Durante a pandemia, Barueri e Osasco abriram unidades para tratamento das sequelas do coronavírus

Pacientes que receberam cuidados especiais contribuíram para Organização Mundial a Saúde listar os sintomas e as consequências pré e pós-covid-19
De maio a setembro do ano passado Centro pós-covid-19 de Barueri já havia atendido cerca de 1.400 pacientes (Divulgação/Secom Barueri)

Desde o início da pandemia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem listado muitos dos sintomas da covid-19, bem como os pacientes que tiveram a doença, internados ou não. Essas pessoas afetadas diretamente pelo vírus ajudaramo a entender quais eram os sinais e as consequências mais comuns.

Durante a pandemia do coronavírus, os cientistas descobriram que alguns dos sintomas próprios da covid se potencializavam e causavam sequelas. De acordo com uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, 64% dos pacientes mais afetados ficaram com problemas persistentes por cerca de seis meses e precisaram de cuidados adequados até se recuperarem. Entre as principais sequelas levantadas figuram: fadiga, falta de ar, dor de cabeça, perda de força muscular, dificuldade para enxergar ou incômodo nos olhos, foram, e são ainda, os problemas mais descritos.

Na região metropolitana oeste da Grande São Paulo, as duas cidades mais populosas: Osasco, com mais de 700 mil habitantes, e Barueri, com mais de 270 mil habitantes, abriram unidades especializadas para o tratamento dessas sequelas durante a pandemia, com profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia e reabilitação da capacidade pulmonar. Em Osasco foi aberto o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) da secretaria de Saúde do município; o Ambulatório de Fisioterapia Respiratória Pós-covid, do Jardim Piratininga; e, além deles, a “Liga de Reabilitação”, criada em abril de 2021 pela Faculdade Anhanguera. Já em Barueri, a prefeitura da cidade abriu o Centro de Atenção Multiprofissional Pós-covid-19, que de maio a setembro do ano passado havia atendido cerca de 1.400 pessoas.

Sintomas comuns e incomuns da covid
Mesmo diante das novas variantes, os sintomas mais comuns da covid-19 ainda são febre, tosse seca e fadiga. Outros sintomas menos comuns incluem perda de paladar ou olfato (um estudo mostra que 86% dos casos leves resultaram em perda de olfato), congestão nasal, conjuntivite, dor de garganta, dor de cabeça, dores musculares ou articulares, diferentes tipos de erupções cutâneas, náusea ou vômito, diarreia, além de calafrios ou tonturas.

Já quem adoeceu mais gravemente relatou falta de ar, perda de apetite, confusão, dor intensa ou pressão no peito e alta temperatura (acima de 38°C). Em casos mais raros, a irritabilidade, a confusão, a consciência reduzida (às vezes associada a convulsões), a ansiedade, a depressão, os distúrbios do sono e as complicações neurológicas mais raras, como AVC, inflamação do cérebro, delírio e danos aos nervos, também foram narrados pelos pacientes.

Com a mudança do vírus (novas cepas), outros problemas foram surgindo entre os contaminados, como urticárias (coceiras), os chamados ” dedos covid ” (lesões avermelhadas , inchadas ou com bolhas nos dedos dos pés), as também chamadas “unhas covid” (reentrâncias, ou linhas brancas horizontais, ou ainda um padrão vermelho crescente que se desenvolve na base das unhas das mãos ou dos pés), além de queda de cabelo e perda auditiva ou zumbido. As inflamações causadas pela covid são apontadas pelos pesquisadores como causas destes distúrbios, porém, elas ainda estão sendo estudadas.