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IR: erros de investidores podem gerar multas de até 150%; entenda

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As despesas médicas continuam liderando as inconsistências do IR (Divulgação/Freepik)

O início do prazo para entrega do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026 vem acompanhado de fiscalização eletrônica mais rigorosa e de regras que tornam a declaração ainda mais desafiadora, especialmente para investidores ou aqueles que possuem diferentes fontes de renda. Dados do último exercício mostram que mais de 1,3 milhão de contribuintes caíram na malha fina já no primeiro processamento da Receita Federal.

As despesas médicas continuam liderando as inconsistências, responsáveis por 32,6% das retenções. Logo em seguida aparece a omissão de rendimentos, com 30,8% dos casos — um índice que acende o alerta principalmente para quem possui aplicações financeiras, dividendos, aluguéis ou outras entradas de recursos ao longo do ano.

A ampliação da faixa de isenção mensal para R$ 5 mil em 2026 traz alívio tributário para parte dos contribuintes, mas não elimina a obrigação de declarar o Imposto de Renda em diversas situações. Quem possui patrimônio acima dos limites estabelecidos, por exemplo, ou realizou operações na bolsa de valores com vendas superiores a R$ 40 mil no ano, continua obrigado a prestar contas à Receita Federal. Para investidores, o principal risco está na divergência entre os dados enviados por bancos, corretoras e empresas via DIMOB e DIRF e as informações prestadas ao órgão público.

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(Divulgação/Freepik)

Investidores: organização técnica

Segundo André Bobek, fundador e CEO da Mhydas Planejamento Financeiro, a maioria dos casos de malha fina envolvendo investidores decorre de falhas operacionais e ausência de método. “A malha fina, na maior parte das vezes, não é fruto de má-fé, mas de desorganização técnica. O investidor esquece de declarar dividendos e Juros sobre Capital Próprio, preenche incorretamente o custo médio das ações, deixa de compensar prejuízos acumulados em renda variável ou ignora rendimentos de dependentes”, afirma Bobek.

O especialista acrescenta: “Além disso, com a Instrução Normativa 1.888, o cerco sobre criptoativos aumentou, e muitos chegam ao prazo final sem organizar as notas de corretagem, o que torna o erro quase inevitável diante do cruzamento de dados automático do Fisco.”

Erros de interpretação podem gerar multas de ofício que variam de 75% a 150% do imposto devido a investidores. “Além do prejuízo financeiro, há o risco de bloqueio do CPF, o que impede a emissão de passaportes, a contratação de empréstimos e até a posse em concursos públicos. O planejamento financeiro ao longo do ano é o único antídoto real, porque substitui a correria de última hora por uma organização permanente”, explica ele.

A tributação de dividendos na fonte para valores que superem R$ 50 mil mensais, direcionada a grandes sócios e empresários, adiciona uma camada extra de complexidade ao segmento de alta renda. Nesse contexto, especialistas reforçam que os investidores não devem concentrar a organização documental apenas nas semanas que antecedem o prazo final de entrega.

A tributação de dividendos diretamente na fonte para valores que ultrapassem R$ 50 mil mensais, voltada principalmente a grandes sócios e empresários, acrescenta uma nova camada de complexidade ao sistema tributário, especialmente para contribuintes de alta renda. Diante desse cenário, especialistas alertam que a organização de documentos financeiros e fiscais não deve ficar restrita às semanas que antecedem o prazo final da declaração.

Para Bobek, o Imposto de Renda deixou de ser apenas uma obrigação fiscal e passou a integrar a estratégia patrimonial. “Quem constrói patrimônio precisa tratar a declaração como parte da gestão financeira. Transparência e método não são apenas medidas de conformidade, mas instrumentos de proteção do capital acumulado”, conclui o especialista.

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