O segundo semestre de 2026 deve continuar exigindo cautela para quem deseja investir. A combinação entre juros elevados, cenário fiscal, eleições presidenciais e incertezas na economia internacional tende a manter a volatilidade dos mercados até o fim do ano. Apesar disso, especialistas avaliam que o período também pode abrir oportunidades para quem investe com planejamento e visão de longo prazo.
Na avaliação de Fabio Carvalho de Souza, sócio-fundador da Delta Flow Investimentos, o comportamento do mercado nos primeiros seis meses do ano reforçou a importância da diversificação da carteira.
“O primeiro semestre de 2026 foi marcado por um ambiente de maior volatilidade nos mercados, tanto no cenário doméstico quanto internacional. Mesmo assim, investidores que mantiveram uma estratégia bem definida conseguiram aproveitar boas oportunidades”, afirma o especialista.

Para ele, o Brasil apresentou uma economia resiliente em alguns setores, embora ainda conviva com juros elevados e um cenário fiscal acompanhado de perto pelo mercado. No exterior, decisões do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, e os conflitos geopolíticos também influenciaram o comportamento dos ativos financeiros.
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Investir: mercado acompanha cinco fatores
Para o especialista, cinco fatores devem orientar os investimentos até dezembro: a trajetória da taxa Selic, a inflação, a situação das contas públicas, a política monetária norte-americana e o desempenho da atividade econômica.
Ele destaca que o período eleitoral também tende a aumentar a sensibilidade do mercado, mas pondera que o comportamento dos investidores está mais relacionado aos fundamentos da economia do que ao debate político.
“Historicamente, anos eleitorais costumam aumentar a volatilidade dos mercados. No entanto, o mercado acompanha muito mais fatores como inflação, taxa de juros, equilíbrio fiscal, crescimento econômico e segurança jurídica do que propriamente o debate político”, explica.
Onde investir: renda fixa segue entre as principais alternativas
Com a Selic ainda em patamar elevado, Fabio Carvalho avalia que a renda fixa continua oferecendo uma das melhores relações entre risco e retorno.
Segundo ele, títulos pós-fixados atrelados ao CDI, papéis indexados à inflação, CDBs, LCIs, LCAs e debêntures permanecem como alternativas para investidores que buscam previsibilidade.
“A renda fixa continua oferecendo retornos bastante competitivos, principalmente para quem busca segurança e previsibilidade”, afirma, ressaltando que isso não significa concentrar todo o patrimônio em uma única modalidade de investimento. “Mais importante do que escolher um produto específico é construir uma carteira diversificada, de acordo com o perfil, os objetivos e o prazo de cada investidor”, completa.
Bolsa pode avançar até o fim do ano
Além da renda fixa, a Bolsa brasileira também pode apresentar oportunidades, especialmente para investidores de médio e longo prazo.
De acordo com Nathan Santos, head de Renda Variável da Delta Flow Investimentos, o cenário projetado para o Ibovespa é de encerramento entre 203,5 mil e 210 mil pontos até dezembro.
A expectativa considera fatores como a continuidade do fluxo de investimentos estrangeiros, a perspectiva de redução gradual da taxa de juros e os resultados das grandes empresas brasileiras.
Mesmo assim, o cenário permanece sujeito às oscilações provocadas pelas eleições, pelo quadro fiscal, pela guerra no Oriente Médio e pelas tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Setores em destaque
Entre os segmentos que podem apresentar melhor desempenho no segundo semestre estão energia elétrica, saneamento, infraestrutura, seguros e grandes bancos, setores que costumam reunir receitas mais previsíveis e geração consistente de caixa.
As empresas ligadas ao petróleo também podem ser beneficiadas enquanto os conflitos internacionais mantiverem os preços da commodity elevados. Caso o ciclo de queda dos juros avance, setores como construção civil, shopping centers, varejo e empresas de menor capitalização também tendem a ganhar espaço.
Diversificação continua sendo a principal estratégia
Outra recomendação de Fábio Carvalho é manter parte do patrimônio investida no exterior, principalmente em ativos dolarizados, como forma de reduzir riscos e ampliar a exposição a outros mercados. Ele destaca ainda que investir não depende de um grande patrimônio inicial.
“Com R$ 100 ou R$ 500 por mês, já é possível começar a construir patrimônio. O mais importante não é o valor inicial, mas a disciplina e a constância dos aportes”, diz.
Para Fabio Carvalho, um dos erros mais frequentes é tomar decisões motivadas pela emoção. “Muitas pessoas compram um ativo porque ele subiu muito ou vendem justamente quando o mercado cai. Investir bem não significa prever o futuro, mas construir uma estratégia sólida, disciplinada e alinhada aos objetivos de cada investidor.”
Ao resumir sua visão para o restante de 2026, o especialista afirma que não existe um investimento ideal para todos os perfis. “O melhor investimento para 2026 não é um produto específico; é uma carteira diversificada, construída com estratégia e visão de longo prazo”, finaliza.
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