Deolane Bezerra: Justiça mantém prisão por suposta lavagem de dinheiro para o PCC

Deolane Bezerra continuará presa após a Justiça de São Paulo manter a prisão preventiva na Operação Vérnix, que investiga lavagem de dinheiro
Deolane Bezerra
Deolane Bezerra segue presa desde o dia 21 de maio (Reprodução/Redes Sociais)

A Justiça de São Paulo decidiu nesta quinta-feira (27) manter a prisão preventiva da advogada e influenciadora Deolane Bezerra e dos demais réus da Operação Vérnix. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em decisão, tomada pela 3ª Vara de Presidente Prudente, a Justiça defendeu que a prisão de Deolane se faz necessária, pois permanecem presentes os fundamentos que justificaram a prisão preventiva. Entre eles estão a necessidade de preservar a ordem pública e econômica, garantir o andamento da instrução criminal e assegurar a aplicação da lei penal.

Deolane Bezerra está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026. A influenciadora está custodiada no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista.

A Justiça também considerou o risco apontado na investigação de continuidade das atividades relacionadas à lavagem de dinheiro e os indícios de atuação estruturada e permanente de uma organização criminosa.

Dois investigados continuam foragidos

Na mesma decisão, a Justiça determinou a continuidade das buscas para localizar Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que permanecem foragidos. Os dois são sobrinhos de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do PCC.

A permanência dos dois fora do alcance da Justiça foi citada pelo Ministério Público como um dos argumentos para a manutenção das prisões preventivas.

Ministério Público aponta três núcleos

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, a organização investigada teria sido dividida em três núcleos: decisório, operacional e financeiro.

O núcleo decisório, segundo a acusação, seria formado por Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior. Deolane é apontada pelo Ministério Público como integrante do núcleo financeiro.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Deolane teria papel central na movimentação e ocultação de recursos supostamente provenientes de atividades ilícitas. A Promotoria afirma que valores teriam passado por contas bancárias ligadas à advogada e às empresas relacionadas a ela, além de terem sido convertidos em bens de alto valor.

As acusações ainda serão submetidas ao processo judicial e não representam, por si só, uma condenação.

Investigação aponta uso de empresas e “laranjas”

Conforme a denúncia, a organização teria utilizado empresas de fachada e pessoas interpostas, chamadas de “laranjas”, para dificultar a identificação da origem dos recursos.

O Ministério Público afirma que análises fiscais, bancárias e relatórios técnicos identificaram movimentações de grandes quantias e operações destinadas a dar aparência legal aos valores investigados.

Deolane Bezerra: TJ-SP negou habeas corpus

Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou, por unanimidade, um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane.

Na decisão anterior, a relatora, desembargadora Renata Cantello, considerou que os argumentos apresentados não demonstravam ilegalidade na prisão preventiva nem justificavam a substituição da medida por prisão domiciliar.

A magistrada também registrou que a inscrição de Deolane na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está suspensa desde a decretação da prisão.

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