Pancadão de Natal: jovens portam fuzis em Osasco; bailes também foram registrados em outras cidades da região

Aglomeração e motos barulhentas tiram a paz dos moradores de Osasco, Carapicuíba, Barueri e Araçariguama 
Homens desfilaram com armamento pesado no bairro da Padroeira em Osasco (Foto: Reprodução / SBT)

Em uma festa clandestina no conjunto popular Vitória, no bairro da Padroeira, zona Sul de Osasco, jovens foram flagrados, desfilando com armas de grosso calibre, tipo fuzil, pelas ruas lotadas. O pancadão começou na noite da véspera de natal (24) e durou até metade da manhã desta sexta-feira (25). Há relatos de bailes funks também em Barueri, Carapicuíba e Araçariguama. Em todas as festas, os participantes ignoraram as recomendações sanitárias contra a covid-19. 

Jardim Padroeira, em Osasco

Um vídeo obtido com exclusividade pela reportagem do Giro S/A,  mostra centenas de jovens aglomerados e sem máscaras (item obrigatório por lei no estado de São Paulo) em ao menos três ruas do Jardim Padroeira, em Osasco. Na imagem é possível ver muitas motos barulhentas e sem itens obrigatórios, entre eles placa de identificação. A perturbação do sossego, que transcorreu a madrugada do dia 24 para o dia 25,  foi regada a bebidas alcoólicas e muita aglomeração. Já na manhã de Natal, em plena luz do dia,  foi possível ver jovens desfilando com armas em punho, em uma cena típica das comunidades carioca. 

Jardim Munhoz Jr, em Osasco

No bairro do Jardim Munhoz Jr, precisamente na rua Pardinho, outro baile proibido também foi registrado. Muitas motos barulhentas, bebidas sem limites e música alta dominou a noite e a manhã no bairro. 

Questionada sobre o ocorrido,  a Polícia Militar (PM), por telefone, disse que não havia recebido chamados nestes dois bairros de Osasco. Moradores, entretanto, dizem que fizeram inúmeras ligações. O porta-voz da PM, tenente Maxwell, falou a uma emissora de TV que as polícias estão a procura dos jovens flagrados com armas pesadas. 

Em nota, a corporação declara “coibir a aglomeração de pessoas e a formação de pancadões. Os locais são mapeados e, dentro do critério técnico, direcionadas as viaturas para impedir sua instalação. Quando já iniciado, a PM mantém o policiamento pelas imediações para garantir o direito de ir e vir das demais pessoas e evitar que o evento aumente. Um aspecto importante é que os locais de tais eventos são migratórios, principalmente pelas constantes operações da PM. Por essa razão, quando há solicitação durante o “baile”, direcionamos viaturas conforme prioridades e gravidade de outras ocorrências, considerando sempre a segurança da vizinhança, dos frequentadores e policiais militares que irão atender o chamado”. A PM não comentou sobre os acontecimentos nos locais apontados pela reportagem. 

Carapicuíba

Em Carapicuíba, na Cohab V, a festa adentrou à noite. Um vídeo recebido pela reportagem mostra o vai e vem das motocicletas irregulares. Uma moradora que não quis se identificar, lamentou a situação. “Um inferno. Passavam acelerando, disparando a buzina, roncando o motor, escapamento “solto” e gritavam também. Não sei o que estavam comemorando. Um ano de sofrimento , lutas, desemprego, luto para muitas famílias. Nenhum respeito com próximo”, desabafou M.A.

Outra moradora disse: “liguei para polícia e ela me passou que em Carapicuíba não tem “lei do silêncio”, só em São Paulo. Mas eu sei que isso é mentira. Está aí o resultado: estão modernizando a vida de toda população, mas tenho criança e idoso em minha casa”, lamenta M.F.

Araçariguama

Segundo a GCM, no Jardim Brasil, em Araçariguama, ao menos trezentas pessoas realizaram um pancadão no bairro e foram dispersadas pela corporação somente pela manhã. Lá também houve cenas de jovens armados. 

Outros municípios do Cioeste

Há relatos de pancadões também em Barueri, no Parque Imperial. Todos os locais são pontos conhecidos de festa clandestinas na região.

Procurada a Secretaria de Segurança Pública (SSP) não se manifestou. “Como Instituição próxima da sociedade, garantidora da democracia e provedora dos direitos humanos mantém constante contato com os moradores para efetivas operações. Além disso, esta aberta ao debate público para o encontro de soluções e opções de lazer “viáveis” aos jovens e a participação de outros órgãos e instituições para que se apontem quem são os organizadores e patrocinadores das festas; daqueles que vendem bebidas alcoólicas a menores e traficam drogas; multas e fechamentos dos estabelecimentos que não respeitam as legislações vigentes; das responsabilização dos responsáveis que permitem que menores frequentem esses locais, e ainda discussão com os legisladores para medidas efetivas e maior autonomia a Polícia Militar para também das questões apontadas, a questão sonora, perturbação de sossego e o cerceamento a liberdade de ir e vir dos moradores”, finaliza a PM. 

Veja fotos e vídeos do Jardim Padroeira e na região: 

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