Após 2 anos, USP expulsa aluno suspeito de estupro em moradia estudantil

Caso ocorreu nas dependências do Crusp, em setembro de 2024, após outros dois episódios de violência sexual; confira os detalhes
As ações nas apurações incluíram produção de provas e oitiva de testemunhas (Marcos Santos/USP Imagens)

A Universidade de São Paulo (USP) expulsou um estudante acusado pelo crime de estupro praticado dentro do Conjunto Residencial da USP (Crusp). Ele foi suspenso das aulas por 120 dias. A medida foi divulgada nesta terça-feira (7). O processo administrativo disciplinar começou em outubro de 2024 e foi concluído apenas na semana passada.

O caso ocorreu nas dependências do Crusp, em setembro de 2024, pouco depois de outros dois episódios de violência sexual. Na época, estudantes denunciaram falhas de segurança e problemas de iluminação no campus.

Conforme uma nota divulgada pela universidade à imprensa, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), responsável pelo acolhimento e acompanhamento de casos desse tipo, seguiu todos os passos legais e prazos previstos no processo.

As ações nas apurações incluíram produção de provas, oitiva de testemunhas e requisição de documentos, para garantir o contraditório e a ampla defesa. “É preciso haver muita cautela na condução desses processos, inclusive para que, em um cenário de judicialização, não se vislumbrem nulidades que comprometam a integridade do processo”, disse a USP em nota.

Após o período de suspensão, o estudante poderá solicitar o auxílio integral de R$ 885, destinado a alunos de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica, já que foi expulso da moradia estudantil.

Segundo a universidade, ele deverá passar pelo mesmo processo seletivo dos demais candidatos.

Estudante da USP relata caso de estupro

Em 19 de agosto de 2024, Yasmin Mendonça, então com 20 anos e estudante da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, denunciou ter sido estuprada por um colega dentro do Crusp, a moradia estudantil da universidade.

O caso também é apurado pela PRIP por meio de processo administrativo disciplinar, sem prazo definido para conclusão. Após o episódio, Yasmin deixou o Crusp e passou a morar com a família.

Em entrevista à GloboNews, ela relatou que, após um dia de aula, foi convidada pelo então colega para tomar café em seu dormitório. Segundo Yasmin, o rapaz já a havia importunado anteriormente, após saber que ela havia terminado um relacionamento.

“Ele puxou a cadeira para o meu lado, me senti intimidada e tentei trazer outro assunto à tona. Ele me pediu um beijo. Eu disse que não queria me relacionar com ele daquele jeito, que eu queria só amizade”, relatou.

Durante a conversa, enquanto discutiam literatura brasileira, o suspeito começou a tocar seu corpo sem consentimento. “Não consegui ter reação nenhuma, só fiquei parada. Já tinha falado que não queria, e ele foi passando a mão”, disse ela.

PRIP apura outro caso de estupro no conjunto residencial (Marcos Santos/USP Imagens)

Diagnosticada com paralisia cerebral tipo 1, Yasmin tem mobilidade reduzida no lado direito do corpo. Com medo de reagir e ser agredida, ela disse que simplesmente paralisou. Após o episódio, foi para seu dormitório — próximo ao do acusado — e ficou questionando o que havia acontecido.

Ao encontrá-lo pouco depois na escada de incêndio, ela verbalizou seu desconforto: “Eu disse: ‘Olha, cara, não gostei do que você fez. Não quero que você faça isso de novo comigo, me senti realmente desrespeitada'”.

O acusado, no entanto, continuou a tocá-la enquanto fingia ouvi-la. Ao tentar entrar em seu apartamento, ele se aproximou por trás e esfregou as partes íntimas no corpo dela. Antes de ir embora, ainda fez um comentário debochado: “Se você demorar para fechar a porta, é porque gostou, porque você quer”.

Yasmin também relatou ter enfrentado dificuldades para obter medidas cautelares contra o agressor — tanto no âmbito acadêmico quanto no judicial.

*com informações do G1.

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