Segundo a IBM, 41% das empresas brasileiras já utilizam em seus processos algum recurso de inteligência artificial; saiba mais
Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) passou a integrar o cotidiano dos brasileiros. Capazes de antecipar uma escolha, auxiliar na escolha de um produto, tirar dúvidas complexas e contribuir em cirurgias, essa área da ciência da computação consegue fazer com que um dispositivo eletrônico funcione de forma bastante similar ao pensamento humano.
Segundo uma pesquisa realizada pela Ipsos e o Google com 21 mil pessoas em 21 países mostrou que em 2024 o Brasil ficou acima da média global no uso de inteligência artificial (IA), no qual 54% dos brasileiros relataram que utilizaram IA generativa enquanto a média global ficou em 48%. A IA generativa é a que cria conteúdos como imagens, músicas e textos.
Além disso, 41% das empresas brasileiras já utilizam em seus processos algum recurso de inteligência artificial, segundo um estudo feito pela International Business Machines Corporation (IBM).
O fundador e CEO da Sabion, Ricardo Manfrim, é um dos criadores e desenvolvedores da BIA – IA do banco Bradesco -, explica que a IA pode ser aplicada em diversos campos, desde assistentes virtuais até diagnósticos médicos avançados, sendo tecnologias mais revolucionárias e de rápido desenvolvimento no mundo contemporâneo.
“A IA funciona através de algoritmos e modelos de aprendizado de máquina, como o deep learning, que permitem que as máquinas aprendam a partir de grandes volumes de dados e melhorem suas habilidades ao longo do tempo. Esses sistemas são capazes de identificar padrões, fazer previsões e tomar decisões com uma certa autonomia”, explica Manfrim.
IA e a empregabilidade
Uma das questões que a IA vem modificando é no mercado de trabalho. Pesquisas indicam que a inteligência artificial tem potencial para gerar mais empregos do que substituir a mão de obra humana. Um estudo da PwC, empresa especializada em gestão de riscos corporativos, aponta que a IA pode criar cerca de 2,7 milhões de empregos líquidos apenas no Reino Unido até 2037.
Além disso, a pesquisa CX Trends, da Zendesk, empresa de desenvolvimento de software, revela que 75% dos consumidores acreditam que a IA já está transformando a maneira como as empresas oferecem seus serviços.
“A Inteligência Artificial (IA) está causando um impacto significativo no local de trabalho, impulsionando a automação de tarefas, melhorando a análise de dados e aumentando a segurança. Embora existam preocupações em relação ao futuro do emprego, a IA também oferece oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional”, afirma Manffrim.
O CEO aponta que, entre os principais pontos relevantes sobre o impacto da IA no mundo corporativo, que a IA está remodelando o panorama de empregabilidade num ritmo sem precedentes. Estima-se que a automação e a IA possam resultar na eliminação de
aproximadamente 85 milhões de empregos em escala global até 2025. No entanto, novas vagas estão surgindo em setores como tecnologia e saúde ambiental.
“A capacidade de trabalhar em conjunto com sistemas inteligentes pode aumentar a eficiência e a
produtividade em diversos setores”, explica Manfrim. “A necessidade de educação contínua e adaptação é mais premente do que nunca, especialmente no setor de tecnologia da informação, que se encontra na linha de frente dessa evolução. As empresas e profissionais precisam estar cientes dos riscos associados ao uso dessas novas ferramentas, bem como das estratégias para mitigá- los”, diz.
Novas perspectivas da IA




Ricardo Manfrim destaca que os dispositivos devem ser mais próximos das pessoas (Reprodução/Arquivo Pessoal)
Nos próximos anos, a expansão das IAs no mundo corporativo brasileiro e mundial, deve tornar a tecnologia algo onipresente nas empresas nos próximos anos. Para Ricardo Manfrim, os próximos anos devem ser revolucionários e a robótica será o setor que terá mais desenvolvimento, com as máquinas atuando em vários tipos de trabalhos.
O CEO da Sabion destaca que o desafio será tornar os dispositivos mais próximos do cotidiano das pessoas, unindo a sociedade setores sustentáveis e éticos. “As previsões e tendências para a próxima década apontam para um mundo cada vez mais integrado com a tecnologia, onde a sustentabilidade e a inovação digital desempenharão papéis cruciais”, esclarece.
Para o gestor, esse tipo de tecnologia irá ajudar os seres humanos a evoluírem profissionalmente, pois as IAs continuarão a ser uma habilidade altamente valorizada, com um aumento nas vagas relacionadas a esse tipo de aplicação e outras tecnologias como machine learning e internet das coisas.
“Os dispositivos não vão substituir o ser humano. O ser humano sempre vai estar dando os comandos, mas vai ser um dia a dia mais fácil, onde a inteligência artificial vai facilitando cada vez mais o dia a dia. Os carros vão começar a ser mais inteligentes e autônomos, assim como os drones”, completa Manfrim.
