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MPSP investiga se ViaMobilidade desmanchou trem da CPTM

As apurações sobre a ViaMobilidade estão sendo feitas pelo promotor Silvio Marques, do MPSP; confira outras informações das investigações
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Trem H556 no pátio de Presidente Altino, em Osasco (SP), local da oficina da ViaMobilidade (Kauã Henrique Ferrovia/Reprodução UOL)

As apurações sobre a ViaMobilidade estão sendo feitas pelo promotor Silvio Marques, do MPSP; confira outras informações das investigações

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga se a ViaMobilidade estaria utilizando peças de um trem emprestado pela Companhia Paulista de Transporte Metropolitano (CPTM) para consertar outros trens emprestados pela companhia estatal paulista.

As informações foram divulgadas no 31 de dezembro e são do portal de notícias UOL. As apurações estão sendo feitas pelo promotor Silvio Marques, da divisão de patrimônio público e social do órgão público. Três pessoas já prestaram depoimento sobre o caso.

Os empréstimos dos veículos por parte da estatal ocorrem desde janeiro de 2022, quando a ViaMobilidade assumiu as operações das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. Por integrarem a frota da CPTM e serem patrimônios públicos, os trens devem ser devolvidos ao Estado em um prazo estabelecido.

O trem que estaria passando por desmanche é o H556. Ele foi comprado pela empresa estatal em 2013 em um contrato de 65 trens por R$ 1 bilhão. Na época, a locomotiva custou cerca R$ 15,3 milhões à época —R$ 28,8 milhões em valores atuais e é composto por oito carros.

Imagens obtidas pelo UOL mostram o trem H556 desmontado nos pátios da ViaMobilidade em Osasco. A concessionária confirmou ao UOL que o veículo está passando por uma grande manutenção, incluindo a troca de 64 rodas e reparos em componentes eletrônicos. A previsão é que o trem seja entregue à CPTM em março de 2025.

Apurações da ViaMobilidade pelo MPSP: mais informações

Conforme a Lei de Acesso à Informações (LAI), o trem H556 foi emprestado pela CPTM à ViaMobilidade em junho de 2022. Em novembro de 2023, a concessionária afirmou que a locomotiva foi cedida em caráter temporário, pois o trem que originalmente seria emprestado (Q148) não possuía condições de funcionamento.

Segundo UOL, há divergências sobre o destino do trem Q148. A ViaMobilidade afirma não ter recebido o trem na data prevista, enquanto fontes da CPTM alegam que o veículo foi entregue à concessionária em janeiro de 2022 e devolvido em péssimas condições três meses depois.

A CPTM não confirmou oficialmente essa informação, mas admitiu ter enviado o trem H556 como substituto. A data de devolução do H556 à CPTM também é incerta: a ViaMobilidade indica março de 2025, enquanto órgãos governamentais não estabeleceram um prazo definido

“A CPTM não tem como definir data, uma vez que aguarda, por parte da ViaMobilidade, o agendamento de vistoria”, informou a estatal, via LAI, em junho de 2024.

De acordo com a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI), órgão do governo estadual que acompanha as concessões, informou mediante LAI que o H556 não está na lista de devolução porque foi emprestado em um “acordo direto entre a CPTM e Via Mobilidade”.

Caso CPTM e ViaMobilidade: mais detalhes

A disputa entre a ViaMobilidade e a CPTM pelo trem Q148 levanta suspeitas sobre a manutenção dos trens operados pela concessionária. Laudos técnicos detalhados, obtidos pelo UOL, revelam um quadro alarmante de irregularidades nos trens da ViaMobilidade, incluindo problemas em sistemas críticos como ar-condicionado, detecção de incêndio e freios.

A concessionária teria utilizado peças do trem H556, que deveria ser devolvido, para reparar esses trens danificados, justificando a negativa em receber o Q148. Atos como incêndios em trens da linha 9-Esmeralda reforçam as preocupações sobre a segurança da operação da ViaMobilidade.

Ainda segundo UOL, muitos dos problemas nas linhas 8 e 9 ocorrem porque a concessionária não tem trabalho especializado de ferrovia. Conforme o contrato de concessão, a ViaMobilidade deveria ter devolvido os trens da CPTM até abril de 2024, o que não ocorreu.

Caso segue em apuração (Kauã Henrique Ferrovia/Reprodução e Divulgação/Prefeitura de Itapevi)

Conforme o contrato de concessão, a ViaMobilidade deveria ter devolvido os trens da CPTM até abril de 2024, o que não ocorreu.

“Os trens precisam passar por auditorias para a devida devolução, esse processo tem consumido mais tempo do que o esperado”, a ViaMobilidade afirmou ao site MetrôCPTM.

Procurada pelo UOL, a ViaMobilidade não se pronunciou sobre o motivo da demora nas devoluções. Via assessoria de imprensa, a CPTM afirmou que mantém “diálogo constante” com a ViaMobilidade “para garantir que os trens sejam devolvidos em conformidade com os padrões técnicos e operacionais estabelecidos”.

*com informações do portal UOL

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