Eleições: Bruna Furlan quer novo mandato focado em saúde e humanização

Bruna Furlan afirma que pretende ampliar ações de humanização, prevenção e qualificação profissional na saúde caso seja reeleita para a Alesp
Deputada Bruna Furlan
Bruna Furlan está no primeiro mandato de deputada estadual (Divulgação)

Após concentrar o primeiro mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na estruturação de políticas para a saúde, a deputada estadual Bruna Furlan (Republicanos) afirma que pretende dar um novo passo caso seja reeleita. A proposta é ampliar iniciativas voltadas à humanização do atendimento, à prevenção de doenças e à formação de profissionais, mantendo a saúde como eixo central da atuação parlamentar.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Giro, Bruna fez um balanço dos quatro anos de mandato, período em que presidiu a Comissão de Saúde da Alesp, percorreu as 17 Diretorias Regionais de Saúde do Estado e liderou a aprovação da chamada Lei das Fundações, voltada à segurança jurídica dos hospitais universitários paulistas.

Segundo a deputada, a prioridade dada à saúde foi planejada ainda no início da legislatura, após a entrega do Hospital Regional Rota dos Bandeirantes, em Barueri. A partir desse cenário, ela decidiu concentrar esforços na área para acompanhar de perto as políticas públicas estaduais e fortalecer o diálogo entre o Parlamento, os municípios e o Governo do Estado.

“Se houver renovação da expectativa e um novo mandato, a ideia é continuar trabalhando pela saúde e ampliar o repertório, aprofundando-me em temas para trazer resultados concretos”, afirma a parlamentar.

Deputada estadual Bruna Furlan
Bruna Furlan concorre à reeleição para deputada estadual (Divulgação)

Bruna Furlan: humanização ganha espaço na agenda

Entre as prioridades para um eventual novo mandato, Bruna destaca a humanização dos serviços de saúde e a valorização dos profissionais que atuam na rede pública. Segundo ela, a pauta ganhou força após reuniões com gestores do Hospital das Clínicas (HC), que apresentaram projetos voltados ao bem-estar das equipes de saúde, inclusive com o uso de inteligência artificial.

A parlamentar também defende o fortalecimento de políticas preventivas. Durante a entrevista, citou estudos sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde e afirmou que pretende aprofundar debates sobre ações voltadas à prevenção de doenças, incluindo iniciativas de combate à obesidade infantil desde os primeiros anos de vida.

“A prevenção precisa fazer parte das políticas públicas. Se cuidarmos da criança e da família desde cedo, teremos uma população mais saudável no futuro”, afirmou.

Veja abaixo a entrevista completa com a deputada Bruna Furlan

Jornal Giro: Qual a senhora considera a principal conquista neste primeiro mandato na ALESP?

Bruna Furlan: Vou contextualizar. Após três mandatos como deputada federal, consegui planejar as ações com antecedência deste mandato de deputado estadual. Por isso, minha primeira iniciativa foi percorrer todo o Estado para conhecê-lo melhor. Dediquei minha energia a ações na área da saúde, porque, durante o processo eleitoral, falamos muito sobre saúde, especialmente por causa do Hospital Rota dos Bandeirantes. Naquele momento, estávamos entregando à população um hospital de alta complexidade, com 400 leitos, um equipamento muito importante. O governo do Estado investiu quase um bilhão de reais nesse hospital em 2026. Sabíamos que se tratava de uma conquista relevante para a cidade e para a região. Assim, entendi que o trabalho no mandato deveria ser coerente com o que havia sido dito durante a campanha. Decidi, portanto, me dedicar à área da saúde.

Embora o hospital fosse grandioso, havia também a preocupação com a gestão da unidade, porque sabemos que uma organização social que não presta um bom serviço causa grande desgaste e prejuízo às pessoas atendidas e ao município. Seguindo esse planejamento, busquei viabilizar minha atuação para presidir a Comissão de Saúde. Deu certo: logo no início do mandato, fui eleita para presidir a Comissão de Saúde. Acreditei que, por meio desse instrumento legislativo, teria condições de estar próxima do governador nas decisões referentes à saúde e acompanhar mais de perto a gestão desse hospital. Foi uma decisão acertada, porque, embora por meio de um processo público de escolha, ficamos muito satisfeitos quando o Instituto Sírio-Libanês, em parceria com o Hospital das Clínicas, passou a fazer a gestão do hospital.

Como foi a atuação como presidente da Comissão de Saúde da Alesp?

