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​Com mais de 75% da população inadimplente, especialista explica fatores que levam ao aumento das dívidas

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Um dos fatores que levam à inadimplência financeira, é a falta de educação financeira (Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)

Uma grande parcela da população brasileira se encontra endividada ou inadimplente. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, apontou que em abril cerca de 75,3% dos lares brasileiros tinham dívidas.

Segundo o PHD em Educação Financeira, Reinaldo Domingos, o crescimento de pessoas com débitos tem relação também com a relação à crise política, financeira e de saúde que o país vem enfrentando. “Essas situações ocasionam problemas que vão muito além do dinheiro, envolvendo até mesmo relações familiares e saúde”, afirma o estudioso.

Para evitar que a sociedade brasileira acumule ainda mais dívidas, Domingos explica os sete principais “pecados”, que levam as pessoas a se tornarem inadimplentes.

Falta de educação financeira: a primeira condição que faz os indivíduos a contraírem déficits econômicos é não conhecerem sobre a importância do dinheiro e as formas corretas de utilizá-lo. O especialista salienta que nem os pais ou a grande maioria dos colégios ensinam o assunto para crianças e adolescentes, que estão constantemente expostos à um grande nível de consumo. “O caminho para sair desta situação é buscar cursos e livros sobre o tema. Também é fundamental a preocupação com as crianças, ensinando de forma lúdica e solicitando a inserção deste nas escolas”, explica o especialista.

Falta de planejamento: por não saberem para onde seu dinheiro está indo ou não ter controle sobre este, as pessoas acabam ganhando e gastando mais do que podem. Em virtude disso, se gera um grande desequilíbrio nas finanças.O descontrole financeiro não acontece nos grandes gastos, mas sim nos pequenos. Para evitar que isso ocorra, o correto é o preenchimento de uma caderneta diária de todos os gastos, que chamamos de apontamento, e realizar uma planilha mensal por três meses, conhecendo, assim, os seus verdadeiros números”, reitera o PHD.

Marketing e publicidade: devido ao grande número de peças e propagandas de produtos, as pessoas acabam sendo incentivadas a comprar por impulso. “O caminho para evitar esse problema é não comprar por impulso; o ideal é se questionar se realmente precisa desse produto, qual a função que terá em sua vida, etc. Também é interessante deixar a compra para outro dia, quando terá refletido sobre se quer realmente o produto”, afirma o pesquisador.

Crédito fácil: buscar ferramentas de crédito fácil, como empréstimos, crediários, financiamentos, limite do cheque especial ou pagar o mínimo de cartão de crédito já é uma forma de endividamento. “O mercado oferece milhares de produtos de fácil acesso, contudo, os juros cobrados são abusivos e fazem com que a inadimplência se torne alta. Assim, a solução é evitar esses meios. No caso de cartão de crédito, o ideal é ter só um e, em caso de descontrole, até mesmo eliminar. Também é interessante não ter limite de cheque especial e evitar os empréstimos e crediários” explica o PHD.

Parcelamentos: o ato de parcelar compras já gera um endividamento, pois é uma é uma forma de crédito, no qual está se usando um dinheiro que não possui para adquirir o objeto. A situação pode se complicar caso o consumidor não coloque no orçamento, o desmembramento da compra. “Caso seja fundamental parcelar, deverá constar no orçamento mensal da pessoa, que sempre que receber seus rendimentos, separará parte do valor para pagar essa dívida. Também é interessante ter uma poupança paralela, para que, em caso de imprevistos, tenha como arcar com esses valores”, declara o especialista.

Falta de sonhos: não ter objetivo para o dinheiro causa inadimplência. Isso ocorre muito pela falta de capacidade das pessoas de sonharem, vivendo apenas o presente. “Para sair deste problema, é recomendável fazer um exercício simples, refletir sobre quais são realmente os seus sonhos, o que se quer para o futuro. Tendo isso estabelecido, deve cotar os valores e determinar parte de seu dinheiro, quando recebê-lo para esse fim. Com isso em mente, será muito mais difícil cair nas armadilhas do consumismo e crédito fácil”, afirma o pesquisador.

Necessidade de status social: acreditar que consumir é importante para ser aceito socialmente faz com que as pessoas comprem sem ter condições. Isso porque acreditam que possuir alguma coisa é o que fará a diferença para os outros, e não o que ela realmente é. “Isso é um valor errado de que ter produtos é sinônimo de felicidade. O consumo dessa maneira irá apenas suprir a dificuldade de relacionamento interpessoal. A solução para esta questão é ter objetivos claros e perceber que é muito mais importante ter conteúdo do que ter produto”, reitera Domingos.

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