A 8ª Câmara Recursal da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) acolheu um recurso da defesa de Deolane Bezerra, influenciadora digital que mora em Alphaville, e anulou a medida que suspendia o exercício profissional da advogada no estado. A decisão foi unânime e determinou o retorno do processo ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para nova tramitação.
Segundo a decisão, foram identificadas irregularidades no procedimento que levou à suspensão, aplicada pelo TED em 24 de junho. A anulação foi publicada nesta segunda-feira (26), mas ainda deve ser cumprida nos próximos dias. Por enquanto, a inscrição de Deolane continua registrada como suspensa no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA).
A medida trata da situação profissional da influenciadora. Deolane permanece presa preventivamente no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
OAB-SP: defesa de Deolane Bezerra contestou suspensão
A suspensão foi estabelecida em junho, com efeito imediato e prazo inicial de 90 dias, com possibilidade de prorrogação. Na ocasião, a defesa afirmou que a medida havia sido adotada sem respeito ao contraditório e ao direito prévio de defesa.
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Procurada pelo Metrópoles sobre a anulação, a OAB-SP informou que apura as infrações que chegam ao seu conhecimento, mas ressaltou que os processos disciplinares são sigilosos. O portal também procurou um advogado de Deolane e informou que não havia recebido resposta até a publicação da reportagem.
Deolane Bezerra: investigação apura ligação com o PCC
Deolane está presa desde maio sob suspeita de lavagem de dinheiro e associação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e com o tráfico de drogas. Ela foi indiciada pela Polícia Civil por lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Vérnix.
A defesa nega envolvimento da advogada com o crime organizado e com recursos de origem ilícita. Os advogados afirmam que os valores recebidos por ela são declarados e justificados.

A apuração teve início em 2019, após policiais penais apreenderem bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Segundo as investigações, os manuscritos traziam informações sobre a atuação de lideranças do PCC e possíveis ataques contra agentes públicos.
Os policiais identificaram nos bilhetes a referência a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques. A partir dessa informação, a investigação chegou a uma transportadora.
Em 2021, foi deflagrada a Operação Lado a Lado. Conforme os investigadores, a empresa era utilizada como braço financeiro da facção e apresentava movimentações e crescimento econômico sem lastro.
Durante a operação, as autoridades apreenderam um celular que, segundo a investigação, continha indícios de repasses financeiros a Deolane e de vínculos da influenciadora com um dos supostos gestores da transportadora.
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