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Saúde como negócio; inovação e propósito impulsionam o setor

Luciana Dias, da Transduson, e o empresário Demétrios Markakis, do Pátio Osasco, falam sobre os desafios e oportunidades na área da saúde
Dra. Luciana Dias Rodrigues, fundadora da Transduson e Demétrios Markakis, diretor do Pátio Osasco (Divulgação/Arquivo Pessoal)

O empreendedorismo na área da saúde tem se consolidado como uma das frentes mais dinâmicas e promissoras do mercado brasileiro. Em um cenário que valoriza o autocuidado, a tecnologia e o atendimento humanizado, médicos e empresários têm apostado em novos modelos de gestão e estrutura para oferecer experiências mais completas aos pacientes.

A médica radiologista Luciana Dias Rodrigues Francisco, doutora pela USP e fundadora da Transduson Medicina Diagnóstica Avançada, decidiu empreender movida por um propósito pessoal. “Desde muito jovem, eu sonhava em criar um espaço que unisse ciência, tecnologia e cuidado humano. Sempre acreditei que a medicina vai além do diagnóstico, ela é um ato de amor, escuta e transformação”, afirma.

Ao fundar a Transduson, ela buscou criar um ambiente que refletisse valores de empatia e excelência técnica. “Quando fundei a Transduson, meu propósito era simples e profundo: oferecer um atendimento que olhasse para o paciente todo, com respeito, empatia e excelência técnica. Queria construir uma empresa onde cada detalhe, desde o sorriso na recepção até a precisão do laudo, refletisse um compromisso real com a vida.”

Os primeiros anos, no entanto, foram desafiadores. “A área da saúde exige investimento alto, cumprimento de normas rigorosas e uma capacidade enorme de gestão. Eu era médica radiologista, com doutorado na USP, mas precisei me tornar também gestora, líder e estrategista, aprendendo na prática sobre finanças, equipe, processos e relacionamento com convênios”, relembra.

A médica conta que enfrentou burocracia e limitações financeiras, mas manteve o foco em construir um serviço de qualidade. “Cada obstáculo se transformou em aprendizado e me fortaleceu, mas foi essa persistência e resiliência que nos trouxe até aqui, com a acreditação de qualidade máxima ONA Nível 3 – Excelência, um reconhecimento alcançado por menos de 2% dos laboratórios do Brasil.”

Luciana atribui parte do sucesso à cultura organizacional sólida. “A cultura organizacional da Transduson passa pela cultura da alta direção e ter uma cultura forte, consolidada, enraizada e bem definida é crucial para o sucesso e a sustentabilidade de qualquer empresa.”

Segundo ela, o público reagiu de forma positiva desde o início. “Desde o início, senti que as pessoas estavam sedentas por um atendimento mais humano e acolhedor. O público recebeu a Transduson com entusiasmo e carinho, e isso nos deu força para crescer.”

Com o tempo, o reconhecimento se traduziu em confiança e fidelização. “Essa resposta foi a maior recompensa, saber que conseguimos salvar muitas vidas por meio de diagnósticos com qualidade, precisão e criar uma marca que transmite amor, ciência e credibilidade.”

Luciana acredita que empreender na saúde exige preparo e propósito. “Aprendi que empreender na saúde é um ato de coragem e propósito! É preciso ter visão, resiliência, fé e coragem para enfrentar um mercado desafiador e, ao mesmo tempo, não perder a essência do cuidado humano.”

A médica deixa um recado aos profissionais que desejam seguir esse caminho. “Invistam em pessoas, porque são elas que fazem a diferença! Nenhum homem é uma ilha e juntos somos mais fortes! Mantenham a ética e a qualidade como pilares inegociáveis. E nunca deixem de sonhar grande, serem ousados e criativos, mas com os pés firmes na realidade e o coração voltado ao propósito.”

Pátio Osasco aposta em novo modelo de negócios voltado à saúde e bem-estar

A tendência de empreender com foco na saúde também chegou ao ambiente corporativo e urbano. Em Osasco, o empresário Demétrios Markakis, CEO do Pátio Osasco, transformou o empreendimento em um centro dedicado à saúde, estética e bem-estar.

Segundo ele, o reposicionamento foi resultado de uma leitura cuidadosa das mudanças no comportamento do consumidor. “A transformação do Pátio Osasco em um centro voltado à saúde e ao bem-estar nasceu de uma leitura atenta das novas dinâmicas urbanas e das mudanças no comportamento do consumidor. Identificamos um movimento crescente em direção ao autocuidado, à qualidade de vida e à busca por experiências que conciliem conveniência, beleza e tranquilidade”, explica.

A proposta foi criar um “life center” – um espaço que une cuidado, lazer e conveniência em um único ambiente. “Percebemos que a região ainda carecia de um espaço estruturado que reunisse, num só lugar, serviços de saúde, estética, bem-estar e lazer — num ambiente agradável, moderno e com identidade própria.”

Com mais de 5 mil metros quadrados dedicados à saúde e ao bem-estar, o Pátio Osasco reúne clínicas, consultórios, academias e operações voltadas à qualidade de vida. “Reconfiguramos o mix comercial, priorizando marcas e operações alinhadas aos pilares de saúde, beleza e bem-estar, e ampliamos significativamente as áreas destinadas a esse segmento”, detalha Markakis.

O empreendimento já se prepara para uma nova etapa de expansão. “Iniciamos os estudos para uma nova fase de expansão, que contempla o aproveitamento de uma ampla área recentemente desocupada por um importante operador do varejo. Esse espaço apresenta alto potencial para receber novas clínicas de grande porte ou até mesmo um hospital de referência”, revela.

Demétrios acredita que o futuro do setor é promissor e estrutural. “Sem dúvida, trata-se de uma tendência estrutural e de longo prazo. A saúde e o bem-estar deixaram de ser vistos apenas como serviços essenciais e passaram a fazer parte do estilo de vida e das prioridades cotidianas das pessoas.”

Para ele, o segredo está em unir credibilidade e propósito. “Investir na área da saúde exige visão de longo prazo, credibilidade e propósito genuíno. É um setor que vai muito além do retorno financeiro — envolve cuidado, empatia e compromisso real com o bem-estar das pessoas.”

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