A reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional promete simplificar o sistema de impostos no Brasil ao aproximá-lo do modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), adotado em países desenvolvidos. Embora o governo sustente que, de forma geral, não haverá aumento da carga tributária, especialistas avaliam que os efeitos práticos serão distintos entre os setores e empresas.
Para o especialista em finanças Saulo Rinaldi, a mudança na lógica de tributação altera toda a dinâmica financeira dos negócios. “A narrativa é que, de modo geral, não haverá aumento de carga tributária. O problema começa exatamente nesse ‘de modo geral’, porque quando a lógica muda, muda também tudo o que envolve custos, formação de preços, lucro e geração de caixa”, afirmou.
Segundo Rinaldi, os impactos não serão uniformes. “Algumas empresas serão mais afetadas que outras, dependendo da composição dos números e da estrutura de custos e resultados”, explicou. Ele destaca que decisões tomadas sem análise detalhada podem resultar em aumento de impostos mesmo sem alteração formal de alíquotas.
Na prática, as transformações mais significativas começam a partir de 2027. “Com a reforma, os créditos fiscais passam a ter uma importância muito maior na composição do custo da empresa. Além disso, a escolha do modelo tributário passa a influenciar diretamente o preço do produto e se o cliente final terá ou não direito ao crédito da nota fiscal”, disse.
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A reforma cria dois novos tributos sobre o consumo: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituem impostos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Para Rinaldi, a mudança exige uma nova postura dos empresários. “Isso obriga as empresas a terem muito mais controle sobre custos e formação de preços, porque os créditos tributários passam a ter um peso central”, afirmou.
O período de transição é apontado como o momento de maior risco. “O grande desafio será ter clareza dos próprios números e entender o fluxo de caixa para escolher a opção tributária mais favorável. O risco de aumento de carga tributária existe quando a empresa decide sem informação suficiente ou copia decisões de outros negócios”, alertou.
Empresas com menor geração de créditos fiscais tendem a sentir mais os efeitos. “Negócios que têm pouca entrada de notas fiscais que geram crédito ou que concentram seus custos em folha de pagamento, que não dá direito a crédito, podem acabar pagando mais imposto proporcionalmente”, explicou.
Para se adaptar sem prejuízos, Rinaldi defende planejamento e análise contínua. “A forma mais eficaz de adaptação é olhar para os números da empresa, entender o perfil dos clientes e identificar qual opção tributária se encaixa melhor na realidade do negócio”, afirmou. Ele acrescenta que a questão tributária passará a ocupar espaço central nas negociações. “Daqui para frente, será comum discutir imposto em praticamente toda negociação com clientes e fornecedores.”
O que muda com a reforma tributária
- Modelo: sistema passa a se basear no IVA, com CBS e IBS.
- Tributos substituídos: PIS, Cofins e IPI dão lugar à CBS; ICMS e ISS serão substituídos pelo IBS.
- Créditos tributários: passam a ter peso maior na formação de custos e preços.
- Transição: fase gradual até 2033, com impactos mais relevantes a partir de 2027.
- Risco para empresas: escolha inadequada do regime tributário pode elevar custos e impostos.
- Exigência: maior controle financeiro e revisão constante da estratégia tributária.
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