Os afastamentos do trabalho provocados pela Síndrome de Burnout cresceram de forma expressiva nos últimos anos. De acordo com levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), o número de casos triplicou, passando de 1.760 em 2023 para 6.985 em 2025. Mas o que explica esse avanço?
O Burnout é resultado da exposição prolongada a um ambiente de trabalho com excesso de estresse e poucas possibilidades de recuperação. “Entre as principais causas estão: excesso de carga de trabalho, jornadas prolongadas, pressão constante por resultados, falta de reconhecimento, conflitos no ambiente profissional, pouco controle sobre as atividades e dificuldade em equilibrar vida pessoal e profissional”, afirma a psicóloga Cinthya Gladys Beck, especialista em Neuropsicologia e Avaliação Psicológica, com consultório em Alphaville.
Cinthya dá um exemplo: uma pessoa que trabalha muitas horas, leva serviço para casa e permanece conectada ao trabalho até durante a noite tende a entrar, gradativamente, em um estado de esgotamento físico e emocional.

Primeiros sinais de alerta
Os primeiros sinais costumam ser confundidos com um simples cansaço: exaustão persistente, dificuldade de concentração, esquecimentos, irritabilidade, alterações do sono, dores físicas, perda da motivação e sensação de que o trabalho perdeu o sentido. “Quanto mais cedo esses sinais forem reconhecidos, maiores são as chances de recuperação”, ressalta a psicóloga.
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Como diferenciar Burnout de estresse e depressão
Embora os três quadros – Burnout, estresse e depressão – possam apresentar sintomas semelhantes, eles têm causas e características distintas. Segundo a profissional, o estresse tende a diminuir quando a situação difícil é resolvida.
Já a Síndrome de Burnout está diretamente relacionada ao ambiente de trabalho. “O transtorno é marcado por um estado de esgotamento intenso, acompanhado de distanciamento emocional da profissão, além de queda significativa no desempenho”, explica a especialista.
A depressão vai além do contexto profissional, acabando por afetar diversas áreas da vida.
“O burnout também pode coexistir com ansiedade ou depressão. Por isso, a avaliação neuropsicológica é importante para compreender o funcionamento cognitivo e diferenciar diagnósticos”, afirma ela.

Diagnóstico, ajuda e tratamento
O diagnóstico da Síndrome de Burnout é realizado por profissionais de saúde mental por meio de entrevista clínica, instrumentos psicológicos e análise da história do paciente. Quando existem queixas de memória, atenção ou concentração, a avaliação neuropsicológica ajuda a identificar o impacto do esgotamento e descartar outras condições. Segundo Cinthya, a pessoa deve procurar ajuda assim que os sintomas começam a comprometer a qualidade de vida, os relacionamentos ou o desempenho profissional.
O tratamento é individualizado e costuma envolver psicoterapia, reorganização da rotina, melhora do sono, além de atividade física, estratégias de manejo do estresse. Quando necessário, há acompanhamento médico e uso de medicação. “Também é essencial avaliar e modificar fatores do ambiente de trabalho que contribuíram para o adoecimento”, acrescenta.
Para superar o transtorno, a psicóloga dá a seguinte dica: “Respeite seus limites, cuide da sua qualidade do sono, pratique atividade física, preserve momentos de lazer, fortaleça sua rede de apoio e busque acompanhamento psicológico. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade consigo mesmo. O Burnout é uma condição reconhecida pela OMS e merece tratamento adequado”, ressalta.
Mensagem final da psicóloga Cinthya Gladys Beck
“Trabalhar é importante. Viver é indispensável.
No fim da vida, dificilmente alguém se orgulha de ter respondido mais e-mails, feito mais horas extras ou passado mais tempo no escritório. As lembranças que realmente permanecem são as pessoas que amamos, os momentos compartilhados, os sonhos realizados e o tempo que dedicamos a viver.
Você não precisa dar conta de tudo. Cuidar da sua saúde mental não é um luxo: é a condição para que o trabalho faça parte da vida, e não substitua a própria vida.“
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