Rio Tietê: Sabesp investe R$ 25 bilhões em obras de esgoto em Osasco e outras 6 cidades

O projeto ocorre desde 2023 e já beneficiou mais de três milhões de pessoas; saiba mais
Sabesp
As obras têm conclusão prevista até 2028 (Divulgação/Sabesp)

A Sabesp anunciou investimentos de mais de R$ 25 bilhões em obras de esgoto para impulsionar a despoluição do Rio Tietê e seus afluentes na Região Metropolitana de São Paulo. A ação também vai levar esgoto de áreas de difícil acesso da Grande São Paulo até as estações de tratamento.

Entre as cidades da Região Oeste contempladas pelo programa estão Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco e Santana de Parnaíba. Outros municípios como Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato e trechos de bairros das regiões norte e oeste da cidade de São Paulo serão beneficiados.

De acordo com a Sabesp, o projeto ocorre desde 2023 e já beneficiou mais de três milhões de pessoas. A empresa desenvolveu 42 pacotes, que atingiram 43% de execução, abrangendo a implantação de novas tubulações, estações de bombeamento e a ampliação de seis Estações de Tratamento de Esgoto.

Este novo conjunto de obras, que está em fase inicial, inclui a implantação de 112 Estações Elevatórias de Esgoto (EEE) e 460 quilômetros de tubulações, além da ampliação de unidades de tratamento. Com as construções, serão beneficiados cerca de 650 mil imóveis, onde vivem aproximadamente 1,75 milhão de pessoas.

As obras têm conclusão prevista até 2028 e fazem parte do compromisso da Sabesp para antecipar a universalização dos serviços de saneamento no Estado para 2029. As entregas ocorrem quatro anos antes do Marco Legal do Saneamento, previsto para 2033.

Obras avançam pela rodovia Raposo Tavares

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Obras passarão por trechos da Raposo Tavares (Divulgação/Ecovias Raposo Castello)

Conforme a Sabesp, um dos destaques desta etapa será a implantação de 112 novas estações de bombeamento. Essas estruturas permitem transportar o esgoto em locais onde a gravidade não é suficiente para conduzi-lo pelas tubulações, superando obstáculos como morros e vales.

Com isso, o material coletado poderá chegar às grandes estações de tratamento, em vez de ser lançado em córregos e rios.

Esse é justamente um dos principais desafios da nova etapa do programa feito pela Sabesp. Diferentemente da primeira fase, marcada pela ampliação da capacidade das grandes estações de tratamento, o novo ciclo avança sobre regiões que ainda não contam com sistemas de esgotamento sanitário.

A empresa destaca que são áreas de topografia complexa, com relevo acidentado, terrenos rochosos e travessias de grandes rodovias, como a Raposo Tavares.

“Estamos acelerando a chegada do saneamento a regiões que ainda permanecem fora dos grandes sistemas e, ao mesmo tempo, ampliando a recuperação dos rios e córregos da Região Metropolitana de São Paulo. Cada nova residência conectada significa menos esgoto lançado nos cursos d’água e mais saúde, qualidade de vida e ganhos ambientais para a população”, afirma Roberval Tavares, diretor de Engenharia e Operações da Sabesp.

Como serão as obras da Sabesp em Cajamar e Osasco

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ETE Polvilho, em Cajamar, irá dobrar capacidade de tratamento (Divulgação/Sabesp)

Entre os destaques da nova fase está Cajamar, que receberá um dos maiores volumes de investimentos do programa. O município terá a ampliação da ETE Polvilho, cuja capacidade de tratamento passará de 100 para 200 litros por segundo, além da implantação de novas estruturas para ampliar a cobertura dos serviços.

Em Francisco Morato, os trabalhos serão voltados à complementação das redes coletoras em áreas que ainda não são atendidas pelo sistema de esgotamento sanitário.

Os dois primeiros contratos deste novo pacote de obras, localizados em Osasco, estão em execução desde 2025. Com a assinatura dos demais lotes pela Sabesp, toda a carteira prevista para esta etapa passa a estar contratada.

Recuperação começa nos córregos: Cotia está contemplada

A expansão da infraestrutura de saneamento ocorre paralelamente a sinais de recuperação em rios e córregos das bacias dos rios Tietê e Pinheiros. O monitoramento da qualidade da água aponta melhora em afluentes estratégicos da Bacia do Tietê, como os rios Tamanduateí, Jacu, Aricanduva, Rio da Pedra, Ribeirão Perová, Ribeirão Três Pontes e Baquirivu-Guaçu.

