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MPF pede fim de multas no sistema ‘Free Flow’ da Via Dutra

MPF questiona se há riscos de que o 'Free Flow' gere milhões de multas indevidas no trecho da Via Dutra que corta a capital, Guarulhos e Arujá
Equipamentos Free Flow instalados na Via Dutra (Nova381/Divulgação)

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública para proibir a aplicação de multas no sistema de cobrança eletrônica sem cabines, conhecido como Free Flow, na Via Dutra (BR-116), nos trechos que passam pela capital paulista e pelos municípios de Guarulhos e Arujá. A via é administrada pela concessionária Motiva, desde 2022.

Em nota, o MPF explica que o sistema não possui natureza jurídica de pedágio, sendo apenas um serviço alternativo para evitar congestionamentos nas vias laterais, sem objetivo de arrecadação para manutenção da rodovia. Por isso, a aplicação de multas a motoristas inadimplentes é considerada ilegal. O órgão também solicita que a ação seja estendida a outras rodovias do país.

Segundo os promotores, o sistema apresenta alto risco de gerar milhões de multas indevidas, podendo levar motoristas ao superendividamento e à impossibilidade de dirigir, o que configuraria violação constitucional. A cobrança deve ser tratada como relação de consumo, regida pelo Código de Defesa do Consumidor e pelo Código Civil, e não pelas leis de trânsito.

O MPF baseia suas projeções em números da BR-101 (Rio-Santos), onde o Free Flow, também sob gestão da Motiva, gerou mais de 1 milhão de multas em 15 meses, impactando financeiramente os motoristas em R$ 268 milhões.

No trecho da Dutra, os pórticos do Free Flow estão instalados em um dos maiores fluxos pendulares do país, com cerca de 350 mil veículos diariamente, muitos em deslocamentos cotidianos. O MPF alerta que as multas impostas pelo sistema configuram punições excessivas, violando princípios constitucionais como proporcionalidade, razoabilidade e dignidade humana.

*Com informações da Agência Brasil

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