Deputada faz consulta para elaborar projeto que regulamente planos de saúde

Reajuste levando em consideração a mudança de faixa etária é uma das maiores críticas

A deputada federal, Renata Abreu (Podemos) está convocando os usuários de planos de saúde para a elaboração de um projeto de lei que cria obrigações e compromissos das operadoras para com o consumidor. Segundo ela, o serviço prestado, há muito tempo, tem deixado a desejar em vários quesitos: reajustes pesados da mensalidade, rede credenciada diminuída, além da pressão dessas empresas para forçar a aquisição ou migração de um plano de pessoa jurídica. “Estou pedindo às pessoas que relatem seus problemas e suas dificuldades com as operadoras de saúde. Pretendo compilar tudo para a proposta que vou protocolar na Câmara”, diz Renata Abreu, que tem recebido vários relatos pelas redes sociais.

Entre as reclamações, estão os reajustes. “Seja no plano individual, familiar ou coletivo, todo ano tem aumento. Tem reajuste anual (até abril deste ano o permitido é de 7,35%), reajuste por mudança de faixa etária (muitas vezes abusivos) e reajuste por sinistralidade (que é aplicado apenas para os contratos coletivos)”, ressalta.

Ainda segundo a parlamentar, outra queixa está relacionada ao reajuste levando em consideração a mudança de faixa etária. As operadoras alegam que o alto custo de procedimentos oferecidos por hospitais e médicos justifica todos os reajustes. “O aumento dos planos por faixa etária é uma das principais reclamações, principalmente dos idosos, que pagam mais caro por utilizarem os serviços médicos com mais frequência. Não é à toa que plano de saúde é campeão de reclamações de consumidores, segundo o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor”, revela.

A partir de 2004, com o Estatuto do Idoso, proibiu-se o reajuste por faixa etária para usuários a partir de 60 anos de idade. A Resolução Normativa (RN nº 63), publicada pela ANS em dezembro de 2003, determina que o valor fixado para a última faixa etária não pode ser superior a seis vezes o valor da primeira faixa (0 a 18), o que significa um aumento de 500%. Antes concentrados principalmente nas faixas de 50 a 59 anos e de 60 a 69, os reajustes passaram a pesar mais nas faixas dos 44 e 48 anos e na faixa acima dos 59 anos.

Com o projeto, a deputada também quer que as operadoras assumam o compromisso pela manutenção da rede credenciada de médicos, clínicas laboratoriais e hospitais ao longo da vigência dos contratos. “As operadoras descredenciam prestadores de serviço e, muitas vezes, não os substituem, fazendo com que o segurado continue a pagar o mesmo preço por um serviço reduzido”, detalha a deputada federal.

A parlamentar também tomou conhecimento que operadoras têm pressionado a contratação da modalidade empresarial em detrimento do plano de saúde individual. Trata-se de uma forma de escapar do reajuste tabelado, preferindo vender o formato coletivo, cujo aumento é de livre negociação. “E quem não tem CNPJ, se vê obrigado a abrir uma empresa para continuar assistido em sua saúde, caso não consiga mais pagar o plano individual”, questiona.

A ANS diz que não define o percentual máximo de reajuste para os planos coletivos por entender que as pessoas jurídicas têm maior poder de negociação junto às operadoras.