O lado B da IA: ameaça ou aliada do trabalhador?

O mercado de trabalho está em constante transformação e os desafios e impactos da IA no setor tornam-se cada vez mais evidentes; saiba mais
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Profissionais deverão se voltar para a educação no setor de IA (Divulgação/Pexels)

O mercado de trabalho está em constante transformação e os desafios e impactos da IA no setor tornam-se cada vez mais evidentes; saiba mais

Com os avanços tecnológicos e aperfeiçoamento da inteligência artificial (IA), um dos principais debates e preocupações que surgem são os impactos que esses softwares podem ter nas atividades profissionais e no mercado de trabalho. 

Esse tipo de aplicação funciona por meio de algoritmos e modelos de aprendizado de máquina, como o deep learning, que permitem que as máquinas aprendam a partir de grandes volumes de dados e melhorem suas habilidades ao longo do tempo, tomando decisões com uma certa autonomia.

Rafael Caputo, Coordenador de Negócios Educacionais das áreas de Tecnologia da Informação, Design e Arquitetura e EAD do Senac Osasco, explica que substituição de trabalhadores pela tecnologia vai depender muito do setor, da complexidade das tarefas e da necessidade de intervenção humana.

Segundo o educador, algumas áreas já estão sendo significativamente impactadas. Entre alguns exemplos estão: a indústria, com robôs e sistemas automatizados; o atendimento ao cliente, com chatbots e assistentes virtuais; o campo de transporte e logística com veículos autônomos e sistemas de otimização inteligente; além de setores financeiro, contábil, jurídica e outros.

“Alguns setores, por sua vez, exigem habilidades humanas que a IA ainda não consegue replicar completamente. Dentre elas, podemos citar a saúde, onde os sistemas ajudam no diagnóstico e na análise de exames, mas médicos e enfermeiros continuam essenciais no atendimento humano. Já na educação, sistemas personalizados de ensino podem substituir parte das atividades dos professores, mas o contato humano ainda é crucial”, diz Caputo.

Ele ressalta que profissões que lidam com criatividade, emoção e inovação ainda dependem de humanos, como as artes, o entretenimento, psicologia, assistência social, bem como gestão e liderança, são setores com baixa probabilidade de substituição.

“Nas mídias e no jornalismo, IAs escrevem artigos simples e otimizam conteúdos, mas reportagens investigativas exigem habilidades humanas. Até mesmo na própria área de tecnologia da informação e desenvolvimento de software, algumas tarefas repetitivas podem ser automatizadas, mas criatividade e inovação ainda dependem de humano”, afirma.

IA e os desafios no mercado de trabalho

O mercado de trabalho está em constante transformação e os desafios e impactos no setor tornam-se cada vez mais evidentes, tanto a curto quanto a médio e a longo prazo.

Segundo Rafael Caputo, setores menos preparados para a transição digital poderão sofrer crises severas, e profissionais menos qualificados correrão maior risco de substituição, aumentando a desigualdade.

“Essa transição pode ser difícil e cara, especialmente para trabalhadores que não possuem facilidade com tecnologia ou setores sem estrutura tecnológica. Também é sabido que nem todos terão acesso fácil à educação e treinamento para essa nova realidade. Sendo assim, grandes empresas de tecnologia, que desenvolvem e controlam IA, podem aumentar ainda mais seu domínio sobre a economia”, esclarece o educador.

Caputo ressalta que pequenas empresas e economias locais podem ser prejudicadas por uma automação massiva. E caso não houver regulamentação adequada, os benefícios da IA podem ficar concentrados nas mãos de poucos. Além disso, ele adverte que situação que possa ocorrer é um impacto psicológico e cultural, o medo do desemprego e da substituição pode gerar ansiedade e resistência às mudanças tecnológicas.

“ A relação entre humanos e trabalho pode acabar mudando, impactando a identidade e autoestima de muitas pessoas, assim como o aumento da dependência da IA pode reduzir a necessidade de habilidades tradicionais”, conta o educador.

Caputo ainda aponta que os possíveis impactos sociais e econômicos da IA, de forma positiva, haverá um aumento da produtividade e da eficiência, pois este software poderá reduzir custos operacionais e aumentar a produção, beneficiando empresas e consumidores.

Entre as profissões já estão sendo afetadas e algumas podem até deixar de existir, como é o caso de operadores de call center e tradutores. Por outro lado, novas ocupações surgirão, impulsionadas pelas demandas tecnológicas.

