A URE Barueri, 1ª usina de tratamento térmico em mass burn com recuperação energética da América Latina – parceria entre o Grupo Orizon, referência em valorização de resíduos, e a Sabesp – entra na reta final de construção. O empreendimento está previsto para começar a operar em 2027. A unidade gerará energia elétrica renovável a partir de resíduos, com capacidade para atender mais de 75 mil residências.
Idealizada a partir do Leilão A-5 de 2021 do Governo Federal, que contratou o projeto para fornecer energia renovável a partir de resíduos sólidos urbanos e da Parceria Público Privada com o município, a URE Barueri terá capacidade instalada de 20 MW (com exportação de 16 MW médios), de forma estável, permitindo tratar e destinar até 870 toneladas por dia de resíduos sólidos urbanos.
Jorge Elias, diretor de Engenharia do Grupo Orizon, destaca que a URE Barueri é uma solução eficaz para a região, que conta com alta concentração populacional e zonas reduzidas para o tratamento adequado de resíduos: “Somos precursores ao implantar a solução, o que nos deixa ainda mais preparados para as próximas oportunidades do setor. O projeto em parceria com a Sabesp, contribuirá com a destinação adequada dos resíduos de uma região com alta densidade populacional, incorporando tecnologia, segurança, inovação, eficiência e geração de energia elétrica, acrescenta Elias.
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Usina
A energia renovável seria capaz, por exemplo, de abastecer 100% da frota de ônibus municipais de Barueri, caso fossem movidos à energia elétrica. Esse avanço reflete diretamente na qualidade do ar e na saúde dos cidadãos.
A descarbonização atrelada à essa transição energética, utilizando 2,9 MW de energia, resultaria na redução de 12.410 toneladas de CO₂ por ano. O benefício ambiental se estende à saúde da população, com projeção de redução de até 15% nas internações por doenças respiratórias (conforme parâmetros da OMS).
O projeto também gera empregos na região. São em torno de 300 colaboradores envolvidos na execução das obras, que somarão mais de 1,1 milhão de horas de mão de obra dedicadas à construção da usina. O projeto também traz vantagens fiscais por meio do recolhimento de impostos (ISS). Durante a implantação a estimativa de arrecadação é de R$ 3 milhões. Já durante a operação, a previsão de arrecadação é no montante de 38,5 milhões.
Usina Waste-to-Energy: China lidera
O tratamento térmico é uma das principais técnicas usadas no mundo para a recuperação energética de resíduos sólidos urbanos (RSU). Hoje, mais de 11% dos resíduos gerados globalmente passam por processos de Waste-to-Energy, com mais de 2,8 mil usinas em operação, capazes de processar cerca de 576 milhões de toneladas de lixo por ano. Países como Japão e Suécia são referências nesse modelo, destinando 73% e 52% de seus resíduos, respectivamente, para geração de energia.
O setor é liderado pela China, com 1.135 plantas operacionais, segundo dados da plataforma de monitoramento do Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da China. A capacidade total é de, aproximadamente, 1 milhão de toneladas por dia.
Na Europa, as usinas de recuperação energética trataram mais de 100 milhões de toneladas de resíduos residuais por ano, ou seja, 26% da produção de resíduos sólidos urbanos. As usinas europeias fornecem eletricidade para 20 milhões de pessoas e aquecimento para 17 milhões por meio de redes de aquecimento — o equivalente a 13,8 bilhões de m³ de gás natural em energia, segundo o Atlas on Waste Management and Climate Change Mitigation da ISWA, 2025.
CICLO DO RESÍDUO

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