Apresentei um plano de trabalho com três eixos. O primeiro foi visitar todas as Diretorias Regionais de Saúde. O Governo do Estado divide a saúde em 17 regiões, que correspondem às diretorias regionais. Em todas as regiões, realizo reuniões com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários de saúde, gestores de equipamentos públicos e privados, conselheiros de saúde, agentes de saúde, agentes comunitários, população, professores e alunos. A ideia do planejamento era aproximar o Parlamento da academia. Sempre achei que havia uma grande distância entre as universidades, os centros acadêmicos e o Parlamento. Por isso, também passamos a trabalhar para aproximar o Parlamento das universidades.

Um exemplo disso é que algumas reuniões aconteceram dentro das universidades. Em Campinas, a reunião foi na Unicamp; em Sorocaba, foi no auditório da Faculdade de Medicina da PUC; e, em Ribeirão Preto, foi no Hospital Universitário da USP. Nessas reuniões, alunos e professores puderam participar de encontros longos, nos quais buscávamos efetividade, inclusive com recursos de custeio para a saúde nos municípios. Não conseguimos atender a todos, mas atendemos a mais da metade do Estado. Com isso, os alunos e professores puderam participar das discussões sobre saúde, projetos e políticas públicas. Dessa forma, foi possível conhecer a realidade de cada região, porque o Estado é muito grande e cada uma tem necessidades diferentes, na saúde e em outras áreas.

Jornal Giro: Qual foi, na sua avaliação, a principal demanda percebida na saúde?

Bruna Furlan: Cada região tem uma realidade diferente. Percorri 9.400 quilômetros. Em São José do Rio Preto, por exemplo, a USP, por meio do hospital universitário, pediu um exoesqueleto para estudos. Trata-se de um equipamento de altíssima tecnologia, que traz grande benefício para a fisioterapia. Pessoas com dificuldade de locomoção entram no equipamento e simulam o movimento de caminhar. Se as universidades estudarem esses equipamentos, que vêm muitas vezes de fora, conseguiremos disseminar essa tecnologia para todo o Estado.

Também destinei dois exoesqueletos, um para adultos e outro para crianças, para a rede estadual, para que essa tecnologia pudesse chegar a outros lugares, e não apenas aos centros de referência. Para isso, porém, é preciso estudo. Em outra região, na Ilha, havia uma fila grande para cirurgia, e o prefeito queria fazer um mutirão; então, destinamos recurso para isso. Além de promover essas reuniões, eu visitava equipamentos de saúde e hospitais. Em cada hospital, os gestores apresentavam suas necessidades e, a partir disso, direcionávamos recursos. Posso fazer um levantamento e lhe enviar.

Também destinamos recursos a todos os hospitais da Unicamp e a todos os institutos do Hospital das Clínicas, porque são instituições de excelência e atendem muitas pessoas de Barueri e da nossa região. Fui uma das parlamentares que mais apoiou os institutos do Hospital das Clínicas, como o HCFMUSP, o Icesp, o Itaci, entre outros. Nessas reuniões, tínhamos a oportunidade de conhecer a realidade dos municípios que compõem cada Diretoria Regional de Saúde e, a partir daí, formular políticas públicas mais efetivas, porque passamos a conhecer a realidade e as necessidades locais. Também fazíamos a ponte entre esses municípios e o Governo do Estado, sobretudo porque muitos são distantes da capital. Além disso, surgiram outras pautas, como a audiência pública na Assembleia para tratar da autarquização da Unicamp.

Cada região trazia sua demanda, e nós buscávamos discutir e, principalmente, ouvir. Esse foi o meu objetivo: dar movimento ao mandato. Nenhum presidente da Comissão de Saúde havia feito esse tipo de aproveitamento da comissão. Ao percorrer as 17 regiões, procurei exercitar a capacidade de ouvir. Quanto mais ouvimos, menos erramos. Hoje, após quatro anos de mandato, posso dizer que conheço profundamente a realidade do Estado na área da saúde. Dediquei-me a isso, conheci as regiões e procurei levar o nome de Barueri, representando bem a nossa cidade e a nossa região por onde passei.

O segundo eixo do meu plano de trabalho foi aproximar o Parlamento da academia. Nesse movimento, trabalhei muito de perto com universidades e com fundações de apoio a hospitais universitários. Apresentei um projeto de lei, a Lei das Fundações, que consolida os vínculos entre a administração pública e os hospitais universitários. Só para você ter uma ideia, o HC tem 22,6 mil colaboradores. Esses hospitais não tinham segurança jurídica suficiente para trabalhar. A lei, que teve 44 deputados como coautores, virou lei. Foi amplamente discutida na sociedade, com o Ministério Público, a academia e governos. Esse projeto resolveu um problema de mais de 30 anos, um gargalo muito grave enfrentado pelos hospitais universitários por conta da falta de segurança jurídica na relação entre hospitais universitários, fundações de apoio e o Governo do Estado.