“Se bem gerida, a automação pode permitir menos horas de trabalho sem perda de produtividade. Isso poderá resultar em maior qualidade de vida, desde que políticas adequadas sejam implementadas. Governos precisarão criar políticas para garantir transições mais justas e reduzir o impacto do desemprego. Em suma, a IA pode trazer grandes benefícios, mas sem um planejamento adequado, poderá intensificar desigualdades e crises sociais”, afirma Caputo.

IA e educação

Para atender as demandas e continuarem relevantes no mercado, os profissionais deverão se voltar para a educação. Segundo Rafael Caputo, os trabalhadores deverão aprender a trabalhar com a com esse tipo de software, e não contra ela, não a encarando como uma inimiga. Para isso, será necessário potencializar o uso da aplicação no cotidiano.

“Outra possibilidade é aprimorarmos certas habilidades (soft skills – habilidades comportamentais), pois as IAs são boas em processar dados, mas nossas habilidades humanas continuarão sendo indispensáveis. Minha dica é: invista em criatividade, desenvolva pensamento crítico, empatia, inteligência emocional e adaptabilidade. Também é importante desenvolver novas competências técnicas (hard skills), pois mesmo que o profissional não trabalhe diretamente com tecnologia, entender o básico pode fazer a diferença”, explica o coordenador.

Outra boa dica é aprender análise de dados, bem como saber interpretá-los para tomar boas decisões. Noções de programação, cybersegurança e privacidade de informações serão as chaves do sucesso nas carreiras.

“O papel das instituições de ensino é fundamental. Elas precisam oferecer capacitação contínua, desenvolver novas metodologias de ensino e criar ambientes que incentivem a adaptação tecnológica, sempre colocando esse novo profissional (o estudante) como protagonista na construção do seu próprio conhecimento. É o que fazemos no Senac”, diz Caputo.

Senac Osasco conta com cursos especialização para este setor (Divulgação/Senac Osasco)

O educador ainda ressalta que a preparação dos trabalhadores para a era da IA exige um esforço conjunto entre instituições de ensino e empresas. Por isso, reforçamos a importância das parcerias locais e a atuação do mundo coorporativo atendimento corporativo, por exemplo, com criação de cursos e treinamentos exclusivos.

“A chave é criar programas e soluções flexíveis, acessíveis e alinhados com as mais diversas necessidades do mercado, garantindo que todos possam se adaptar e crescer na nova realidade digital. Justamente por isso, temos na grade do Senac São Paulo uma gama variada de títulos voltados à inteligência artificial”, explica Caputo.

Dessa forma, o s Senac São Paulo montou uma gama variada de títulos voltados à inteligência artificial. Entre eles: Inteligência Artificial: Conceitos e Práticas; Inteligência Artificial: Desafios, Regulação e Governança; Inteligência Artificial Voltada a Redes De Computadores; Marketing de Conteúdo em Redes Sociais com Inteligência Artificial; Técnicas de Redação com Inteligência Artificial; Técnico em Inteligência Artificial integrado ao Ensino Médio; Construção de Assistentes Virtuais Inteligentes; Construção de Bots com IA; Criação de Moda com Inteligência Artificial; Desenvolvimento de Soluções de Inteligência Artificial na Nuvem; Inteligência Artificial Aplicada a Finanças; Inteligência Artificial Aplicada à Logística; Inteligência Artificial Aplicada a Vendas e outros.

IA e o futuro

O futuro do trabalho será transformado pela inteligência artificial, com a automação impactando tarefas operacionais e exigindo que os profissionais desenvolvam novas habilidades para colaborar com máquinas inteligentes.

O especialista afirma que essa situação trará desafios como a necessidade de aprendizado contínuo, o risco de desemprego para trabalhadores não qualificados e o aumento da desigualdade econômica, além de questões éticas cruciais sobre o uso justo e transparente da IA.

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Softwares podem ajudar no trabalho (Divulgação/Pexels)

No entanto, também surgirão diversas oportunidades, incluindo novas profissões especializadas em IA, aumento da produtividade e inovação, valorização de habilidades humanas como criatividade e empatia, e potencialmente a redução da jornada de trabalho. Para prosperar nessa nova realidade, será essencial investir em educação, requalificação e políticas que promovam a inclusão e a colaboração entre humanos e IA.

“Podemos concluir, portanto, que a IA não substituirá totalmente os trabalhadores, mas mudará a forma como trabalhamos. Profissões baseadas em criatividade, empatia e pensamento crítico são menos ameaçadas, enquanto as que envolvem tarefas repetitivas e previsíveis correm maior risco. A chave será a adaptação: aprender a trabalhar junto com a IA aproveitando seu potencial para aumentar a produtividade e inovação”, completa Rafael Caputo.

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