Os condomínios residenciais passaram por uma transformação profunda nas últimas décadas. Entre os anos 1970, 80 e 90, os edifícios eram, essencialmente, uma “casa na vertical”: projetos mais simples, com foco quase exclusivo na moradia e pouca — ou nenhuma — oferta de lazer.
Naquela época, o entretenimento não fazia parte do condomínio. As famílias associavam-se a clubes da região para aproveitar piscinas, quadras esportivas e momentos de convivência.
A partir dos anos 2000, o cenário imobiliário começou a mudar neste quesito. “Por volta de 2005, o fechamento de fábricas em diversas regiões de São Paulo abriu espaço para grandes terrenos, possibilitando o surgimento de empreendimentos com áreas de lazer robustas. Nascia, ali, o conceito de condomínio clube”, conta Marcelo Morales, da UpGrade. Ou seja, criava-se um clube dentro do próprio residencial.
Segundo Morales, nos bairros de Alphaville e Tamboré, esse movimento foi bastante evidente. “Basicamente, os projetos que foram lançados na avenida Marcos Penteado de Ulhôa Rodrigues são condomínio clubes, construídos em grandes terrenos. Já nas regiões do 18 do Forte, Green Valley e Alphagran, os terrenos são menores, porém com áreas de 3 mil a 5 mil metros, permitindo montar um bom lazer”, destaca ele.
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Aos poucos, o público passou a perceber que não era mais necessário pagar por um clube à parte para desfrutar de lazer. Os próprios condomínios começaram a oferecer essa estrutura completa, reunindo piscina, academia, quadras e espaços sociais no mesmo endereço.
Além da praticidade, o fator econômico também pesou nessa mudança. Para muitas famílias, fazia mais sentido concentrar os custos no valor do condomínio do que arcar com mensalidades de clubes, deslocamentos e taxas extras. Assim, o conceito de “morar com lazer” ganhou força — unindo conveniência, qualidade de vida e uma gestão financeira mais eficiente.
Hoje, os condomínios clube oferecem uma gama de itens de lazer, como piscinas adulto e infantil, academia, quadra de beach tennis, quadras polioesportivas, brinquedoteca, pet place, lavandeira, rooftop, espaço gourmet, playground, salão de festas, salas de jogos, sauna e coworking. Alguns empreendimentos contam até com praia dentro do condomínio, com areia, piscina gigante e toboágua.
A UpGrande está para lançar um empreendimento no bairro 18 do Forte que contará com obras de arte.

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Condomínio clube: cobertura e um andar inteiro
Uma das soluções encontradas pelo mercado para manter o alto padrão de lazer, mesmo em terrenos menores, foi levar essas áreas para as alturas. Coberturas e andares inteiros passaram a concentrar espaços antes distribuídos no térreo, agregando não apenas funcionalidade, mas também vistas privilegiadas e novas experiências.
Um exemplo é o KA’A Home Boutique, empreendimento de 30 andares que dedica todo o 20º pavimento exclusivamente ao lazer. O espaço reúne academia, piscina aquecida, espaço mulher, áreas de beleza e uma sauna toda de vidro com vista panorâmica — um dos grandes destaques do projeto.
Outro diferencial é a piscina coberta e aquecida, inspirada em um hotel de Singapura que possui um jardim dentro da piscina. “Dentro dela, criamos um ofurô. E para melhorar a experiência dos futuros moradores, como o prédio fica na face norte, a laje foi esticada mais dois metros para fora da prumada da fachada e foi feita uma área de solarium, para as pessoas tomarem sol”, conta o profissional.
O resultado é um novo olhar sobre o lazer residencial: mais do que infraestrutura, trata-se de criar experiências únicas, que antes estavam restritas a hotéis ou destinos de viagem, agora incorporadas ao dia a dia dos moradores.

Experiências nos espaços de lazer
Hoje, os empreendimentos transformam seus espaços de lazer em experiências únicas – o conceito wellness, que integra saúde, bem-estar e qualidade de vida ao projeto arquitetônico. Nesse contexto, cada detalhe é pensado para ir além da funcionalidade e despertar sensações.
Morales, da UpGrade, exemplifica um dos diferenciais adotados em seus projetos: piscinas amplas, com borda infinita, integradas a uma sauna de vidro 360°. “Criamos um cubo de vidro onde a piscina literalmente entra na sauna. O morador pode mergulhar, atravessar a estrutura da sauna por baixo e acessá-la”, explica.
O resultado é uma experiência imersiva, em que o visual e a integração dos espaços transformam completamente a percepção de uso. “Deixa de ser apenas uma sauna. É uma experiência de sauna”, completa ele.
A revolução ocorreu também com o Espaço Gourmet. Durante muito tempo, o principal atrativo das casas era o quintal. Era ali que estavam a piscina, a churrasqueira e o cenário ideal para reunir amigos e família, com liberdade de horário e privacidade — uma experiência difícil de reproduzir em apartamentos. Para atrair esse público — e também ampliar o conceito de morar bem — os empreendimentos criaram o Espaço Gourmet, ambiente pensado para oferecer a mesma sensação de exclusividade, conforto e convivência das casas.
Esta área foi sendo aprimorada. “Hoje, nosso Espaço Gourmet conta com piscina privativa. O morador reservar um horário e conta com um espaço apenas para ele se seus convidados, com infraestrutura completa — churrasqueira, fogão, forno de pizza — além de uma piscina”, explica Morales.
Além de proporcionar conforto, privacidade e uma experiência diferenciada de convivência, o modelo traz um benefício econômico: por ser um ambiente locável, o Espaço Gourmet pode gerar receita extra para o condomínio, contribuindo para a manutenção e valorização do empreendimento.
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