O ex-deputado federal João Paulo Cunha (PT) recebeu nessa segunda-feira (10) a equipe de reportagem do Giro S/A. Ele concedeu entrevista exclusiva sobre temas como reorganização do partido em Osasco e sobre a gestão do prefeito Rogério Lins (Pode) que foi classificada como sem direção e projeto.
••• Leia a entrevista e assista aos principais trechos gravados pela reportagem.
- Entrevista exclusiva
Giro S/A: Em setembro tem a eleição interna do PT. Já existe um nome para o PT de Osasco?
João Paulo Cunha: Ainda não tem um nome. O que tem definido é um processo de discussão visando unificar o partido, esse é o objetivo central. Estamos buscando uma unidade grande para que ela gere o nome do novo presidente, mas ainda estamos conversando sobre isso.
Giro S/A: O senhor teve uma reunião, há algumas semanas com o deputado Emidio de Souza, que acabou minando os boatos de racha interno. Como está a relação entre vocês. Houve esse racha ou são apenas boatos?
João Paulo: Foram duas reuniões onde discutimos o processo de renovação do partido e, ao mesmo tempo, começamos a pensar e planejar as bases para a eleição de 2020. Cada um tem suas tarefas particulares, trabalhos e estudos, e nem sempre conseguimos conversar, mas em momentos assim é importante tentar unificar naquilo que for possível as nossas ações.
Giro S/A: Em 2016, O PT não foi para o segundo turno das eleições e não elegeu vereadores. Quais serão os grandes desafios da legenda em 2020 e como se reorganizar?
João Paulo: Então, 2016 foi muito peculiar, pois tínhamos uma administração identificada com o PT, que no meio do caminho não deu certo e acabou dividindo, e por isso, o partido ficou em uma situação difícil e não elegeu ninguém e teve uma votação pequena. Mas isso, não significa que o PT de Osasco não tenha força tanto política como eleitoral. Neste momento, os dois desafios do PT municipal são: reorganizar o partido trazendo as pessoas de volta, trazer gente nova e se preparar para fazer um bom desempenho em 2020. Claro que o PT de Osasco não é uma ilha, então, precisamos estar sintonizados como que está acontecendo no Brasil e estar integrado as lutas gerais por um país melhor.
Giro S/A: O PT perdeu muitas lideranças. Existe algum trabalho para convidar nomes fortes da cidade?
João Paulo: Tem dois movimentos dentro do PT. Um deles é para trabalhar os nomes de petistas tradicionais e respeitados na cidade. O outro movimento é chamar de volta os companheiros que saíram do partido por alguma circunstância. O terceiro trabalho é trazer nomes novos que tem obtido resultados positivos. As pessoas de fora acham que o PT está mal, mas ainda existe muito apoio. Não podemos desconhecer a rejeição que o PT tem, mas há muita gente voltando para o partido, pois descobriram que apesar de todos os problemas, o partido trabalha para oferecer, principalmente para as pessoas que mais precisam condições de uma vida digna.
Giro S/A: O ex-prefeito Jorge Lapas deixou o PT. Após o fim do processo eleitoral, o senhor foi à frente da prefeitura e fez um desabafo por ele ter utilizado seu nome para atacar o adversário. O senhor se sentiu traído já que o indicou para ser secretário na gestão Emidio?
João Paulo: Não. A única coisa que eu sempre prezo é que as pessoas falem bem ou mal na minha frente. Achei deselegante da parte do Lapas ter feito uma campanha contra o meu nome sendo que estava em Brasília. Foi um ato covarde, pois atacou uma pessoa que não podia se defender. Então, o ideal era falar na minha frente para que pudesse explicar o ocorrido. Foi mais um ato para dizer o seguinte: quando quiser falar mal de mim, fala da minha frente. Mas veja bem, isso já passou cada um está tocando sua vida e não tenho nenhum problema. Graças a Deus não carrego traumas de passado, pois sempre olho para frente.
Giro S/A: O senhor conversaria com o Lapas para apresentar um novo projeto para Osasco?
João Paulo: Veja eu não sou candidato a nada, não sou dirigente de nada, não tenho razão. Eu sento com qualquer pessoa de Osasco que queira falar comigo até por educação, mas não sou candidato a nada sou apenas um cidadão que se interessa por política. Moro em Osasco há 55 anos, então, presenciei a cidade melhorar e também vi em alguns momentos ela ficar ruim que é o momento atual.
Giro S/A: O PT lançará nome a prefeito em 2020?
João Paulo: A probabilidade do PT lançar um nome é muito grande. Neste momento, o candidato é o Emidio que está bem na cidade. Se ele quiser ele será candidato e terá apoio do partido.
Giro S/A: No segundo turno, em 2016, parte do PT apoiou o nome do Rogério Lins. Como o senhor avalia a gestão dele até o momento?
João Paulo: Eu acho que ele está deixando a desejar. A minha impressão conversando com as pessoas é de que a cidade está ruim. Temos graves problemas de saúde, para se ter uma ideia, o PS da Vila Ayrosa passou por reforma e depois de uma semana o teto estava caindo e com goteiras. Então, acho que o problema fulcral é que ele tem não projeto para a cidade e não desperta expectativa. É um governo, sem direção é uma coisa meio ao Deus dará, então vai de acordo com o vento, e isso não tem como dar certo em uma cidade do tamanho de Osasco. É preciso além de projeto, uma organização, direção, tem que ter firmeza e palavra. Não consigo localizar esses pontos no governo dele [Rogério Lins].
Giro S/A: O senhor acredita que falte experiência política?
