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A polêmica do pão de forma com álcool: não aparece no bafômetro após 3 minutos

Dúvidas surgiram depois que a Proteste divulgou um estudo revelando altos teores alcoólicos em algumas marcas populares de pão de forma
O álcool é uma substância comum em alimentos e medicamentos (Divulgação/Freepik)

Dúvidas surgiram depois que a Proteste divulgou um estudo revelando altos teores alcoólicos em algumas marcas populares de pão de forma

Tem sido assunto nas redes sociais e na imprensa, a polêmica que se criou com a existência de álcool em algumas marcas de pão de forma. Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), algumas das marcas mais consumidas no Brasil tem teores elevados de álcool. Em três delas, o nível foi alto o suficiente para que o motorista corra o risco de não passar no teste do bafômetro caso consuma duas fatias logo antes de soprar o aparelho.

O Detran de Goiás (Detran-GO) aproveitou e fez dois vídeos para mostrar se, realmente, duas fatias de pão de forma de marca citada na pesquisa realmente reprova no bafômetro.

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Pão de forma: 0,12 mg/l de álcool

A chamada “blogueirinha do trânsito” de GO e a equipe da Balada Responsável fizeram o desafio com duas fatias do pão de forma de uma das marcas do estudo. O resultado foi de 0,12 mg/l. Na legislação brasileira, bebidas com teor de etanol acima de 0,5 mg/l são classificadas como alcóolicas. Portanto, pessoas que registram a partir deste valor, não passam no teste do bafômetro. A margem de erro é de 0,04 mg/l.

A equipe do Detran de GO, no mesmo vídeo, realizou o teste com a ingestão de dois pães de forma de uma marca que não contém álcool em sua formulação. O resultado foi de 0,0 mg/l na medição do etilômetro.

No final do vídeo, um agente ressalta que, além de não beber e dirigir, o motorista deve ficar atento à composição dos alimentos processados que são consumidos logo antes da pessoa pegar ao volante.

Já no segundo vídeo, o Detran-GO esclarece que a quantidade de álcool no pão de forma é muito pequena. Logo, depois de três minutos o produto já desaparece do organismo.

Conforme explicado no vídeo pela médica nutróloga Thais Aquino, o álcool é uma substância comum em alimentos e medicamentos. Ele pode ser adicionado ou oriundo da fermentação natural ou ser usado como conservante. Porém, a quantidade é insignificante, por isso, não aparece mais no bafômetro depois desse tempo.

A polêmica do pão de forma com álcool: não aparece no bafômetro após 3 minutos
(Reprodução/Redes sociais Detran-GO)

Entenda a pesquisa

A Proteste, Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, foi quem divulgou um estudo revelando altos teores alcoólicos em algumas marcas populares de pão de forma. Se houvesse uma legislação específica para alimentos alcoólicos, seis dos dez produtos analisados seriam considerados alcoólicos.

A pesquisa analisou dez marcas de pão de forma, incluindo Visconti, Bauducco e Wickbold. Apenas quatro apresentaram teores de etanol abaixo de 0,5%, o limite para não serem classificadas como alcoólicas. Um lote da Visconti, por exemplo, mostrou 3,37% de teor alcoólico, enquanto a Bauducco registrou 1,17%.

A análise foi dividida em duas partes, examinando vários lotes, de cada marca, para garantir precisão nos resultados. Houve variação nos teores alcoólicos entre lotes da mesma marca. Pães da Bauducco, por exemplo, variaram de 1,17% a 0,66%. A variação é atribuída ao processo de armazenamento e validade dos produtos. A Proteste considerou o maior valor registrado para cada marca ao compilar os resultados.

Assim como a médica nutróloga do vídeo do Detran-SP, Henrique Lian, diretor-executivo da Proteste, explicou que a fermentação e os conservantes são responsáveis pelo álcool nos pães. De acordo com Lian, em níveis tão baixos, o álcool deveria evaporar durante o processo de fabricação.

Proteste avaliou a questão do bafômetro

Com base nos dados e resultados laboratoriais, a Associação do Consumidor também avaliou a possibilidade de motoristas serem acusados de embriaguez no teste de bafômetro ao ingerir esses pães. De acordo com as comparações da análise, ao consumir duas fatias de pães com maior teor alcoólico, os motoristas poderiam testar positivo no equipamento, considerando-se os limites estabelecidos pelo Detran.

O órgão pretende enviar os resultados do estudo ao Ministério da Agricultura e à Anvisa, sugerindo a criação de limites para o teor alcoólico em pães de forma. As empresas envolvidas defenderam seus processos de fabricação, alegando seguir normas e regulamentos vigentes, além de realizar processos rigorosos de qualidade.

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