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Fraude: INSS vai devolver quase R$ 292 milhões a aposentados vítimas de descontos ilegais

Restituições começam no dia 26 de maio e abrangem valores descontados de forma ilegal de aposentados. Beneficiários serão notificados para confirmar ou contestar os débitos
Aposentados, que tiveram descontos irregulares nos benefícios, têm até dia 14 de fevereiro para pedir ressarcimento (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Restituições começam no dia 26 de maio e abrangem valores descontados de forma ilegal de aposentados. Beneficiários serão notificados para confirmar ou contestar os débitos

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai iniciar, a partir do próximo dia 26, a devolução de aproximadamente R$ 292,7 milhões a aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos no benefício. Segundo o órgão, os valores serão restituídos até 6 de junho, juntamente com os benefícios mensais.

O montante corresponde às deduções realizadas entre o fim de abril e o início de maio, mesmo após o bloqueio determinado pelo INSS. Isso ocorreu porque a folha de pagamento já havia sido processada antes da suspensão dos descontos, determinada após a deflagração da Operação Sem Desconto pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

“Essas quantias foram retidas e não chegaram a ser repassadas às entidades”, informou o INSS em nota.

Devoluções retroativas até 2020

O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, anunciou também que aposentados e pensionistas que tiverem comprovadamente sido lesados por descontos não autorizados entre março de 2020 e março de 2025 serão ressarcidos.

A partir desta terça-feira (14), cerca de 9 milhões de beneficiários começarão a ser notificados, por meio do aplicativo Meu INSS e da Central 135, sobre os descontos registrados em nome de entidades como associações e sindicatos. A partir das informações apresentadas, o cidadão poderá confirmar ou contestar os débitos.

Caso o beneficiário afirme não reconhecer o vínculo associativo, caberá à entidade apresentar, em até 15 dias úteis, provas de que o desconto foi autorizado. Em caso de ausência de comprovação, a Advocacia-Geral da União (AGU) será acionada para as medidas cabíveis. “O cidadão não precisará apresentar nenhum documento. Basta declarar que não reconhece o desconto”, garantiu Waller.

As deduções em folha para entidades associativas são autorizadas por lei desde 1991 e ocorrem com base em Acordos de Cooperação Técnica firmados entre o INSS e as entidades. No entanto, nos últimos anos, houve um crescimento exponencial dessas cobranças.

Dados do INSS e da CGU mostram que os descontos saltaram de R$ 413 milhões em 2016 para R$ 2,8 bilhões em 2023. Em paralelo, as queixas por descontos indevidos também aumentaram: apenas entre janeiro de 2023 e maio de 2024, foram mais de 1,16 milhão de pedidos de cancelamento.

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Operação Sem Desconto e medidas judiciais

A operação da PF e da CGU deflagrada no dia 23 de abril levou à exoneração do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e ao afastamento de quatro dirigentes e um policial federal. Dias depois, o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, também deixou o cargo.

Como reação, o INSS suspendeu todos os acordos de cooperação com entidades e interrompeu os descontos automáticos. A AGU criou uma força-tarefa para recuperar os valores e propor novas medidas de combate a fraudes.

Mais de R$ 1 bilhão em bens dos investigados já foram bloqueados pela Justiça. Nesta quinta-feira (8), a AGU solicitou o bloqueio adicional de R$ 2,56 bilhões pertencentes a 12 entidades suspeitas de envolvimento no esquema.

Ressarcimento garantido

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, reforçou nesta quinta-feira o compromisso do governo com os segurados. “Ninguém será prejudicado. Todos os valores serão devolvidos, com recursos obtidos a partir do bloqueio de bens dos responsáveis pelo esquema”, afirmou.

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