Na manhã desta quinta-feira (5), o prefeito de Cajamar e candidato à reeleição, Danilo Joan (PSD), foi alvo de uma operação contra possíveis desvios de recursos da saúde no combate ao coronavírus. A Operação Cama de Gato, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), teve o apoio da Polícia Militar (PM). De acordo com o MPSP, a ação visa apurar o desvio de recursos públicos e atos de corrupção praticados na compra, realizada em março deste ano, de produtos e equipamentos hospitalares destinados ao enfrentamento da covid-19.
A operação foi autorizada pela 3ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. Além da casa de Joan, os promotores estiveram em seu gabinete na Prefeitura, bem como nos gabinetes da secretária de saúde e do diretor de compras e licitações. Também houve buscas nos endereços sede da empresa fornecedora e na residência de seu sócio.
O Ministério Público apurou que, logo nos primeiros dias da pandemia da covid-19, o município de Cajamar gastou mais de 1 milhão de reais na aquisição de produtos e equipamentos hospitalares contratando, mediante dispensa de licitação, uma empresa que, na época, não era autorizada a comercializar equipamentos hospitalares. Não obstante, ter como objeto social as mais variadas atividades econômicas, desde comercialização de materiais de construção civil, materiais de limpeza, preparação de canteiros, serviços de lavanderia, vigilância, comércio de vidros, papelaria, equipamentos de sinalização de trânsito, entre inúmeras outras das mais diversas naturezas.
Somente em junho de 2020 foi incluída a comercialização de produtos e equipamentos hospitalares. Além disso, na época das compras, a empresa tinha sede em um endereço residencial, cujo imóvel era bastante simples e sem qualquer indício de que nele houvesse exercício de atividade comercial.
O MPSP também apurou que parte dos produtos (ventiladores pulmonares) adquiridos pelo município de Cajamar como novos, na realidade eram usados e imprestáveis. Também foi constatado que, em relação às camas hospitalares, algumas foram adquiridas pelo município com sobrepreço superior a 200%.
Prefeitura de Cajamar se manifesta
Em nota, a Prefeitura Municipal de Cajamar, representada pelo Prefeito Danilo Joan, informa que tomou conhecimento sobre a operação realizada pelo Ministério Público e está à disposição das autoridades competentes oferecendo todo o suporte para contribuir com as investigações. Informa também que todos os procedimentos feitos pela administração municipal são realizados dentro das regularidades, sempre levando em conta o interesse público, respeitando todos os parâmetros legais vigentes, e irá colaborar com o que for necessário para o esclarecimento dos fatos.
“Nós tiramos a cidade das páginas policiais”
No fim da manhã desta quinta, Danilo Joan fez uma live em suas redes sociais para falar sobre o episódio. “Fui surpreendido hoje pela manhã. Não dormi em minha casa esta noite, assim como não tenho dormido em outras noites, pois minha sogra mora em outra cidade. É uma senhorinha e estamos cuidando dela, pois ainda não conseguimos ninguém para cuidar dela. Fui acordado com a notícia de que a Polícia estava em minha casa. Assustei e queira entender o por quê? Enfim, reviraram a minha casa inteira. De ponta cabeça. Daí se alguém me pergunta: ‘Danilo, o que acharam em sua casa?’. Por isso eu vim aqui para responder. Levaram uma pasta preta com documentos pessoais e um contrato de locação de minha sogra. Não levaram mais nada de minha casa. Foram na Secretaria da Saúde e levaram dois computadores. Tiveram na prefeitura, em meu gabinete, levaram coisas pessoais e nada demais. Nós sempre obedecemos a Justiça, sempre seguimos todas as determinações do Ministério Público e estamos aqui para cumprir a Lei e fazer o que é correto. Eu nunca vou correr das minhas responsabilidades à frente do executivo da cidade”, disse Joan, visivelmente emocionado em alguns trechos da live.






