Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o Sistema de Consórcios movimentou R$ 269,92 bilhões nos primeiros sete meses de 2025, crescimento de 33,9% em comparação ao mesmo período do ano passado. Desse total, R$ 146,56 bilhões correspondem ao segmento de imóveis (54,3%).
Antes visto como uma ferramenta voltada apenas para clientes de baixa renda em busca da casa própria, o consórcio imobiliário ganhou um novo perfil de público. Atualmente, os mais “endinheirados” têm apostado nessa modalidade como estratégia de diversificação de patrimônio. “Hoje, muitos utilizam o consórcio como estratégia de investimento, para garantir uma renda futura com aluguel”, afirma Luiz Antonio Barbagallo, economista da Abac. A carta de crédito surge como alternativa segura para construir uma aposentadoria imobiliária.
A Embracon, por exemplo, alcançou mais um recorde no 1º semestre de 2025, registrando mais de R$ 17 bilhões em vendas, o que representa um crescimento de 91% em relação aos R$ 8,9 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. “Este resultado não é um movimento isolado, mas sim a consolidação de uma trajetória de crescimento robusta. No 1º semestre de 2024, a empresa já havia apresentado um volume de vendas com alta de 92% em comparação ao mesmo período de 2023, demonstrando o avanço contínuo e a força do setor de consórcios no Brasil”, afirma Luís Toscano, vice-presidente de negócios da empresa.
Toscano enfatiza que o consórcio tem ganhado cada vez mais espaço e confiança entre os brasileiros. “Acreditamos que ainda existe um enorme potencial de crescimento, especialmente porque muitos já enxergam a modalidade não apenas como uma alternativa segura para a aquisição de bens, como imóveis e automóveis, mas também como uma solução estratégica de investimento e planejamento financeiro, tanto para pessoas físicas quanto para empresas”, destaca ele.
Por outro lado, a educação financeira também desempenha um papel fundamental nesse crescimento. “Os brasileiros estão mais informados sobre a importância de equilibrar projetos, sonhos e finanças, e o consórcio é uma ferramenta que se encaixa perfeitamente neste conceito”, diz Toscano.
Barbagallo, da Abac, também destaca este ponto. “O consórcio tem o apelo de educação financeira; é planejamento e disciplina. As pessoas vêm um consórcio como uma forma de poupar para ter um objetivo definido”, ressalta ele.
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Consórcio de imóveis: flexibilidade
Carlos Gondim, diretor de Soluções de Acúmulo do Porto Bank, destaca que adquirir um imóvel por meio do consórcio pode ser uma estratégia inteligente para diversificação do portfólio de investimentos, especialmente para a classe A. “Como investir em imóveis sem comprometer de forma significativa as aplicações atuais? O consórcio permite isso. Ao adquirir o bem, é possível alugá-lo e usar a receita do aluguel para pagar as parcelas. Assim, o patrimônio não é impactado substancialmente”, explica Gondim.
O profissional enfatiza que uma das palavras chave de consorcio é flexibilidade. “Quando você adquire uma carta de crédito, começa a se planejar para realizar um objetivo no futuro. Por exemplo, mora de aluguel e quer conquistar o primeiro imóvel; ou quer investir para diversificar seu patrimônio. Além disso, há liberdade de uso: é possível contratar um consórcio de imóveis para adquirir, reformar ou construir”, destaca Gondim.
No 1º trimestre de 2025, o Porto Bank registrou R$ 81,2 bilhões de créditos administrados, crescimento de 36% em comparação ao mesmo período do ano passado. “Passamos de R$ 64 bilhões de créditos administrados de imóveis de janeiro a março deste ano, aumento de 33% em relação ao mesmo período de 2024”, afirma ele.
A Ademicon também tem notado o crescimento na procura por consórcios pelo brasileiro. Somente no 1º semestre de 2025, a empresa comercializou R$ 21 bi em créditos. Este valor representa um crescimento de 85% em relação ao mesmo período de 2024. “Já o estado de São Paulo foi responsável pela comercialização de R$ 6 bi em créditos, aumento de 110% em relação ao mesmo período do ano anterior”, afirma Avelino Andrade, diretor master licenciado da Ademicon.
Para Andrade, o aumento dos juros e da inflação, além das mudanças recentes no sistema de financiamento imobiliário, fazem com que o consórcio se torne ainda mais procurado, especialmente para aqueles que desejam adquirir bens de forma menos onerosa e programada. “Essa característica tem atraído tanto pessoas físicas quanto jurídicas, que enxergam no consórcio uma oportunidade de planejar aquisições de forma sustentável e segura”, acrescenta ele.