Nos últimos dois anos, houve redução de 46 toneladas por dia na carga de poluição transportada pelo Rio Tietê. O processo de recuperação, de acordo com a Sabesp, começa nos bairros.

Quando o esgoto deixa de ser lançado diretamente nos córregos e passa a ser coletado e encaminhado para tratamento, esses cursos d’água deixam de transportar matéria orgânica para os grandes rios. Esse movimento cria condições para a recuperação gradual das águas e deverá ser ampliado com o novo ciclo de investimentos.

O acompanhamento dos cursos d’água é estratégico para medir os efeitos da expansão do saneamento. Entre os parâmetros utilizados pela Sabesp está o Carbono Orgânico Total (COT), indicador da presença de matéria orgânica nos corpos hídricos.

A metodologia usada pela Sabesp permite acompanhar a variação das concentrações ao longo do tempo e identificar os pontos onde há redução da carga de poluição.

Ações no Rio Cotia estão entre os projetos desenvolvidos pela Sabesp (Divulgação/Alesp e Sabesp)

“O acompanhamento dos córregos é estratégico porque eles representam a maior parte da rede hídrica da bacia, funcionando como capilares que alimentam o rio principal. Quando impedimos que o esgoto chegue a esses cursos d’água, evitamos o acúmulo de poluição rio abaixo e ampliamos a capacidade de recuperação do Tietê”, afirma Guilherme Paixão, diretor de Gestão de Empreendimentos da Sabesp.

Os sinais de melhora também aparecem na Bacia do Pinheiros. Desde 2024, a concentração de matéria orgânica caiu em três dos quatro pontos monitorados na calha do rio: 55% na Barragem de Pedreira, 29% na Ponte do Socorro e 26% na Usina São Paulo.

Entre os afluentes, dois em cada três córregos monitorados apresentaram melhora no período. Em alguns casos, a redução da matéria orgânica supera 40%.

A nova etapa das obras terá impacto direto na qualidade de 52 cursos d’água, sendo 32 córregos, 16 ribeirões e quatro rios: Cotia, Juqueri, Sapiantã e São João. As bacias hidrográficas abrangem, aproximadamente, 190 bairros e localidades nos municípios beneficiados pelo programa.

Considerado um dos maiores projetos de saneamento do Brasil, o programa busca contribuir para a revitalização do principal rio paulista ao longo de seus 1.100 quilômetros.

Ao ampliar a coleta e o tratamento de esgoto e impedir que a poluição chegue aos córregos e rios, a iniciativa pretende melhorar a qualidade ambiental da Região Metropolitana e promover ganhos de saúde e qualidade de vida para milhões de pessoas.

Os resultados já são percebidos pelos moradores da Vila Progresso, em Itaquera, na zona leste da capital, onde vivem cerca de 500 famílias. Após décadas convivendo com esgoto a céu aberto nas vielas, a comunidade passou a contar com rede de esgotamento sanitário.

O esgoto, antes despejado diretamente no córrego, agora é direcionado à rede da Sabesp, trazendo melhorias nas condições de higiene, saúde e qualidade de vida dos moradores.

“Há muito tempo sofremos com a falta de saneamento. As crianças e os idosos ficavam doentes, e o esgoto atraía ratos, baratas e insetos. Quando a Sabesp chegou, muita gente não acreditou, mas é um sonho que está se realizando. Nossa vez chegou, e isso vai trazer muitas melhorias para toda a comunidade”, afirma o líder comunitário Fábio Gonçalves.

Infraestrutura de esgoto, por município, da nova fase do programa

  • Caieiras: 13,8 km de tubulações e 12 Estações Elevatórias de Esgoto.
  • Cajamar: 78,3 km de tubulações, 35 Estações Elevatórias de Esgoto e 1 Estação de Tratamento de Esgoto.
  • Carapicuíba: 34,3 km de tubulações e 5 Estações Elevatórias de Esgoto.
  • Cotia: 107,5 km de tubulações e 15 Estações Elevatórias de Esgoto.
  • Francisco Morato: 6,8 km de tubulações e 9 Estações Elevatórias de Esgoto.
  • Franco da Rocha: 8 km de tubulações e 5 Estações Elevatórias de Esgoto.
  • Itapevi: 66,8 km de tubulações e 9 Estações Elevatórias de Esgoto.
  • Jandira: 31,5 km de tubulações e 8 Estações Elevatórias de Esgoto.
  • Osasco: 76,8 km de tubulações e 6 Estações Elevatórias de Esgoto.
  • Santana de Parnaíba: 25,8 km de tubulações e 7 Estações Elevatórias de Esgoto

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