Pacientes em tratamento contra o câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ter acesso mais rápido à imunoterapia. O avanço ocorre após a aprovação, nesta terça-feira (10), no Senado Federal, do Projeto de Lei 2.371/2021. O texto segue agora para sanção do presidente da República.
A proposta altera a chamada Lei Orgânica da Saúde e estabelece que a imunoterapia deve integrar os protocolos clínicos do sistema público sempre que demonstrar maior eficácia ou segurança em comparação com tratamentos tradicionais.
Nos últimos anos, a imunoterapia tem sido considerada um dos principais avanços da oncologia. Em alguns tipos de câncer metastático, quando a doença já se espalhou para outros órgãos, o tratamento passou a oferecer possibilidades de controle prolongado da doença, cenário que era raro até pouco mais de uma década atrás.
Como funciona a imunoterapia
Historicamente, o tratamento contra o câncer se baseia em três estratégias principais: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Diferentemente dessas abordagens, a imunoterapia utiliza o próprio sistema imunológico do paciente para combater o tumor.
O tratamento não ataca diretamente a célula cancerígena. O objetivo é estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater o tumor. Alguns tumores desenvolvem mecanismos que dificultam a identificação pelo organismo, funcionando como uma espécie de “camuflagem”. Os medicamentos imunoterápicos atuam justamente bloqueando esses mecanismos, permitindo que as células de defesa identifiquem e ataquem o câncer.
Embora o conceito seja estudado há décadas, a estratégia ganhou força após estudos clínicos demonstrarem impacto na sobrevida de pacientes. A importância dessa descoberta foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Medicina de 2018, concedido a pesquisadores que desenvolveram terapias baseadas nesse mecanismo.
Resultados variam conforme o tipo de tumor
A resposta ao tratamento, no entanto, não é igual para todos os tipos de câncer. Tumores que apresentam grande número de mutações genéticas costumam responder melhor à imunoterapia.
Isso ocorre porque quanto mais alterada geneticamente é a célula cancerígena, maior a probabilidade de o sistema imunológico reconhecê-la como uma ameaça quando os mecanismos de bloqueio são removidos.
Com a aprovação do projeto, especialistas apontam que pacientes atendidos pelo SUS poderão ter acesso mais rápido a terapias que já vêm sendo utilizadas na oncologia moderna, desde que comprovados os benefícios clínicos.
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