IA: ameaça ou aliada do trabalhador?
Com os avanços tecnológicos e aperfeiçoamento da inteligência artificial (IA), um dos principais debates e preocupações que surgem são os impactos que esses softwares podem ter nas atividades profissionais e no mercado de trabalho.
Esse tipo de aplicação funciona por meio de algoritmos e modelos de aprendizado de máquina, como o deep learning, que permitem que as máquinas aprendam a partir de grandes volumes de dados e melhorem suas habilidades ao longo do tempo, tomando decisões com uma certa autonomia.
Rafael Caputo, Coordenador de Negócios Educacionais das áreas de Tecnologia da Informação, Design e Arquitetura e EAD do Senac Osasco, explica que substituição de trabalhadores pela IA vai depender muito do setor, da complexidade das tarefas e da necessidade de intervenção humana.
Segundo o educador, algumas áreas já estão sendo significativamente impactadas. Entre alguns exemplos estão: a indústria, com robôs e sistemas automatizados; o atendimento ao cliente, com chatbots e assistentes virtuais; o campo de transporte e logística com veículos autônomos e sistemas de otimização inteligente; além de setores financeiro, contábil, jurídica e outros.
“Alguns setores, por sua vez, exigem habilidades humanas que a IA ainda não consegue replicar completamente. Dentre elas, podemos citar a saúde, onde os sistemas ajudam no diagnóstico e na análise de exames, mas médicos e enfermeiros continuam essenciais no atendimento humano. Já na educação, sistemas personalizados de ensino podem substituir parte das atividades dos professores, mas o contato humano ainda é crucial”, diz Caputo.
Ele ressalta que profissões que lidam com criatividade, emoção e inovação ainda dependem de humanos, como as artes, o entretenimento, psicologia, assistência social, bem como gestão e liderança, são setores com baixa probabilidade de substituição.
“Nas mídias e no jornalismo, IAs escrevem artigos simples e otimizam conteúdos, mas reportagens investigativas exigem habilidades humanas. Até mesmo na própria área de tecnologia da informação e desenvolvimento de software, algumas tarefas repetitivas podem ser automatizadas, mas criatividade e inovação ainda dependem de humano”, afirma.
IA e os desafios no mercado de trabalho
O mercado de trabalho está em constante transformação e os desafios e impactos da tecnologia no setor tornam-se cada vez mais evidentes, tanto a curto quanto a médio e a longo prazo.
Segundo Rafael Caputo, setores menos preparados para a transição digital poderão sofrer crises severas, e profissionais menos qualificados correrão maior risco de substituição, aumentando a desigualdade.
“Essa transição pode ser difícil e cara, especialmente para trabalhadores que não possuem facilidade com tecnologia ou setores sem estrutura tecnológica. Também é sabido que nem todos terão acesso fácil à educação e treinamento para essa nova realidade. Sendo assim, grandes empresas de tecnologia, que desenvolvem e controlam IA, podem aumentar ainda mais seu domínio sobre a economia”, esclarece o educador.


Novos softwares devem ser ligados à formação de trabalhadores (Divulgação/Pexels)
Caputo ressalta que pequenas empresas e economias locais podem ser prejudicadas por uma automação massiva. E caso não houver regulamentação adequada, os benefícios da IA podem ficar concentrados nas mãos de poucos. Além disso, ele adverte que situação que possa ocorrer é um impacto psicológico e cultural, o medo do desemprego e da substituição pode gerar ansiedade e resistência às mudanças tecnológicas.
“ A relação entre humanos e trabalho pode acabar mudando, impactando a identidade e autoestima de muitas pessoas, assim como o aumento da dependência da IA pode reduzir a necessidade de habilidades tradicionais”, conta o educador.
Caputo ainda aponta que os possíveis impactos sociais e econômicos da IA, de forma positiva, haverá um aumento da produtividade e da eficiência, pois este software poderá reduzir custos operacionais e aumentar a produção, beneficiando empresas e consumidores.
Entre as profissões já estão sendo afetadas e algumas podem até deixar de existir, como é o caso de operadores de call center e tradutores. Por outro lado, novas ocupações surgirão, impulsionadas pelas demandas tecnológicas.
“Se bem gerida, a automação pode permitir menos horas de trabalho sem perda de produtividade. Isso poderá resultar em maior qualidade de vida, desde que políticas adequadas sejam implementadas. Governos precisarão criar políticas para garantir transições mais justas e reduzir o impacto do desemprego. Em suma, a IA pode trazer grandes benefícios, mas sem um planejamento adequado, poderá intensificar desigualdades e crises sociais”, afirma Caputo.
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