Como surgiu a ideia de implantar uma FATEC da Saúde?

Depois da pandemia, os profissionais de saúde passaram a trabalhar muito sobrecarregados. Os gestores do HC pensaram em desenvolver um projeto de humanização para os servidores e me procuraram para viabilizarmos recursos por meio de emenda parlamentar para desenvolver esse programa, inclusive com uso de inteligência artificial. Em uma dessas reuniões, o professor Giovanni Guido Cerri, presidente do Instituto Inova HC, falou da intenção de criar uma escola de saúde, uma espécie de FATEC da saúde. Eles me apresentaram o projeto, eu gostei muito e resolvi dedicar energia a essa proposta.

Barueri tem dois hospitais públicos, vários hospitais privados, laboratórios e equipamentos de saúde. Pensei que uma escola de saúde seria fundamental para qualificar e capacitar pessoas interessadas em trabalhar na área. A proposta prevê cursos superiores em enfermagem, gestão hospitalar e ciência de dados. Também seria possível estabelecer parcerias com hospitais para que os alunos tenham formação prática. Apresentei o projeto ao governador e ao prefeito, que disponibilizou uma área já em fase de desapropriação, com cerca de 7.500 metros quadrados, para uma área construída de 5.000 metros quadrados, ao lado do Hospital Rota dos Bandeirantes. Isso é extraordinário, porque os alunos poderão vivenciar a realidade hospitalar como ambiente de aprendizagem, inclusive com aulas práticas. O governo já publicou o decreto de criação da FATEC, o que permite ao prefeito iniciar a desapropriação e a construção.

Esse projeto é quase uma realidade. Não há um cronograma fechado, porque o terreno ainda está em fase de desapropriação. No entanto, existe diálogo entre a prefeitura e o Centro Paula Souza para que as aulas possam começar, provisoriamente, em algum prédio da prefeitura ou em uma escola que não funcione no período noturno, exceto o curso de enfermagem, que precisa de laboratórios específicos. A prefeitura doará o terreno, construirá o prédio e o entregará ao Estado, assim como ocorreu com a outra FATEC que já temos na cidade.

Fui eleita e reeleita para presidir a Comissão de Saúde. Depois de todo o caminho percorrido, conheci muitos hospitais, entendi a realidade deles e trabalhei bastante pela nossa região, concentrando ações em Barueri, a cidade que tenho a honra de representar no Parlamento. Em Jandira, por exemplo, destinamos, por emenda, R$ 2 milhões para a compra de uma tomografia computadorizada para o novo hospital da cidade. Em Itapevi, o prefeito Igor inaugurou o CER, um centro de reabilitação muito importante, para o qual também destinei R$ 2 milhões, para equipá-lo e somar ao trabalho do prefeito Teco. Também mandei recursos para vários projetos de saúde e para ações de humanização, como um centro de cuidados paliativos no hospital de retaguarda, que já está em funcionamento.

Jornal Giro: A senhora continuaria focando na saúde em um próximo mandato, caso reeleita?
Bruna Furlan: A área da saúde é permanente. Sempre trabalhei pela saúde, mesmo quando minhas ações não eram tão focadas nessa área. No meu mandato como deputada federal, trabalhei também na relação do Brasil com outros países. Presidi a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e a Comissão Mista das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional. Também ajudei a criar uma comissão mista permanente para assuntos internacionais e refúgio, participei de missões humanitárias, colaborei com a Operação Acolhida e liderei debates sobre a Lei Geral de Proteção de Dados e a lei de imigração.

Foram muitos projetos importantes aprovados enquanto eu presidia essas comissões. Dentro da Assembleia, além das visitas ao Estado, tivemos grande atividade em audiências deliberativas, audiências públicas, seminários e aprovação de projetos. Foi um mandato muito planejado, e posso lhe enviar esse material para colaborar com a matéria.

Como concentrei minhas ações na relação do Brasil com outros países, neste mandato me dediquei a conhecer o Estado e a trabalhar na área da saúde, porque falamos muito sobre saúde durante a campanha. Se houver renovação da expectativa e um novo mandato, a ideia é continuar trabalhando pela saúde e ampliar o repertório, aprofundando-me em temas para trazer resultados concretos, como aconteceu com a Lei das Fundações, que resolveu um problema de mais de 30 anos.

Eu também continuo estudando. Sou formada em Direito, fiz pós-graduação em Gerenciamento de Cidades na FAAP e atualmente estudo Urbanismo e o Futuro das Cidades na PUC. Fiz um curso sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde e comecei a pensar em políticas públicas voltadas ao futuro das cidades. Podemos, por exemplo, pensar em escolas com projetos de combate à obesidade infantil, ou até em um centro de combate à obesidade infantil. Se cuidarmos da criança e da família desde cedo, ela terá uma trajetória de vida mais saudável.

