Ministério Público pede manutenção da prisão de Deolane Bezerra

MP pede manutenção da prisão de Deolane Bezerra e parentes de Marcola na Operação Vérnix, que investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC
Deolane Bezerra
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra é investigada por ligação com o PCC (Reprodução)

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) se manifestou pela manutenção da prisão preventiva da influenciadora e advogada Deolane Bezerra e de familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, investigados na Operação Vérnix. A manifestação foi apresentada na quinta-feira (20), um dia antes da revisão judicial das prisões.

Deolane Bezerra foi presa em 21 de maio, em Alphaville, em Barueri, durante a terceira fase da investigação conduzida pelo MPSP e pela Polícia Civil.

Deflagrada em maio de 2026, a operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração envolve movimentações financeiras, empresas, patrimônio e possíveis repasses relacionados aos investigados.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os elementos que fundamentaram os mandados de prisão continuam presentes. O Ministério Público também afirma que pedidos anteriores para revogar as prisões já foram rejeitados pela Justiça.

Deolane Bezerra: Justiça deve reavaliar prisão

A prisão preventiva precisa passar por revisão periódica. Nesta sexta-feira (21), a Justiça deve analisar se Deolane Bezerra permanecerá detida ou poderá responder ao processo em liberdade.

A apuração, de acordo com os investigadores, começou em 2019, após policiais penais encontrarem bilhetes com informações relacionadas à estrutura e à atuação do PCC dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau.

As mensagens levaram os investigadores a uma transportadora localizada no município, que posteriormente passou a ser investigada como parte de uma estrutura utilizada para movimentações financeiras atribuídas à organização criminosa.

Investigação aponta três núcleos

Na manifestação apresentada à Justiça, o Gaeco descreve uma estrutura dividida em três grupos: decisório, operacional e financeiro.

O núcleo decisório seria formado por Marcola e Alejandro Camacho, irmão do líder do PCC. O operacional teria a participação de Everton e Paloma Sanches Herbas Camacho. Já o núcleo financeiro teria Deolane Bezerra e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

De acordo com o Ministério Público, Deolane teria desempenhado uma função relacionada à movimentação e ocultação de valores que os investigadores apontam como provenientes de atividades ilícitas.

A acusação sustenta que contas vinculadas à Deolane Bezerra e empresas relacionadas a ela teriam sido utilizadas nas operações investigadas. O documento também menciona aquisição e movimentação de bens de alto valor.

As suspeitas, contudo, ainda são objeto de investigação e deverão ser analisadas pela Justiça no decorrer do processo.

Operação investiga patrimônio e movimentações financeiras

A apuração também identificou, segundo as autoridades, movimentações bancárias consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada por alguns dos investigados.

A quebra de sigilos financeiros teria revelado circulação de valores, depósitos em espécie e operações envolvendo empresas que, segundo os investigadores, não apresentariam capacidade financeira compatível com as movimentações identificadas.

Na Operação Vérnix, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos e de quatro imóveis relacionados aos investigados.

Entre os veículos apreendidos estão modelos de luxo avaliados, em conjunto, em mais de R$ 8 milhões.

Familiares de Marcola também são investigados

Além de Marcola e Deolane Bezerra, a investigação alcança familiares do líder do PCC. Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, é apontado pelos investigadores como integrante do núcleo de comando e responsável por decisões relacionadas à transportadora investigada.

Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro, é apontada como intermediária de ordens e movimentações relacionadas ao patrimônio. Ela está foragida e é procurada na Europa.

Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também filho de Alejandro, aparece nas investigações como beneficiário de parte dos recursos. Segundo os levantamentos, ele movimentou aproximadamente R$ 746 mil em créditos, incluindo depósitos em dinheiro cuja origem não teria sido identificada.

Marcola e Alejandro já estavam presos em unidades do sistema penitenciário federal antes da Operação Vérnix. Leonardo estaria na Bolívia, enquanto Paloma permanece foragida.

Investigação começou com bilhetes encontrados em presídio

A origem do caso remonta a 2019, quando policiais penais apreenderam manuscritos de presos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha referências à estrutura do PCC, à atuação de integrantes da organização e a possíveis planos de ataques contra agentes públicos.

Durante as etapas seguintes da investigação, os policiais chegaram a uma transportadora que, segundo o Ministério Público, teria sido utilizada como parte de uma estrutura financeira ligada à facção.

A análise de mensagens e movimentações bancárias ampliou a investigação e levou às suspeitas envolvendo Deolane e familiares de Marcola.

Agora, a decisão sobre a continuidade da prisão preventiva de Deolane Bezerra caberá à Justiça. A manifestação do MPSP defende que ela e os demais investigados permaneçam presos enquanto a investigação e o processo avançam.

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