Youtuber osasquense Júlio Cocielo tem ação indenizatória por suposto racismo julgada improcedente

Influencer foi denunciado pelo Ministério Público por crime de racismo e indenização por dano social ultrapassava os R$ 7 milhões 
Cocielo tem milhares de seguidores nas principais redes sociais (Divulgação/Reprodução redes sociais)

O youtuber osasquense, Júlio César Cocielo, de 28 anos, teve uma ação cível de danos morais proposta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) julgada improcedente por supostos comentários racistas proferidos nas redes sociais. De acordo com a denúncia, assinada pela promotora de Justiça Cristiana Steiner, Cocielo praticou e incitou a discriminação e preconceito de cor por meio de comentários publicados em seu perfil no Twitter. As postagens foram feitas entre 2 de novembro de 2011 e 30 de junho de 2018. 

O MP pedia indenização de R$ 7.498.302,00 por danos morais à coletividade. Já ação criminal segue na Justiça Federal de Osasco. No julgamento da ação na quarta-feira (7), o juiz da 18ª Vara Cível da capital decidiu que o influencer não fez piadas consideradas racistas levando em conta que ele é um humorista. “O requerido (Cocielo) é um humorista. Em pesquisa no Google pelo seu nome, tem-se a seguinte descrição: “Júlio César Pinto Cocielo é um humorista, ator, influencer e youtuber brasileiro, conhecido pelos seus vlogs no YouTube”, enfatizou o magistrado Caramuru Afonso Francisco. 

Em outro ponto, o magistrado afirma que o youtuber “não agiu com dolo, culpa grave nem se apresenta como exemplo negativo, não é racista nem jamais defendeu o supremacismo racial, o que, na lição de Antonio Junqueira de Azevedo, descaracteriza a sua conduta como ensejadora de responsabilização civil por danos sociais”, comentou. 

Decidindo a ação, o juiz ressaltou a letra do Hino da Proclamação da República sobre liberdade: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, nas lutas e na tempestade, dá que ouçamos a sua voz. Pelo exposto, julgo IMPROCEDENTE o pedido, não havendo condenação em honorários, consoante o disposto no artigo 18 da lei 7347/1985″, decidiu o magistrado. 

Um dos casos polêmicos envolvendo o influenciador foi um comentário considerado inadequado sobre o jogador francês Kylian Mbappé. Na ocasião, Cocielo afirmou que o atleta “conseguiria fazer arrastões top na praia”. Isso ocorreu em junho de 2018. Cocielo pediu desculpas em suas redes sociais por meio de um vídeo. 

A AÇÃO
Em um dos comentários, o denunciado afirma que “o Brasil seria mais lindo se não houvesse frescura com piadas racistas. Mas já que é proibido, a única solução é exterminar os negros”. 

Para a Promotoria, Cocielo “reforça os estereótipos contra os negros numa mídia de largo alcance sua atividade profissional e sua fonte de renda, contribuindo de modo eficaz para a incitação e proliferação do racismo e de todas as suas consequências psíquicas, sociais, culturais, econômicas e políticas”.