Jornal Giro: A senhora foi filiada ao PSDB por muitos anos e agora está no Republicanos. O que motivou essa troca de legenda para a disputa deste ano?
Bruna Furlan: O PSDB, infelizmente, ficou esvaziado. Muitas lideranças saíram do partido, e isso dificultou a formação de uma boa chapa. Sem uma chapa competitiva, não havia condições favoráveis para disputar a eleição pelo partido. Por isso, decidi sair.

Jornal Giro: Como foi a recepção no Republicanos?
Bruna Furlan: Foi muito boa. Fui muito bem recebida, tanto na ALESP pelos deputados quanto pela direção estadual e nacional. Sinto-me acolhida por todas as pessoas que fazem parte do Republicanos.

Jornal Giro: O cenário político ainda está bastante polarizado. Como a senhora consegue manter o equilíbrio e acredita que ainda é possível construir consensos na ALESP?
Bruna Furlan: Com certeza. Eu penso em projeto e em futuro, e bons projetos não se desenvolvem apenas com metade da força política. Por isso, dialogo com todas as pessoas que têm interesse em discutir ideias e construir o futuro. Sinto-me muito bem nessa situação, porque abordo coisas concretas. O projeto da Lei das Fundações, por exemplo, foi unânime, pois todos sabiam que a legislação precisava ser atualizada e que havia necessidade de liderança para conduzir esse debate no Parlamento. Nunca levei minhas discussões internas para uma lógica ideológica. Circulo bem entre todas as forças políticas do Parlamento e não sofro com esse tipo de polarização, porque discuto mais projetos e futuro do que ideologia. O futuro passa pelo diálogo com várias forças políticas. Não agrido ninguém no Parlamento e não faço discussões levianas. Quando estava em Brasília, discutia questões nacionais; agora, no Estado, discutimos questões estaduais. A polarização fica mais em Brasília, e aqui mantenho um bom diálogo com todos.

Jornal Giro: Seu nome é sempre cogitado para vários cargos. A senhora pensa em voltar para a Câmara Federal, disputar o Senado ou até a Prefeitura no futuro?
Bruna Furlan: Estou muito satisfeita com este mandato de deputada estadual. Fiquei muito motivada ao exercê-lo, embora tenha sido um mandato difícil, porque passei por um período de luto e acompanhei, durante dois anos, a doença do meu irmão. Quem já perdeu alguém querido por uma doença tão agressiva sabe como esse processo é doloroso. Por isso, foi um mandato vivido com muita emoção. Em contrapartida, coloquei muito sentimento em todas as minhas ações e me dediquei bastante à construção deste mandato, para que hoje eu pudesse prestar contas dele.

Minha ideia é disputar a reeleição. Toda a minha energia está concentrada nisso. Se eu for reeleita, quero construir um mandato ainda melhor do que este que exerci. Neste momento, penso exclusivamente nisso. Além disso, o candidato do nosso grupo à Prefeitura, daqui a dois anos, quando este mandato se encerrar, será o Furlan. Ele é o candidato do grupo, pela experiência que tem, e isso é um consenso entre nós. Vou dedicar minhas ações à construção de um próximo mandato ainda melhor, caso eu seja reeleita. Não temos controle sobre o dia de amanhã; por isso, planejo aquilo que posso controlar. Se tivermos êxito nessa eleição, a ideia é fazer um mandato de muito trabalho, e nosso grupo apoiará o Furlan na próxima disputa municipal.

Jornal Giro: A senhora já tem uma dobrada com o Igor Soares, de Itapevi. Pretende ampliar essas parcerias com outros nomes da região?

Bruna Furlan: Meu trabalho com Igor Soares faz parte de um plano de desenvolvimento para a nossa região, incluindo Barueri, Jandira e Carapicuíba. É natural que eu estabeleça outras parcerias, porque temos bons candidatos aqui na região, prefeitos que tiveram boa atuação e que disputam eleições como deputados federais e estaduais. São pessoas que representam bem a nossa região. Então, além da parceria com o Igor Soares, outras alianças podem se formar a partir desse contexto.

Jornal Giro: Para encerrar, qual mensagem a senhora deixa ao eleitor que vai ler esta matéria?
Bruna Furlan: Com humildade, peço para que a nossa população nos deixe continuar trabalhando para renovar a nossa esperança de seguir cuidando da nossa região, com muito entusiasmo, na Assembleia Legislativa. Deus abençoe todas as famílias de Barueri e de todas as cidades que tenho a honra de representar na Assembleia Legislativa.

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