O presidente-executivo da Enel, Flavio Cattaneo, afirmou na segunda-feira (23) que os apagões provocados por quedas de árvores sobre a rede elétrica em São Paulo seriam inevitáveis nas atuais condições de arborização. Segundo ele, “só Jesus Cristo” poderia impedir interrupções desse tipo.
A declaração foi feita durante a apresentação do novo plano estratégico da companhia ao mercado. De acordo com Cattaneo, a empresa mantém diálogo com autoridades para apresentar uma solução definitiva para os problemas no sistema de distribuição na capital e na região metropolitana.
O executivo destacou que a rede aérea é particularmente vulnerável, sobretudo quando cabos passam por dentro das copas das árvores. “Em caso de tempestade ou situação excepcional, é impossível impedir a interrupção do serviço”, afirmou.
Segundo ele, o departamento jurídico da companhia e a subsidiária brasileira já apresentaram às autoridades locais dados que indicam melhora de 50% na qualidade do fornecimento em São Paulo no último ano.
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Processo na Aneel e risco de caducidade
A atuação da empresa está sob análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que discute a eventual caducidade do contrato de concessão da distribuidora em São Paulo. O processo começou a ser avaliado em novembro de 2024, mas foi suspenso após pedido de vista do diretor Gentil Nogueira.
O escopo da apuração foi ampliado para incluir o apagão ocorrido em dezembro do ano passado, quando cerca de 4,4 milhões de consumidores ficaram sem energia após temporais que atingiram a região metropolitana.
A agência deve analisar nesta terça-feira um pedido de Nogueira por mais 60 dias para concluir seu voto e recolocar o caso na pauta da diretoria. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, manifestou-se contra a prorrogação e defendeu deliberação em caráter de urgência.
A Enel sustenta que a inclusão do apagão de dezembro na análise pode ser considerada ilegal e inconstitucional. A companhia apresentou pareceres jurídicos assinados por Marçal Justen Filho e Gustavo Binenbojm para embasar sua defesa.
As falhas no fornecimento se intensificaram após eventos climáticos extremos registrados no fim de 2024, quando consumidores ficaram dias sem energia. Fiscalizações da Aneel apontaram dificuldades da distribuidora em responder com rapidez às ocorrências.
Laudo sobre queda de árvores
A Enel encaminhou à Aneel resultados de um projeto-piloto que mapeou 770 mil árvores na área de concessão na Grande São Paulo, em parceria com prefeituras. Segundo a empresa, das 145 árvores que caíram durante o apagão de dezembro de 2025, nove apresentavam risco identificado previamente.
A perícia contratada pela distribuidora apontou que a principal causa das quedas foi a intensidade dos ventos, além de fatores secundários como presença de fungos.
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