mais um episódio que reforça o distanciamento entre parte dos vereadores e o governo do atual prefeito Elvis Cezar (Republicanos).
Abstiveram-se do voto os seguintes parlamentares: Fátima do Social (PP), Gabriel Oliani (Republicanos), João Galhardi (PSD), Kadu da Farmácia (Republicanos), Ricardo do Parque Colinas (PP), Ronaldinho RD (Podemos) e Zaqueu (PDT).
Embora não tenham votado pela rejeição, os parlamentares também não acompanharam a aprovação. O posicionamento ocorre após meses de desgaste, com episódios que passaram pela comunicação oficial da Prefeitura, chegaram à investigação de contratos e se desdobraram em confrontos sobre o acesso a informações sobre férias dos comissionados do Poder Executivo, durante o período eleitoral.
Santana de Parnaíba: foto alterada marcou início do desgaste
Um dos primeiros episódios a expor publicamente os desentendimentos foi a alteração de uma fotografia da entrega de um colégio municipal. Os vereadores Zaqueu e Fátima do Social foram retirados da imagem publicada na Imprensa Oficial de Santana de Parnaíba.
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O caso provocou cobranças na Câmara. Em 4 de agosto, os parlamentares aprovaram um requerimento de autoria de Zaqueu para esclarecer quem havia alterado a fotografia, quais critérios foram utilizados e se houve manipulação da imagem.

Naquele momento, ainda não havia confirmação do uso de inteligência artificial. A Prefeitura reconheceria posteriormente, por meio de um requerimento enviado à Câmara, que a fotografia havia passado por um processamento automatizado com recurso de aprimoramento baseado em IA.
A administração sustentou que a alteração ocorreu de forma involuntária, negou motivação política, administrativa ou eleitoral e afirmou que não houve ordem para excluir os vereadores. Também anunciou a publicação de uma errata com a fotografia original.
Pedido de CEI em Santana de Parnaíba ampliou confronto
Na sequência, o conflito avançou para a fiscalização dos contratos municipais. Em 7 de agosto, os sete vereadores protocolaram um pedido de abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI), após receberem uma representação com suspeitas sobre contratações da Prefeitura.
O requerimento tinha como foco contratos com a HK Comercial e o Consórcio Inova Parnaíba. A proposta previa examinar os procedimentos de contratação, a execução dos serviços, as medições e os pagamentos.
A escolha dos integrantes da comissão, em 18 de agosto, ocorreu em uma sessão marcada por tumulto. A investigação ampliou a pressão sobre a administração municipal, sem que sua abertura representasse comprovação das suspeitas apresentadas.
Em 25 de agosto, o grupo também conseguiu aprovar, por unanimidade, requerimentos sobre o cronograma de recapeamento nos residenciais e o plano de carreira da Guarda Civil Municipal.
Santana de Parnaíba: rejeição de requerimentos aprofundou divisão
Em setembro, houve novo confronto. Por oito votos a sete, a base governista rejeitou um pedido de informações sobre férias, licenças e regimes especiais de trabalho de servidores comissionados durante o período eleitoral.
Os autores pretendiam cruzar registros funcionais com o calendário da campanha, diante de questionamentos sobre eventual participação de servidores nas atividades eleitorais de Wesley Cezar (PL), popularmente conhecido como Lelinho, irmão do prefeito. Na ocasião, não haviam sido apresentados publicamente documentos que comprovassem as suspeitas.
O impasse voltou ao plenário em 13 de outubro. Nove requerimentos apresentados pelos sete parlamentares foram rejeitados, todos com nove votos contrários. Os documentos cobravam informações sobre contratos, obras, cestas básicas, valorização dos professores e revisão do Plano Diretor.
O grupo criticou as rejeições por considerar os requerimentos instrumentos de fiscalização.
*Com informações do portal O Anhanguera
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