Eleições: candidato de Cotia, Emerson Rocha, teve ficha criminal alterada

Relatório aponta alteração de registros criminais de Emerson Rocha na Prodesp. Candidato foi preso na Operação Cátaros, do MPSP.
Emerson Rocha candidato em Cotia
Emerson Rocha é candidato a deputado estadual pelo Podemos e foi preso em operação que investiga o PCC (Reprodução/Facebook)

Um relatório anexado ao processo que investigava Emerson Dias Rocha (Podemos), candidato a deputado estadual, morador de Cotia, aponta que registros criminais relacionados a ele foram excluídos ou alterados no sistema da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp).

Emerson Rocha foi preso preventivamente na quinta-feira (20), durante a Operação Cátaros, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo documento assinado pelo especialista em informática da Polícia Civil, Breno Tadeu Rios de Almeida, houve manipulação de registros na rede da Prodesp em pelo menos quatro ocasiões. As alterações identificadas são de 1999 e estavam relacionadas ao histórico criminal do candidato.

A Prodesp apresentou ao processo um relatório com os acessos realizados no sistema, incluindo datas, horários e a identificação do funcionário cuja credencial foi utilizada para consultar ou modificar os dados de Emerson.

De acordo com a empresa, as informações que haviam sido excluídas ou alteradas foram recuperadas. A exceção era um inquérito policial que dependia de uma cópia do Boletim de Identificação Criminal emitido pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), órgão da Polícia Civil responsável pelos registros de antecedentes.

Emerson Rocha é investigado por homicídio e tentativa de homicídio

O histórico de Emerson Rocha também aparece em um processo relacionado a um homicídio e uma tentativa de homicídio ocorridos em novembro de 1998.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público na época, duas pessoas aguardavam em um ponto de ônibus após saírem de um aniversário. Uma delas teria sido atingida por um veículo dirigido por Emerson, que fazia uma manobra de marcha à ré.

Após uma discussão, a mulher teria sido agredida fisicamente. Um homem que tentou intervir também teria entrado em confronto com Emerson.

Ainda de acordo com a acusação, os envolvidos voltaram a se encontrar pouco depois. Emerson teria deixado o veículo armado e efetuado disparos contra os dois. O homem morreu e a mulher sobreviveu após receber atendimento médico.

Emerson foi condenado em 2008 pela tentativa de homicídio, com pena de quatro anos e quatro meses de prisão, em regime inicial semiaberto.

A defesa recorreu e o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2020, a Justiça reconheceu a prescrição da pretensão executória, extinguindo a pena porque havia transcorrido o prazo previsto para sua execução.

No processo referente ao homicídio, Emerson foi absolvido.

Emerson Rocha também é investigado por uso de nome falso

A investigação ainda apontou que Emerson teria utilizado o nome Felipe de Souza Neves e obtido porte de arma de fogo utilizando essa identidade.

O processo também cita a participação de um investigador da Polícia Civil na tentativa de ocultar provas relacionadas ao caso. Segundo o Ministério Público, o policial Flávio Marzagão Cassaguerra teria ameaçado testemunhas para que apresentassem versões favoráveis a Emerson.

Prisão de Emerson Rocha ocorreu durante a Operação Cátaros

A prisão de Emerson Dias Rocha ocorreu no âmbito da Operação Cátaros, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao PCC.

Além do candidato, a operação teve como alvos três vereadores de Cotia: Eduardo Nascimento (PSB), Sergio Luiz de Freitas, conhecido como Serginho Luiz (PSB), e Yago Bezerra Neres (União Brasil).

Ao todo, foram expedidos mandados para 21 endereços. As diligências ocorreram em Cotia, São Paulo, Jandira, São Lourenço da Serra e Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Segundo o MPSP, Emerson seria investigado por suposto envolvimento direto no esquema de lavagem de dinheiro. A esposa dele, Francisca de Sousa Sá, também é alvo da investigação.

A Câmara Municipal de Cotia informou que os mandados relacionados aos vereadores foram cumpridos exclusivamente nos gabinetes dos parlamentares e não atingiram os demais departamentos administrativos do Legislativo.

Em nota, o Podemos Nacional afirmou que acompanha o andamento das investigações e aguarda informações das autoridades antes de definir eventuais medidas internas, ressaltando o direito de defesa dos envolvidos.

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