João Paulo: Não. Ele foi secretário, diretor e vereador. Além disso, estamos no terceiro ano de governo. O que a gente sempre tem expectativa na vida política é que quando você tem um desafio maior do que você é no presente, é que você colocará todo o seu empenho de tal forma que você fique maior que esse desafio. Tinha a impressão de que o Rogério seria um grande líder e que faria uma grande administração, pois ele é jovem é bom de comunicação, teria todas as condições para crescer. Mas me decepcionei muito, ele está menor do que entrou. Ele ficou muito pequeno e a administração é pequena. Osasco sempre produziu grandes líderes, como: Hirant Sanazar, Guaçu Piteri que foi o maior líder do Estado no fim da ditadura militar; temos Francisco Rossi que chegou a disputar o segundo turno do governo com Mario Covas; ainda tivemos Celso Giglio que presidiu a Associação dos Municípios e teve papel fundamental no Estado, depois o Emidio que foi um grande prefeito e chegou a ter nome cotado para o Estado em 2010, então, Osasco costuma produzir grandes lideres e, neste momento, Osasco não tem ninguém infelizmente.
Giro S/A: omo o senhor vê o surgimento de novas lideranças, como por exemplo, o Dr. Lindoso que tem ganhado forças dentro do PSDB?
João Paulo: De forma geral o surgimento de novas lideranças, independente de ser do PT, é uma boa coisa para a política, pois oxigena. Vejo a possível candidatura do Dr. Lindoso como algo positivo para cidade, pois é uma liderança que se destaca e que começa a se organizar. Neste momento, em que a cidade vai mal, nós temos que conversar com todo mundo que deseja o bem da cidade, inclusive com o Lindoso.
Giro S/A: O senhor tem pretensões de lançar uma nova candidatura, por exemplo, em 2022 a deputado federal?
João Paulo: Neste momento não. Estou bem concentrado, pois estou terminando o mestrado e definindo a minha dissertação. Estou aprendendo a advogar, pois me formei recentemente, então, estou estudando e quero ajudar, mas não tenho pretensão, aliás, não quero. Só desejo deixar uma colaboração mínima para a cidade. Voltando a falar de Osasco, moro na Zona Norte e demoro pela manhã mais de meia hora no trânsito para chegar ao Centro. Vemos uma passividade do governo. Como cidadão, que teve alguns cargos, não posso aceitar passivamente essa situação, mas não tenho intensão de ser candidato. Serei apenas um expectador da eleição do ano que vem, na qual espero ter um bom resultado.
Giro S/A: O senhor ainda deseja ser prefeito de Osasco?
João Paulo: Foi um sonho. Disputei com Rossi e Giglio que foram grandes lideranças da cidade. Quando eu podia ser, em 2004, não disputei por ter planos maiores. Hoje não tenho esse sonho. Meu desejo é ver Osasco melhor independente de quem estiver dirigindo.
Giro S/A: Como o senhor avalia os primeiros meses das gestões Doria e Bolsonaro?
João Paulo: Normalmente as pessoas olham mais para o prefeito e presidente da república e o governador acaba meio que preservado. O governo Doria é inexistente não tem nada para avaliar é uma caixa de marketing, um governo sem sal ou açúcar. Já o Bolsonaro mostrou sua razão que é governar para os ricos e poderosos. Ele mesmo já falou que não se preocupa com pobres, mas um presidente tem que se preocupar com os pobres. Ele precisa prestar solidariedade e políticas públicas para as pessoas que mais precisam. Além disso, é um governo que está entregando o Brasil e que segue orientações de fora. Minha impressão é que ele faz um governo inepto que só arruma confusão e não vejo perspectiva boa para o Brasil nas mãos do Bolsonaro.
Giro S/A: O senhor acredita que possa ocorrer um novo impeachment?
João Paulo: Neste momento não, mas não descarto em razão das imprevisibilidades e das próprias circunstâncias que o governo gera. Tivemos a notícia do site intercept mostrando a forma que foi conduzida o julgamento do Lula, um absoluto conluio entre o Ministério Público e o juiz. Toda legislação e Constituição proíbe isso, pois, você tem o MP que denúncia, o advogado que defende e o juiz que tem manter uma equidistância entre a disputa. Vemos com o vazamento que existe uma relação umbilical entre o juiz e o promotor que mostra que a probabilidade do julgamento ter o resultado combinado muito claro, e essa crise, pode agravar e não sabemos o que pode acontecer. Diante das evidências que tem aparecido, seria uma obrigação da Justiça, para reparar o dano, anular o julgamento do Lula. Não é que o Lula não tem que ter julgamento, tem sim, mas é preciso apurar a denúncia, não pode ser da forma como foi realizada que mostra que de qualquer forma haveria condenação.
Giro S/A: Como o senhor vê o desempenho do Moro?
João Paulo: Em um mundo desenvolvido não sei como eles interpretariam essa situação. Você é o julgador do principal adversário do candidato a presidente. Você condena essa pessoa e retira ele do processo eleitoral. Aí o que ganha chama você para ser o ministro da Justiça. Isso não é uma coisa normal. Depois que essa pessoa assume o ministério, descobre-se que o acordo é para ele assumir a Suprema Corte. Alguma coisa tá fora do lugar? A sociedade brasileira não pode aceitar esse tipo de procedimento. É uma situação muito delicada e o Moro mostrou evidências de que foi tendencioso na relação com o Lula. É um favor que o Bolsonaro está pagando? Ninguém sabe.
Giro S/A: Se o senhor pudesse dar um conselho ao Rogério Lins para que ele acerte o governo, qual seria?
João Paulo: Não daria nenhum conselho para ele, pois dei conselhos e ele foi muito ingrato. Para gente ingrata você não deve dar conselho. Não me sinto traído, só acho que ele foi uma pessoa ingrata e na política a ingratidão não merece conselho.







