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Vacinação infantil: mitos e verdades

Cidades da Região Oeste realizam campanhas de vacinação constantemente (Dibulgação/Governo de SP)

Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o Brasil havia saído da lista dos 20 países com o maior número de crianças não vacinadas no mundo. No entanto, em 2025, o País voltou a integrar esse grupo, de acordo com novo levantamento da OMS e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Os dados referem-se ao ano de 2024 e colocam o País na 17ª posição do ranking, que utiliza como indicador a aplicação da DTP1, a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche.

Como consequência, doenças que já estavam erradicadas, como o sarampo — com 34 casos registrados — e a coqueluche, que enfrenta um novo surto da chamada “tosse comprida”, estão reaparecendo.

“Infelizmente, esse cenário é muito preocupante, já que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é um dos mais completos do mundo. Mesmo assim, a meta de 90% de cobertura vacinal não vem sendo alcançada na maioria dos estados brasileiros”, afirma a médica pediatra Dra. Lilian Zaboto, que acrescenta: “Os índices de vacinação infantil vêm caindo muito após a pandemia, principalmente devido a fake News.”

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vacina
No dia 18 de outubro, ocorreu o Dia D de Multivacinação (Divulgação/Governo de SP)

Multivacinação

O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), promoveu recentemente, no dia 18 e outubro, o Dia D de multivacinação, com Unidades Básicas de Saúde (UBSs) abertas em todo o Estado, das 8h às 17h.

Várias cidades da Região Oeste da Grande SP aderiram à ação, que faz parte da campanha de multivacinação que tem como objetivo aumentar a cobertura vacinal e prevenir doenças imunopreveníveis, especialmente entre crianças e adolescentes de até 15 anos.

Mas afinal, por que muitos pais deixaram de vacinar seus filhos? A Dra. Lilian esclarece mitos e verdades sobre a vacinação infantil.

Vacina da gripe causa gripe?

Não, a vacina da gripe (Influenza) não causa a doença. O imunizante é produzido com o vírus inativado, ou seja, morto e, portanto, não tem capacidade de se replicar no organismo nem de provocar a gripe.

“No entanto, se a pessoa – adulto ou criança – tiver tido contato com o vírus entre 5 e 7 dias antes da vacinação, vai desenvolver a gripe. Da mesma forma, quem entra em contato com alguém gripado até 15 dias após ser vacinado também pode adoecer, já que o corpo leva cerca de 20 dias para desenvolver imunidade completa. Por isso, é importante tomar a vacina antes dos surtos da gripe”, explica a médica pediatra.

As vacinas, principalmente a de sarampo, causam autismo?

Não. Em 1998 foi divulgado um artigo fraudulento reforçando que imunizantes causam autismo, que foi retratado em 2021. “Diversas pesquisas mostraram que o timerosal, um conservante usado em algumas vacinas, é seguro e não causa problemas neurológicos nem autismo”, afirma ela.

Só se pode tomar 1 vacina de cada vez?

Mito. A pessoa pode, sim, tomar várias vacinas no mesmo dia. O que não se deve fazer é adiar ou atrasar as doses por “dó” de aplicar mais de uma no mesmo dia, pois isso aumenta o risco de contrair doenças que poderiam ser evitadas. Tomar todas as vacinas no tempo certo é essencial para garantir uma proteção completa e segura.

“Após tomar a vacina, o único cuidado é o uso de antitérmico, caso ocorra febre alta, e a aplicação de compressa fria no local da injeção, se houver dor ou vermelhidão”, diz.

Contraindicações

Segundo a Dra Lilian Zaboto, a vacina só não é recomendada nos casos em que a pessoa:

– Está com febre ou teve febre a menos de 24 horas;

– ⁠Usou corticóide prolongado; e

– ⁠Em pacientes imunosupromidos (câncer ou aids).

Vacinação infantil: mitos e verdades
médica pediatra Dra. Lilian Zaboto (Arquivo pessoal)

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