A dez dias das eleições, a disputa pela Presidência da República e pelo Governo de São Paulo concentra boa parte das atenções, impulsionada pela polarização política que marca a campanha. Mas, em 4 de outubro, algumas das decisões mais importantes do eleitor estarão também nas escolhas para o Legislativo.
Deputados federais, deputados estaduais e senadores ocuparão postos diretamente ligados à elaboração das leis, à definição de prioridades orçamentárias e à fiscalização dos respectivos Poderes Executivos. Apesar disso, são justamente essas candidaturas que recebem menos atenção durante a campanha. É um erro que o eleitor deve evitar.
Na Câmara dos Deputados estarão os representantes responsáveis por discutir e votar propostas com impacto em todo o país, além de fiscalizar o governo federal. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, os deputados estaduais terão atribuições semelhantes no âmbito do Estado, acompanhando a administração estadual e decidindo sobre matérias que interferem diretamente na vida dos paulistas.
A escolha para o Senado exige atenção ainda maior neste ano. Cada eleitor poderá votar em dois candidatos, que, se eleitos, terão mandato de oito anos. Não é uma decisão que deveria ser tomada na porta da seção eleitoral, a partir de um número anotado às pressas ou de um nome escolhido sem se saber sequer o que ele defende.
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Nesta reta final, ainda há tempo para pesquisar. Conhecer a trajetória dos candidatos, analisar propostas, acompanhar entrevistas e, sobretudo, verificar se aquilo que prometem está entre as atribuições do cargo que disputam são medidas básicas antes de definir o voto.
Também é importante observar além das promessas. Quem solicita uma cadeira no Legislativo precisa demonstrar conhecimento sobre a função que pretende exercer. Não basta apresentar soluções para problemas da cidade, do Estado ou do país sem explicar de que maneira um deputado ou senador poderá atuar para colocá-las em prática.
Ao longo desta campanha, o Jornal Giro tem buscado contribuir com esse processo ao entrevistar candidatos da região, apresentar suas propostas e confrontá-los com questões que fazem parte da realidade dos municípios da região oeste da Grande São Paulo.
O papel do jornalismo não é dizer ao eleitor em quem votar. É oferecer informação, contexto e espaço para o contraditório, permitindo que cada cidadão faça sua própria avaliação.
Quando a campanha entra nos últimos dias, esse exercício se torna ainda mais necessário. Presidente e governador ocupam naturalmente o centro do debate eleitoral, mas o poder não estará concentrado apenas nos palácios.
Também estará nas mãos daqueles que ocuparão as cadeiras do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa pelos próximos anos.
Por isso, antes de confirmar cada número na urna, vale uma pergunta simples: você sabe quem está elegendo e o que essa pessoa fará com o seu voto?
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