A pandemia da Covid-19 foi, vamos dizer, um divisor de águas. Com mais tempo em casa devido à pandemia, muitas famílias passaram a desejar reformas. Porém, para quem pagava aluguel, a falta de um imóvel próprio foi um obstáculo. “A alternativa foi buscar financiamento bancário, um modelo em que, na prática, compra-se um imóvel e paga-se o valor de quatro. Além do custo elevado, a burocracia dos bancos também dificultava a aquisição da casa própria”, explica Daniel Almeida, licenciado Ademicon.
Antes da pandemia da covid-19, a Ademicon vendia R$ 480 milhões/mês. A empresa de consórcios fechou o ano de 2020 com R$ 800 milhões em vendas em um único mês, sendo 98% de consórcios voltados para imóveis. E em 2021, o crescimento foi de 80%.
“Com alto valor de mercado, o consórcio permite a compra de um imóvel no Brasil ou no exterior, a aquisição de terrenos, além de possibilitar a construção ou reforma por meio do crédito. O cliente pode, inclusive, comercializar a carta contemplada”, explica Daniel Almeida, licenciado da Ademicon, que destaca a unidade de Alphaville, que vende mais de R$ 100 milhões/mês.

Vantagens e possibilidades de uso do consórcio
O consórcio vem ganhando força como uma das opções mais vantajosas para quem deseja adquirir um imóvel, principalmente por um diferencial importante: a ausência de juros. Ao contrário dos financiamentos tradicionais, nos quais os juros podem representar uma fatia significativa do valor final do bem, no consórcio o cliente paga apenas a taxa de administração, pré-fixada. Essa taxa é diluída nas parcelas mensais e cobre os custos operacionais do grupo, tornando a modalidade mais econômica e acessível.
Essa característica, somada à flexibilidade na escolha do valor da carta de crédito e do prazo de pagamento, permite um planejamento financeiro muito mais seguro e previsível a longo prazo.
As parcelas do consórcio podem ter reajustes anuais, geralmente baseados no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), no caso de imóveis. Esse ajuste é essencial para preservar o poder de compra da carta de crédito atualizado, garantindo que, no momento da contemplação, o valor recebido seja suficiente para adquirir um imóvel equivalente ao planejado no início, mesmo após alguns anos de contribuição.
Como funciona – O cliente entra em um grupo com outras pessoas que têm o mesmo objetivo, comprar um imóvel. Todo mês, cada participante paga uma parcela. Todo mês alguém é contemplado e recebe o valor do crédito.
Existem duas formas principais de contemplação no consórcio: sorteio ou lance. Todo mês é realizado um sorteio entre os participantes, e quem for sorteado recebe a carta de crédito para adquirir o bem desejado. Outra possibilidade é por lance: o consorciado oferece um valor para antecipar a contemplação, e quem apresentar o maior lance tem a chance de ser contemplado naquele mês.
A carta de crédito pode ser usada para:
- Compra de imóvel no Brasil ou no exterior – imóveis residenciais ou comerciais, novos ou usados, e terrenos, com poder de negociação à vista.
- Construção ou reforma – o cliente escolhe onde quer morar e utiliza o crédito para construir ou valorizar seu imóvel.
- Quitar o financiamento – é possível utilizar o crédito para reduzir o custo final do imóvel e o prazo total para o pagamento.
- Investimento – é possível negociar o crédito após a contemplação, com a venda da carta contemplada.
- Quitar saldo devedor do imóvel na planta – outro imóvel é deixado como garantia até a quitação do saldo devedor, evitando os juros de um financiamento.
- Imóveis planejados – há consórcios que permitem a utilização de uma porcentagem da carta de crédito para adquirir os móveis planejados.
Fontes: Embracon, Ademicon, Porto Bank e Abac.
Cuidados na hora de adquirir uma carta de crédito
Luiz Antonio Barbagallo, economista da Abac, cita alguns cuidados que devem ser tomados na hora de aderir a um consórcio e evitar possíveis golpes:
- Confira se a administradora de consórcios é autorizada pelo Banco Central, no próprio site do BC ou na Abac. Hoje, são 125 empresas autorizadas no brasil;
- Não acredite em falsas promessas. Leia o contrato direito e veja a cláusula de reajuste;
- Confira se as parcelas são compatíveis com sua renda;
- É possível ser contemplado rapidamente, claro, mas o consórcio deve ser encarado como um planejamento financeiro de médio a longo prazo; e
- As taxas de administração variam. Veja qual é mais interessante para você.
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