O policial penal Felipe Arthur Bugni, de 40 anos, foi preso sob suspeita de ter assassinado sua esposa, Aline Alves Bugni, 38, com um tiro na cabeça dentro da residência do casal em Cajamar. O caso ocorreu na noite de domingo (27). A vítima foi morta no quarto do casal.
Segundo o boletim de ocorrência, o incidente aconteceu na rua João de Moraes Tavares, bairro Residencial Eldorado, região do Polvilho, Cajamar. A relação do casal era marcada por episódios frequentes de agressão física e psicológica ao longo dos 12 anos juntos.
Conforme relatos familiares, o crime ocorreu após uma discussão entre o casal. A família afirmou que a vítima, que trabalhava como professora, tentou terminar o relacionamento diversas vezes devido aos ciúmes excessivos do marido e às ameaças constantes que sofria.
Policial penal preso: pai contesta versão relatada de ex-genro
O pai de Aline foi quem chamou a Polícia Militar. Ele teria sido alertado sobre o crime pela neta, de seis anos, que foi até a porta dele pedir ajuda e contar que a mãe estava morta. O casal e o pai de Aline dividiam um mesmo sobrado e compartilhavam um quintal.
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Após atirar na esposa, Felipe instruiu a criança a dizer que sua mãe havia cometido suicídio. A versão foi contestada pelas investigações iniciais, em virtude da natureza das lesões encontradas no corpo da vítima.
O policial penal disse a policiais militares que estava fora do quarto quando ouviu um barulho de tiro e encontrou a mulher morta. O relato feito pelo acusado também foi contestado pelo pai da vítima, que alega que o casal estava discutindo e que um som em volume alto foi ligado pouco antes do tiro, impedindo que ele escutasse o disparo.
A morte da mulher foi constatada por uma equipe de socorristas. De acordo com o portal de notícias UOL, o médico socorrista encontrou uma pistola sob a cama do casal e desmuniciou a arma antes da chegada da Polícia Militar porque Felipe ameaçou tirar a própria vida.


O suspeito foi nomeado para o cargo de Policial Penal em 2013 (Reprodução/TV Globo)
Após o crime, o policial penal também agrediu fisicamente o sogro e seu cunhado com socos. O homem teve um corte no supercílio, uma suspeita de fratura no nariz e precisou de atendimento médico. O policial penal afirmou que bateu no sogro porque foi agredido antes.
Em depoimento à polícia, familiares afirmam que o policial penal era ciumento e tinha barrado o contato de Aline com parentes. Segundo relato do irmão da vítima, a mulher já tinha manifestado interesse em se separar, mas tinha medo do marido.
Ao ser questionado sobre a morte da esposa, o acusado permaneceu em silêncio. Ele negou que tenha cometido violência psicológica contra a mulher e disse que eles tinham um bom relacionamento.
Além de ser considerado suspeito pelo assassinato, o policial penal também foi preso por lesão corporal, ameaça e violência doméstica e psicológica.
O suspeito foi nomeado para o cargo de Policial Penal em 2013 e tinha uma remuneração bruta de R$ 6 mil. A Polícia Penal de São Paulo não comentou o caso.
As autoridades apreenderam duas armas pertencentes ao acusado: uma utilizada oficialmente como parte das suas funções profissionais e outra localizada sob a cama no local do crime. Felipe enfrenta acusações formais pelo assassinato e pelas agressões cometidas contra os parentes.
Além das armas, dois celulares de Felipe também foram apreendidos para análise. A Polícia Civil não arbitrou fiança porque, segundo o despacho, a soma das penas dos crimes do flagrante ultrapassa quatro anos.
Avô chamou GCM antes do policial penal cometer o crime

Tiago e José, respectivamente, irmão e pai de Aline. Os dois foram agredidos por Felipe, marido da professora (Lucas Jozino/TV Globo)
Horas antes da morte de Aline, o pai da vítima já havia chamado a Guarda Civil Municipal (GCM). Ele afirmou que Felipe havia jogado spray de pimenta contra a porta e a janela da residência dele. Os guardas foram ao endereço, orientaram os envolvidos e deixaram o local.
Depois, segundo o pai, ele ouviu o genro dizer para Aline Alves Bugni e a filha que ele teria “os piores pesadelos da sua vida”. Em seguida, ouviu Felipe Arthur Bugni ligar o som bem alto. Depois, foi chamado pela neta, que informou que a mãe estava morta.
O pai da vítima disse ainda que ele e o filho foram agredidos com socos no rosto por Felipe enquanto os agentes da PM estavam no imóvel da filha.
À TV Globo, o irmão da vítima afirmou: “Ele bateu num senhor de quase 70 anos. Eu peço que seja feita a justiça. Não é porque ele é policial que ele é melhor do que ninguém.”
O irmão de Aline ainda falou que ele e o pai foram ameaçados de morte por Felipe. “Eu vou te matar, seu lixo” e “não quero esse lixo dentro da minha casa” foram as frases que o policial penal falou, segundo Tiago.
Felipe deu outra versão sobre a agressão ao sogro. Disse que José o chamou de assassino e lhe deu um soco primeiro, e que ele revidou. Também negou tê-lo ameaçado.
Polícia trabalha com hipótese de Feminicídio

Caso é investigado pela Delegacia de Cajamar (Reprodução/Google Street View)
A principal hipótese investigada pela Polícia Civil, no entanto, é a de feminicídio — assassinato contra mulher por razões da condição do sexo feminino, como contexto de violência doméstica e familiar ou de menosprezo ou discriminação.
Para que o crime de feminicídio seja confirmado, a investigação aguarda os resultados dos exames periciais para confirmar que a mulher foi assassinada — descartando, assim, a versão de suicídio apresentada pelo marido. Nesse caso, o policial penal seria indiciado também por feminicídio, o que ainda não aconteceu.
Foram feitos exames residuográficos no Instituto de Criminalística (IC) para tentar confirmar a presença de pólvora nas mãos de Felipe e nas de Aline. Duas pistolas dele foram apreendidas. O Instituto Médico Legal (IML) fez exame necroscópico para apontar a causa da morte.
A morte de Aline, porém, foi registrada como “morte suspeita”, já que ainda não há conclusão sobre como ela morreu.
Segundo o boletim de ocorrência, registrado na Delegacia de Cajamar, Felipe alegou que a esposa se matou com uma das duas armas que ele tinha na residência. O policial penal contou que estava em um cômodo da casa quando escutou um barulho no quarto e encontrou a esposa caída e sangrando.
*com informações dos portais G1, UOL e R7.
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