Suspeito preso por morte de jovem em salto sem corda acusa colegas de esconder câmera

Carta aponta três integrantes como responsáveis pelo desaparecimento da câmera que pode esclarecer a morte da jovem em salto sem corda
Moradora de Jandira, Maria Eduarda morreu após um salto sem corda na Ponte do Esqueleto em Limeira (Reprodução)

João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, preso temporariamente durante as investigações sobre a morte da jovem, moradora de Jandira, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, afirmou, em uma carta de três páginas, que os três integrantes da equipe responsável pelo evento de rope jump podem estar envolvidos no desaparecimento da câmera GoPro usada pela vítima durante o salto.

O equipamento é considerado uma das principais peças da investigação conduzida pela Polícia Civil, já que pode ajudar a esclarecer a dinâmica do acidente ocorrido no dia 13 de junho, na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo.

A carta foi divulgada na quinta-feira (26) pelos advogados Ana Flavia de Almeida Foguel e Vitor Aurélio, que representam João Antônio, segundo o Portal Metrópoles.

Suspeito cita nomes de integrantes do grupo

No documento, João Antônio relata que, logo após a queda de Maria Eduarda, acionou o resgate por rádio. Segundo ele, o primeiro a descer até a vítima foi o instrutor Luís Felipe Feliciano Egoroff, um dos profissionais presos ainda no dia do acidente.

Na sequência, de acordo com o relato, Kauê Felipe Silva Silveira, investigado, mas não preso, também desceu rapidamente por rapel e permaneceu próximo à vítima.

Segundo João Antônio, ele não conseguiu acompanhar o que aconteceu naquele momento porque estava orientando a equipe de resgate.

Na carta, ele afirma acreditar que Kauê e Luís Gustavo de Oliveira possam ter retirado a câmera da vítima. João também cita Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada pela Polícia Civil como responsável pelo grupo Entre Cordas, afirmando que ela teria solicitado, via rádio, que Luís Gustavo retornasse à ponte.

Até o momento, a defesa das pessoas citadas informou que ainda irá se manifestar. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

GoPro é considerada peça-chave na investigação

Ao longo da carta, João Antônio pede que a câmera seja localizada e faz um apelo para que participantes do evento divulguem imagens gravadas após a queda da jovem.

Segundo ele, os registros podem contribuir para o esclarecimento dos fatos investigados pela Polícia Civil.

O preso também afirma que trabalhava apenas na retirada das cordas e equipamentos após os saltos e diz que estava auxiliando outro participante quando ouviu o impacto da queda de Maria Eduarda.

No documento, ele ainda afirma que desconhecia que a empresa responsável pelo evento atuava de forma clandestina.

“Por favor, ajudem a achar essa câmera. Sou apenas um trabalhador comum que tenta fazer uma renda a mais para pagar as contas e educar os filhos. Estava prestando um serviço sem saber que a empresa era clandestina”, escreveu.

Ao final da carta, João Antônio prestou solidariedade aos familiares da vítima e reiterou o pedido para que novas imagens sejam entregues às autoridades.

Seis pessoas foram presas

As investigações resultaram, até o momento, na prisão de seis pessoas ligadas à organização do evento.

No dia da morte de Maria Eduarda, foram presos os instrutores Maicon Fernandes Cintra, Luís Felipe Feliciano Egoroff e Vitor de Freitas Gonçalves.

Uma semana depois, a Polícia Civil prendeu Evelyne dos Santos Gonçalves, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, apontados como integrantes da organização do evento.

A Polícia Civil segue investigando o desaparecimento da câmera GoPro e as circunstâncias da morte da jovem.

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