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Casos de câncer entre jovens acendem alerta sobre hábitos e prevenção

Forma de diagnosticar e tratar o câncer passou por uma redução (Divulgação/Freepik)

O aumento do número de casos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos tem chamado a atenção de médicos e pesquisadores no mundo todo. A tendência, observada nas últimas décadas, revela uma mudança preocupante no perfil da doença e exige atenção redobrada à prevenção e ao estilo de vida.

Segundo o Dr. Ricardo Antunes, especialista em Cirurgia Oncológica e presidente do Conselho da Sociedade Brasileira de Cancerologia, essa elevação é resultado de uma soma de fatores. “Esse crescimento não tem uma única causa. É uma combinação de fatores biológicos, ambientais, comportamentais e tecnológicos, além do aumento da expectativa de vida que temos visto ultimamente”, explica.

O médico lembra que, embora o diagnóstico tenha se tornado mais preciso, a incidência real da doença também aumentou. “Hoje se diagnostica mais câncer do que antes. Temos exames mais sensíveis e um acesso, embora ainda com várias dificuldades, mais amplo a serviços de saúde. O câncer hoje está sendo melhor identificado na realidade.”

Estilo de vida pesa mais que a genética

De acordo com o especialista, o fator genético responde por apenas 15% dos casos. A maioria está relacionada a hábitos de vida que podem ser modificados. “É fundamentalmente fruto de hábitos nocivos à saúde. O que chama bastante atenção é a alimentação inadequada, ultraprocessada, gorduras, açúcar, aditivos químicos, obesidade, sedentarismo, o próprio álcool e o tabagismo”, aponta.

Entre os tipos que mais têm crescido entre os jovens estão os cânceres de intestino, mama e tireoide. “A predisposição genética não é modificável. É na mudança do estilo de vida que se pode fazer a diferença, evitando os fatores de risco e apostando na prevenção primária”, ressalta.

Oncologia de precisão e avanços tecnológicos

Nas últimas duas décadas, a forma de diagnosticar e tratar o câncer passou por uma revolução. “O foco deixou de ser apenas combater o tumor e passou a ser entender realmente o perfil biológico de cada tipo de câncer e de cada paciente — é o que chamamos de oncologia de precisão”, explica o Dr. Ricardo.

Novos testes genéticos e moleculares têm permitido identificar tratamentos menos tóxicos e mais eficazes. “A inteligência artificial na oncologia vem evoluindo a passos largos em todo esse processo do diagnóstico e tratamento. A radioterapia, por exemplo, está mais precisa, atingindo o tumor com milimétrica exatidão e poupando tecidos saudáveis”, detalha.

O médico também destaca o avanço das cirurgias robóticas e minimamente invasivas, que oferecem recuperação mais rápida e menos dor ao paciente. “A melhor forma de lidar com o paciente oncológico é a abordagem global, multidisciplinar — com apoio nutricional, psicológico, fisioterápico e social. Esse é o conceito da oncologia integrativa”, explica.

Segundo ele, o desafio agora é garantir acesso equitativo a essas inovações no sistema de saúde brasileiro.

Prevenção pode evitar até metade dos casos

Mudanças simples no dia a dia podem reduzir drasticamente o risco de desenvolver câncer. “Cerca de 30% a 50% dos casos de câncer podem ser prevenidos com mudanças de estilo de vida”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.

Entre as recomendações, o especialista destaca evitar o tabaco e o consumo excessivo de álcool, manter uma dieta equilibrada e variada, reduzir o consumo de carnes processadas e açúcares, praticar exercícios regularmente e dormir bem. “É importante se exercitar regularmente e dormir pelo menos sete a oito horas por noite. Também é fundamental vacinar-se contra o HPV e a hepatite B, que promovem câncer de colo de útero e de fígado”, orienta.

Inteligência artificial e novos exames revolucionam o diagnóstico

As inovações tecnológicas têm transformado a forma como o câncer é detectado. “A inteligência artificial tem permitido analisar com maior precisão os exames de imagem, como no caso do câncer de mama e de pulmão”, explica o médico.

Outro avanço é a biópsia líquida, exame de sangue capaz de detectar fragmentos de DNA tumoral antes mesmo de os sintomas aparecerem. “Com isso, podemos identificar precocemente o câncer e indicar o tratamento mais adequado.”

O sequenciamento genético e os exames de imagem de alta precisão, como o PET-CT, completam o arsenal moderno de diagnóstico. “As terapias-alvo, a imunoterapia e a bioengenharia estão tornando os tratamentos mais eficazes e menos agressivos”, acrescenta o especialista.

A ciência é unânime: descobrir o câncer cedo é determinante para o sucesso do tratamento. “Um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de cura é o diagnóstico precoce, e isso é comprovado cientificamente. Quanto menor e mais localizado o tumor, maior a chance de cura e menor a necessidade de tratamentos agressivos”, afirma o Dr. Ricardo.

Casos de câncer entre jovens acendem alerta sobre hábitos e prevenção
Dr. Ricardo Antunes, especialista em Cirurgia Oncológica

Câncer de próstata: tabus ainda atrasam o diagnóstico

Mesmo com campanhas como o Novembro Azul, o câncer de próstata ainda é cercado de preconceitos.

“Basicamente devido ao próprio preconceito, ao medo e à desinformação. Muitos demoram a procurar um médico e a doença acaba sendo diagnosticada tardiamente”, lamenta o cirurgião.

O toque retal, principal exame preventivo, ainda é alvo de resistência. “Embora seja um exame rápido, indolor e de alta eficácia, dura menos de 15 segundos. Devemos saber que nas fases iniciais o câncer de próstata não dá sintomas. Quando diagnosticado precocemente e tratado, ele cura em praticamente 100% das vezes”, reforça.

O especialista recomenda que homens a partir dos 50 anos façam o toque retal e o exame de PSA anualmente. “Aqueles com histórico familiar devem iniciar entre 40 e 45 anos. Cuidar da saúde não diminui a masculinidade — é um ato de responsabilidade e amor próprio que salva vidas.”

Sinais de alerta que merecem atenção

Entre os sintomas que podem indicar o câncer de próstata estão dificuldade para urinar, jato fraco, vontade frequente de urinar à noite, dor ou ardência, sangue na urina, perda de peso e apetite sem explicação.

“O grande desafio dessa doença é que, nas fases iniciais, ela quase nunca causa sintomas. Por isso, é importante a prevenção”, conclui o Dr. Ricardo Antunes.

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