​O Pastor Alemão que mudou o destino do Canil da PM

A história de um herói de quatro patas
Existem mais de 36 Canis Setoriais em todo o Estado (Foto: PM/SP)

Muita gente não tem ideia de como teve início o Canil da Polícia Militar, no estado de São Paulo e de como funciona o trabalho desses animais que atuam como parceiros e verdadeiros agentes de combate ao crime. 

Em 1953, um cão foi abandonado ainda filhote à porta da Polícia Militar. Acolhido pela PM, o Pastor Alemão, que ganhou nome de Dick, passou a ajudar seu parceiro inseparável, o soldado José Muniz de Souza. Dick se mostrou um cão excepcional, mas o que fez ele se destacar foi um fato que comoveu toda a cidade e mudou o destino do Canil da PM.

O então governador de São Paulo, Jânio Quadros, queria o fim dos cachorros na PM. Logo na mesma época, o garoto Eduardo Benevides, ou Eduardinho como ficou conhecido, foi sequestrado na porta de sua casa. Após três dias de seu desaparecimento, Jânio se pronunciou dizendo que recomendava a promoção daqueles que desvendassem o mistério do caso. Em uma última esperança, designaram os cães da PM para procurá-lo.

O Soldado Muniz e seus companheiros seguiram mato adentro até que Dick começou a latir. O garoto tinha sido encontrado dentro de um buraco de 1,5 metros de profundidade, na área onde hoje fica o Zoológico Paulista. Depois de resgatado, Eduardinho disse que pediu à Deus que um anjo fosse salvá-lo.

O governador cumpriu sua promessa e agora eram Cabo José Muniz de Souza e Cabo Dick, que ainda recebeu como prêmio uma coleira de prata. Mas o prêmio ainda maior foi a decisão de manter o canil e seguir com o trabalho dos cachorros e policiais em um esforço que vem salvando muitas vidas desde então.

Hoje, o 5º Batalhão de Polícia de Choque Canil possui hoje 28 cães, sendo que no estado de São Paulo, o número é de 324 cães. Existem mais de 36 Canis Setoriais em todo o Estado. As raças utilizadas são Pastor-Belga Molinois, Pastor Holandês, Labrador e Bloodhound.

É preciso que os cachorros tenham algumas características para atuarem nas atividades em que serão colocados, como poder de concentração, energia e desempenho durante os testes são alguns dos pré-requisitos. A partir daí, o cão vai para a unidade e começa a realizar os treinos.

Os cães da PM trabalham nas atividades de faro de entorpecentes, faro de explosivos, busca em mata de pessoas perdidas e busca em marginal homiziado em mata. A PM também possui cães de guarda e proteção, que são os cães de mordida. As situações em que os cães são mais acionados são no combate ao crime organizado e o tráfico de drogas, sendo raros os casos como o de Eduardinho.

Cada cachorro trabalha com seu respectivo condutor, mas em caso de o policial sair da unidade ou ser transferido, o cão é passado para outro PM a partir de um treinamento específico. Porém, normalmente a efetividade do cão acaba por diminuir.